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segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Bem vindo ao Piratices



O objectivo deste site é a partilha de algum conhecimento na língua de Camões. Falamos de viagens, de fotografia, de armas, do tiro, de facas e de outros temas que consideramos interessantes.

É usado o sarcasmo, a linguagem obscena e insultuosa na escrita dos textos. O objectivo deste tipo de linguagem é apenas criar algo parecido com humor e, em caso algum, se pretendem insultar ou ofender pessoas, etnias ou religiões.

Se achas que podes ficar ofendido ou melindrado, por favor não entres no site. Caso tenhas menos de 18 anos por favor não entres no site.



domingo, 1 de janeiro de 2012

Fotografia Noturna


Todos gostamos de ver fotografias do pôr-do-sol e de as tirar, mas após esta altura a maioria dos fotógrafos amadores guarda a máquina fotográfica e espera pela manhã seguinte. Isto é um erro, pois há muitas oportunidades fotográficas durante o período nocturno. Ao contrário do que se pode pensar é muito fácil fazer fotografia nocturna e, em muitos casos nem sequer é necessário tripé. Vou dividir este artigo em duas secções, fotografia nocturna sem tripé e com tripé.

Na fotografia nocturna, o flash deve estar sempre desligado excepto para retratos a curta distância do tema. Devem-se usar altos valores de ISO, mas temos que ter em conta que ao subir o ISO subimos também o ruído digital produzido pelo sensor. Quanto menor for o número de megapixéis, menor será o ruído produzido pelo sensor.

Eis alguns valores máximos de referência que eu, pessoalmente, considero aceitáveis:
- Sensores de máquinas compactas – entre ISO 200 e 400.
- Sensores 4/3 e Micro 4/3 – máximo de ISO 800.
- Sensores APS-C (DSLR) – máximo de ISO 1600.
- Sensores Full Frame – Se tens uma máquina com um sensor destes o que estás a fazer aqui? Deves saber o seu potencial, não vais aprender nada de novo neste artigo


Nikon D300 - 18mm - f/ 3,5 - 1/6 - ISO 1600



Fotografia nocturna sem tripé

Podes fotografar sem tripé, à noite, dentro das cidades usando apenas a luz ambiente. Pessoalmente prefiro fotografar sem tripé pois este limita-me os movimentos e a criatividade (que já de si é pouca). Não tenhas medo de fazer experiências, em caso de dúvida, tenta a foto, lembra-te que na pior das hipóteses tens que carregar no botão Delete da  tua máquina. Digital.

Sempre que se fotografa com pouca luz vai-se trabalhar também com velocidades de obturação baixas. Uma regra de ouro para calcular a velocidade de obturação mínima é que esta deve ser igual a “1/distância focal”, ou seja, se estamos a usar uma lente de 50mm, a velocidade de obturação deve ser 1/50 ou acima disto para que a foto não fique “tremida”.

Nikon D300 - 18mm - f/ 3,5 - 1/15 - ISO 1600



Para conseguires tirar fotos com velocidades mais baixas, deves usar lentes com a menor distância focal possível (angulares). Cada vez há mais máquinas e lentes equipadas com dispositivos de estabilização de imagem o que também permite fotografar a baixa velocidade sem que a imagem fique tremida.

Ainda podes baixar mais a velocidade de obturação, recorrendo a técnicas usadas no tiro, afinal o objectivo é comum – estabilizar, ao máximo a câmara ou a arma. Deves colocar os pés ligeiramente afastados paralelos um ao outro na posição que te permita a máxima estabilidade. Os braços devem estar flectidos, apoiados no tronco e com os cotovelos unidos. Deve-se encontrar uma postura confortável e não demasiado rígida. Uma das mãos deve estar no punho da máquina enquanto que a outra deve apoiar a objectiva.



A respiração também deve ser cuidada. Os melhores resultados conseguem-se sustendo a respiração no final do ciclo respiratório, ou seja, inspiração, expiração, suspensão da respiração e disparo. Se quiseres, depois do disparo podes voltar a inspirar, mas isso é contigo.

O disparador deve ser accionado o mais suavemente possível. Deves ir “espremendo” o disparador lentamente até que o obturador seja accionado. Evita a todo o custo premir violentamente o disparador, dando uma “gatilhada” pois isto irá produzir vibração na câmara.

Acho que é escusado dizer que deves abrir o diafragma ao máximo em modo de prioridade à abertura ou usar o programa de fotografia nocturna da tua máquina compacta.


Nikon D300 - 46mm - f/ 4,5 - 1/200 - ISO 1600



Fotografia nocturna com tripé

Quando se fotografa com muito pouca luz, por exemplo em zonas rurais, quando se fotografam os astros, relâmpagos ou fogo-de-artifício, necessitamos de fazer exposições realmente longas (velocidades de obturação abaixo de 1 segundo). Para este tipo de exposição, é fundamental o uso de um tripé.

Não te vou recomendar nenhum tripé em particular pois isso depende muito daquilo que queres fazer com ele e dos teus gostos pessoais. Digo apenas que de nada adianta terem um Gitzo topo de gama para ficar permanentemente em casa. As minhas melhores fotos de longa exposição foram tiradas com tripés de viagem ou mini-tripés, porque eram esses que estavam no meu estojo fotográfico.



Nikon D70 - 200mm - f/ 25 - 30’’ - ISO 200



Para maximizar a estabilidade oferecida pelo tripé deves usar um disparador remoto (uma espécie de comando à distância) a fim de reduzir as vibrações produzidas pelo teu dedo no botão de disparo. Isto é particularmente importante se fotografares com tripés de má qualidade. Todas as DSLR e compactas de topo de gama actuais possuem suporte para um disparador remoto que pode ser por cabo ou por infra-vermelhos.

Caso tenhas uma compacta sem suporte para disparador remoto, podes usar o modo de disparo automático retardado que cumpre o mesmo objectivo.

Com tripé recomendo o uso do modo de prioridade ao obturador da tua máquina ou o modo completamente manual. Algumas máquinas apenas permitem escolher a velocidade BULB em modo manual. Na velocidade BULB o obturador fica aberto enquanto o botão fica aberto enquanto o botão disparador estiver premido. Apenas se deve usar esta técnica usando um disparador remoto pois, se usares o botão de disparo irás produzir vibrações na máquina. A velocidade BULB apenas se deve usar para exposições superiores a 30 segundos.


Nikon D70 - 18mm - f/ 3,5 - 374’’ - ISO 200

Fotografia HDR


HDR é o acrónimo para High Dynamic Range ou Alto Alcance Dinâmico e é uma técnica usada em fotografia para aumentar o alcance dinâmico entre os valores mais escuros e mais claros da imagem. O objetivo principal é criar uma imagem com detalhe nas altas luzes, nas meias luzes e nas sombras. Caso não conheçam, visitem o site de uma das maiores autoridades mundiais em fotografia HDR, o fotógrafo Trey Ratcliff. O site tem o sugestivo nome de Stuck in Customs e vejam o tipo de imagens que é possível criar com esta técnica. Imaginem o potencial disto aplicado à pornografia caseira.




Como habitualmente as altas luzes de uma imagem ficam queimadas (brancas) e sem detalhe e as sombras também tendem a ter pouco detalhe por ficarem sub-expostas, esta técnica consiste em tirar várias fotos ao mesmo motivo, variando apenas a exposição de cada uma, combinando-as depois numa única imagem uma exposição “perfeita” em todas as zonas. Cada vez há mais máquinas fotográficas que permitem este tipo de resultados de forma transparente para o utilizador. O iPhone 4, com versão de IOS igual ou superior à 4.1 é um bom exemplo disto.

É possível criar uma imagem HDR a partir de vários JPGs, mas é preferível fazê-lo a partir de imagens RAW pois estas têm 12, 14 ou 16 bits por canal, permitindo armazenar muito mais detalhe de cor que os 8 bits dos JPG.

Depois de criada a imagem HDR é necessário proceder à técnica de Tone Mapping para que esta possa ser visualizada em todo o seu esplendor num monitor convencional. Um monitor convencional não consegue mostrar uma imagem com uma grande latitude dinâmica, para que tal seja possível, as diferentes tonalidades têm que ser re-mapeadas, e comprimidas de novo num curto alcance dinâmico. É como tentar ver um filme 3D sem os óculos polarizadores.




Para facilitar a captura de imagens com diferentes exposições pode-se usar a função de bracketing (ou Auto-bracketing, ou Auto-exposure mode, ou Exposure Bracketing). Qualquer máquina DSLR ou avançada irá suportar esta função e irá permitir fotografar em RAW. Idealmente deves configurar o bracketing para fazer 3 fotos, uma com exposição correta, uma sub-exposta a -2 EV e outra sobre-exposta a +2 EV. No caso da minha Nikon D300 tenho que fazer 5 fotos em intervalos de 1 EV (-2, -1, 0, +1, +2) para conseguir a mesma amplitude. A Nikon não permite saltar de 2 em 2 EVs. É possível criar uma imagem HDR a partir de apenas uma única imagem RAW, mas os resultados não terão o mesmo impacto. Caso a tua máquina não faça bracketing automático, podes obter os mesmos resultados fotografando em modo manual (mantendo sempre a mesma abertura e variando apenas a velocidade de obturação).

As fotos devem ser capturadas com a máquina estabilizada num tripé para garantir que não ficam tremidas nas velocidades mais lentas e que o enquadramento não varia. Caso não disponhas de nenhum tripé, não deixes de experimentar esta técnica. Consegui resultados decentes em Sidney ao lusco-fusco sem tripé, mas também fiquei com muitas foto inutilizáveis por falta de tripé.




Vamos ver como isto funciona na prática:

1-     Captura as imagens usando o modo de auto-bracketing garantindo que ficas com 3 imagens exatamente iguais com 2 EV de diferença entre elas (-2, 0,+2). A máquina fotográfica deve estar num tripé e as imagens devem ser gravadas em RAW.

2-     Abre o Photomatrix. Caso não o tenhas instalado, esta é a altura certa para o fazer. Clica em “Load Bracketed Photos”, faz “Browse” para escolheres as 3 imagens que pretendes usar com 2 EV de diferença entre elas, Clica “Open” e dá “OK”. Deixa as opções de processamento em Default e dá “OK”.

3- O Photomatrix vai carregar as imagens, alinhá-las e gerar a imagem HDR. Depois de concluído este processo é apresentada a imagem HDR que tem um aspeto um pouco estranho e artificial. Esta imagem tem este aspeto estranho devido ao facto de ter uma latitude dinâmica superior ao que o teu monitor consegue reproduzir. O passo seguinte vai resolver este problema.

4- O Tone Mapping. Na parte inferior do ecrã podes escolher o efeito a aplicar no Tone Mapping. Pessoalmente prefiro o efeito mais natural que é o que se encontra selecionado por defeito, o “Enhancer - Default”. Agora é só clicar em “Process” e esperar que a imagem final surja no ecrã.
5- Grava a imagem. Sei que não devia precisar de referir este passo, mas achei melhor fazê-lo na mesma. “File”, “Save As...”






Parabéns acabaste de criar uma imagem HDR! Caso pretendas podes abrir a imagem final no Photoshop e continuar a melhorá-la.

Este tutorial foi concebido para exemplificar a forma mais fácil que conheço de criar uma imagem HDR. Este processo pode ser infinitamente melhorado e personalizado, permitindo resultados fantásticos. O meu principal objetivo foi demonstrar que, com pouco trabalho e usando apenas as opções default da aplicação se conseguem resultados bastante satisfatórios.

E lembrem-se, não se deixem apanhar.

Fotografia em Viagem


Este artigo combina algumas das minhas grandes paixões, viajar, a fotografia e alguns conceitos aplicados na informática. Se tiverem paciência para ler tudo poderão achar algumas coisas demasiado exageradas ou até mesmos paranóicas, mas se estou num sítio onde provavelmente nunca mais voltarei, não olho a meios para conseguir tirar e trazer para casa as fotografias da minha viagem.

Antes de avançar mais, quero deixar bem claro que o principal objectivo numa viagem é inspirar a cultura local, conhecer os locais e as pessoas, saborear a comida e, principalmente, divertir-me. A fotografia é secundária a todas estas actividades e deve permanecer sempre secundária. É muito triste apenas reparar em alguns pormenores quando já estou em casa a tratar as fotografias no Photoshop quando, no local não me apercebi deles (sim, já me aconteceu).

Encaro a fotografia em viagem como a principal forma de recordação da viagem (habitualmente não compro bugigangas para decorar a casa nem coisas parecidas) e, tal como já disse antes, não olho a meios para conseguir boas recordações. Vamos começar pela lista do equipamento a levar.





Equipamento a levar

Deves reduzir o equipamento ao mínimo sem que isto comprometa a qualidade das tuas fotos ou a possibilidade de fotografar determinados assuntos. Traduzindo para português a frase anterior, o que quero dizer é que não deves levar demasiado equipamento só porque pode dar jeito para esta ou aquela foto, mas que provavelmente irás acabar por não usar, mas de certeza te vai atrasar e cansar devido ao peso extra.

Como habitualmente viajo com a Vaselina, levamos sempre 3 máquinas fotográficas (uma para cada um de nós e uma de reserva em caso de avaria), cada uma delas com 2 baterias. É importante garantir sempre que a bateria de reserva está sempre completamente carregada. Não há coisa pior do que perder uma foto por não ter bateria na máquina.



A minha máquina principal é a Nikon D300 acompanhada da objectiva Nikon 18-200mm f3,5 - 5,6 VR e do flash Nikon SB-400. Este conjunto permite cobrir a maioria das situações mantendo o peso no mínimo. A objectiva não é muito luminosa, mas está equipada com a tecnologia VR (Vibration Reduction) que compensa este facto. Isto aliada às técnicas para fotografar com baixa luminosidade sem tripé permite bons resultados em condições adversas. Tenho outras lentes mais luminosas e opticamente superiores, mas não as levo devido ao peso e à enorme versatilidade da 18-200. Este tipo de lentes de zoom extremo são as companheiras ideais de qualquer DSLR em viagem e existem de várias marcas e preços para se adequarem às necessidades de qualquer viajante.

Opto pelo flash SB-400 em detrimento do SB-600 que também faz parte do meu equipamento por causa das dimensões e peso reduzidos e porque permite apontar a lâmpada para o tecto, reflectindo a luz e dando um ar muito mais natural às fotografias com flash. Sempre que possível deve-se usar um flash que permita reflectir a luz no tecto. A qualidade das tua fotos vai melhorar de forma substancial.

No dia a dia tenho acoplado o punho MB-D10 que facilita as fotos na vertical, permite fazer 8 fotos por segundo no modo de disparo contínuo e aumenta a capacidade da bateria. Em viagem não o levo por causa do peso. É um bom acessório que facilita bastante, mas não é indispensável.




A máquina secundária é uma Panasonic GF-1 com a lente de 20mm f1,7. Já sei o que estão a pensar... Isto é uma lente sem zoom! É verdade, mas eu já tenho tenho uma lente zoom na Nikon, não preciso de outra aqui para competir, do que preciso é de uma lente que fotografe coisas que a Nikon não fotografa, nomeadamente cenas com muito pouca luz. As dimensões e peso desta lente também a tornam uma companheira ideal para viajar permitindo colocar o conjunto máquina e lente num bolso (grande) de um casaco. É ideal para sair à noite, deixando a Nikon no hotel, mas mantendo a capacidade de fazer fotos com grande qualidade. A GF-1 permite também fazer filmes em formato HD (720p), o que também justifica o seu preço e elimina a necessidade de uma camcorder. Se estás a pensar usá-la principalmente como câmara de filmar, recomendo a aquisição da objectiva Panasonic 14-140mm que é extremamente versátil e optimizada para o vídeo. Esta lente é equivalente à 18-200mm da Nikon e está na minha lista de compras a curto prazo.







Como máquina de reserva temos a Olympus u770 que tem inúmeras virtudes, sendo apenas de lamentar que a qualidade das fotos produzidas não seja uma delas. A u770 é estanque até 10 m de profundidade, é resistente ao choque e a temperaturas extremas. Tem tudo para ser a máquina ideal do viajante, mas produz tão maus resultados fotográficos que apenas deve ser usada em ultimo caso ou em situações onde não se podem usar máquinas convencionais (fotos aquáticas). Caso gostes de máquinas pequenas, bonitas e todo-o-terreno, existem cada vez mais alternativas deste género mas que produzem melhores resultados fotográficos. Procura no Google as últimas novidades. Não vou recomendar nenhum modelo pois não tenho experiência com nada além da u770.





Apesar de achar que é dispensável na maioria das situações ou até prejudicial em alguns casos, acho indispensável levar um tripé. A minha abordagem consiste em levar um tripé de viagem, leve e pequeno, apenas para as situações em que este é absolutamente indispensável. Existe outra abordagem que consiste em levar um tripé topo de gama, muito estável e pesado, mas que tem a vantagem de poder ser usado como arma no caso de as coisas se complicarem.

O saco fotográfico é também uma escolha importante pois este tem a função de proteger o teu equipamento e de permitir o seu transporte de forma confortável. O mínimo que se pode exigir do saco fotográfico é que seja almofadado para proteger o equipamento dos choques. Pessoalmente prefiro mochilas pois deixam os braços libertos para fotografar. Caso estejas disposto a gastar um pouco mais recomendo um saco impermeável para resistir à chuva ou a uma queda no mar ou num lago (apenas por alguns segundos). Desde 2004 que tenho uma Lowe Pro Micro Trekker 100, da qual só tenho coisas positivas para dizer.




Cartões de memória

Se achavam que estava a exagerar com 3 máquinas fotográficas e 6 baterias, agora é que as coisas vão mesmo ficar paranóicas. Cabe ao cartão de memória assegurar que as nossas fotos chegam a casa intactas e prontas para serem importadas para o computador de forma a proporcionarem horas de seca aos amigos que tenham o azar de passar lá por casa nos dias a seguir à viagem.

Há várias pessoas que levam computadores ou discos externos e vão descarregando as fotos do cartão. Pessoalmente não recomendo esta prática a menos que seja para duplicar as fotos. O meio mais seguro para armazenar as fotos é a memória flash dos cartões e não um disco rígido, com partes móveis em que uma pequena pancada ou queda pode originar perda de dados.



Já que os cartões de memória desempenham um papel tão importante na segurança das fotos, devem usar-se apenas cartões da gama profissional. Tenho cartões profissionais em utilização há cerca de 7 anos e nunca perdi uma única foto por culpa do cartão. Recomendo os cartões Sandisk Extreme e Extreme PRO ou os Lexar Professional. Pessoalmente prefiro os Sandisk, mas os Lexar são ligeiramente mais baratos e ate agora não me deram problemas.

Quanto à capacidade dos cartões, acho preferível comprar vários cartões mais pequenos a um muito grande. Para a D300 tenho 3 cartões de 8 GB, um de 4 GB, um de 2 GB e outro de 1 GB. Começo por usar os de menor capacidade e, à medida que os vou enchendo, vou-os colocando em diferentes malas. Isto permite-me que mesmo que me roubem ou perca uma das malas ainda consiga ficar com algumas das fotos.

Apesar de óbvio quero referir que deves fotografar sempre na qualidade máxima que a tua máquina permitir e, como tal, deves levar cartões de memória suficientes para isto. Não deves, em caso algum, baixar a qualidade, lembra-te que são fotos únicas, e que provavelmente te vais arrepender uns anos mais tarde de ter baixado a qualidade para poupar memória.




O que fotografar

Em resumo, TUDO! Evita a todo o custo as fotografias monótonas de edifícios iguais às de todos os outros turistas que visitaram o mesmo sítio. Fotografa não só os locais, como as pessoas. Aproveita para meter conversa com as pessoas na rua enquanto pedes autorização para as fotografar. Não tenhas medo de fazer experiências e, lembra-te, se a experiência correr mal, custa muito menos carregar na tecla Delete do que lamentar não ter tentado fazer a foto.

Se viajas de avião não percas a oportunidade de fotografar imediatamente a seguir à descolagem ou na altura de aterragem. Há alguns anos atrás ninguém proibia a fotografia a bordo, mas ultimamente algumas hospedeiras de certas companhias têm-no proibido. A máquina fotográfica não interfere com nenhum dos equipamentos do avião pelo que não colocas ninguém em perigo. Recomendo que esperes que a tripulação se sente e coloque o cinto antes da descolagem / aterragem para tirar a máquina do saco e começar a disparar.

Fotografar Relâmpagos


Uma fotografia de um relâmpago tem uma força e impacto inquestionáveis no observador. O homem versus as forças destruidoras da Natureza. Aconselho a leitura dos conceitos básicos antes de continuar com a leitura deste artigo.

Apesar de existirem várias técnicas, vou descrever aquela que considero a mais fácil.  Esta é uma técnica muito fácil, que está ao alcance de qualquer fotógrafo amador com quase todos os tipos de máquina fotográfica.

1- Montar a máquina fotográfica no tripé e orientá-la para o local onde estão a surgir os relâmpagos. A lente deve ser uma grande angular e não uma teleobjectiva para que tenhas mais probabilidades de enquadrar correctamente o relâmpago. Lembra-te que não vais conseguir adivinhar onde é que o relâmpago vai aparecer. Se usares uma teleobjectiva o relâmpago pode surgir fora do enquadramento.

2- Colocar e máquina em modo Manual, abrir ao máximo o diafragma e escolher BULB como velocidade de obturação. É necessário que a tua câmara permita personalizar as opções que descrevi. Qualquer DSLR (reflex) permite alterar estas definições. Caso a tua máquina não seja uma reflex e não tenha a velocidade BULB, coloca-a na velocidade de obturação mais lenta possível. Quanto maior for o tempo que o obturador permanecer aberto mais fácil será capturar um relâmpago.

3- Premir o disparador, de preferencia usando um comando remoto para não causar vibração na máquina, e deixar o obturador aberto até surgir um relâmpago. Se não dispões de uma comando remoto, deves usar o temporizador da máquina a fim de evitar vibrações do teu dedo a premir o disparador.

4- Logo que surja o relâmpago, voltar a premir o botão de disparo para fechar o obturador e já está. Deverás ter uma boa foto de um relâmpago. Caso estejas a usar uma velocidade de obturação diferente de BULB, não precisas fazer este ponto.


Nikon D70 - 18mm - f/ 6,3 - 93,6 s - ISO 200

Fotografia - Conceitos Básicos


Vamos começar pelas noções mais básicas e elementares da fotografia para, mais tarde, as aplicarmos na prática a criar imagens. Serei o mais sucinto possível para não chatear com teoria em excesso, mas se não conheces os conceitos, por favor lê tudo.

Luz

Tudo na fotografia gira à volta da luz e da captura da luz reflectida pelos objectos, é a matéria-prima da imagem. Fotografia é “grafar com luz”. A luz é radiação electromagnética que tem a propriedade de impressionar o olho humano (não esquecendo das películas fotográficas e dos sensores digitais das câmaras actuais. A luz é definida pela qualidade (suave num dia nublado ou dura num dia de sol ao meio-dia) e pela quantidade.





Obturador

Permite controlar a quantidade de luz que chega ao sensor ajustando o tempo em que o sensor fica exposto à luz. Quanto maior for a velocidade de obturação, menos luz chega ao sensor.

A escala de tempos pode variar entre seguintes velocidades, das mais lentas (maior tempo de exposição), até às mais rápidas: 8, 4, 2, 1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/15, 1/30, 1/60, 1/125, 1/250, 1/500, 1/1000, 1/2000, 1/4000 1/8000 de segundo. Em algumas câmaras DSLR é comum haver uma opção B ou BULB que permite manter o obturador aberto enquanto o botão de disparo permanecer premido, isto permite exposições muito longas para fotografar com pouca luz. A cada valor que dobra o tempo de exposição, dobra-se a quantidade de luz que entra pela objectiva. A cada passo nesta escala chamamos de ponto de luz. Por exemplo: 1/500 é dois pontos de luz abaixo de 1/125, porque deixará entrar 1/4 de luz a menos. Este conceito será empregado em todos os dispositivos que controlam a entrada de luz (obturador e diafragma), como se verá adiante.

Caso a tua máquina permita controlar o obturador manualmente, podes usá-lo para melhorar as tuas imagens, usando velocidades baixas para dar um efeito “arrastado” ou velocidades altas (acima de 1/125) para congelar a imagem ou evitar que a foto fique “tremida”.




Diafragma

Permite controlar a quantidade de luz que chega ao sensor ajustando o tamanho da abertura por onde a mesma vai passar na lente. Quanto maior for a abertura mais luz chegará ao sensor. Os valores de abertura são precedidos da letra “f” e são conhecidos como “f stop” ou pontos de luz. Na escala de abertura de diafragma, valores menores representam aberturas maiores e vice-versa.

Exemplo de uma escala de aberturas, começando nas aberturas maiores e terminando nas menores: f 1.4, f 1.8, f 2.8, f 4, f 5.6, f 8, f 11, f 16, f 22. Podes pensar nesta escala como a resistência que a objectiva apresenta à passagem da luz, quanto maior o valor menos luz passa. Cada valor f na escala da objectiva deixa passar o dobro da luz da sua subsequente e metade da sua precedente, ou seja: f 5.6, deixa passar o dobro da luz de f8 e metade de f 4.

Quanto maior for a abertura do diafragma menor será a profundidade de campo.





Profundidade de campo

É o efeito que descreve até que ponto objectos que estão mais ou menos perto do plano de foco aparentam estar nítidos. Varia com a abertura do diafragma (maior abertura = a menor profundidade de campo) e com o tamanho do sensor (quanto maior for o sensor menor poderá ser a profundidade de campo). A profundidade de campo pode ser usada de forma criativa, por exemplo para desfocar o fundo de um retrato.

Nas fotos abaixo, pode-se verificar a pouca profundidade de campo da 1ª, fotografada a f2.8 1/60 e a grande profundidade de campo da 2ª, tirada a f16 1/60. As diferenças observam-se melhor na área focada do chão.




Distância Focal

É a distância, em milímetros, entre o ponto de convergência da luz e o ponto onde a imagem focada será projectada. Todas as objectivas recebem classificações como grande angular, normal e teleobjectiva.

Objectiva normal – tem um campo de visão na ordem dos 50º e proporciona uma visão muito próxima do olho humano. Todos os fotógrafos devem ter e usar uma objectiva de 50mm e f1.4 ou 1.8 de abertura.

Objectiva grande angular – apresenta um grande ângulo de visão (entre os 60º e os 180º). A distância focal destas objectivas é menor que a diagonal da imagem projectada. Distância focal inferior a 40mm.

Objectiva teleobjectiva – apresenta um pequeno ângulo de visão. Produz imagens ampliadas com os planos achatados ou comprimidos. Variam normalmente entre 85mm e 1200mm.

Objectiva zoom – Apresentam distancias focais variáveis, compreendidas entre 2 extremos (ex: 18mm – 200mm). São as objectivas mais em voga actualmente. São mais práticas de utilizar, mas opticamente não são tão precisas.



ISO

É a medida da sensibilidade à luz do sensor (ou filme). Quanto maior o valor, maior a sensibilidade, do sensor, à luz. No caso dos sensores digitais, de ISO ajustável, quanto maior foi o valor ISSO, maior será o ruído das imagens geradas. Sensores de maiores dimensões produzem menor ruído digital para o mesmo valor de ISO.




Dimensões do sensor

O sensor de 35 mm (Full frame) é considerado o tamanho standard para os sensores digitais. Isto deve-se ao facto de ter as dimensões de um fotograma de filme de 35 mm, o que permite manter retrocompatibilidade com as lentes usadas no tempo do filme. Quando se deu o desenvolvimento dos sensores digitais surgiram sensores mais pequenos (APS-C e APS-H) com o objectivo de baixar custos de produção e permitir o uso de lentes mais compactas. Ao usar lentes calibradas para 35mm com sensores mais pequenos aplica-se um factor de conversão para calcular a distância focal. Por exemplo, num sensor APS-C da Nikon o factor de conversão (crop factor) é de 1,5x ou seja, se usarmos uma lente de 100 mm esta irá encher o preencher o sensor da mesma forma que uma lente de 150 mm preencheria um sensor de 35 mm. Os sensores de 4/3 e de Micro 4/3 têm um facto de conversão de 2x, pois são ainda mais pequenos que os APS-C. Os sensores das maquinas compactas têm factores de conversão na ordem das 5x.

Independentemente do tamanho dos sensores, o número de megapixéis das máquinas compactas é semelhante ao das DSLR de gama baixa e média (cerca de 12 megapixés actualmente), isto faz com que a densidade seja muito superior nas máquinas compactas do que nas DSLR. Esta densidade superior tem como consequência que cada pixel de um sensor compacto capte menos luz que o de uma DSLR, o que se traduz em maior ruído digital nas máquinas com maior densidade de píxeis.

Em resumo, quanto maior o sensor melhor e quanto menor for o número de megapixéis menor será o ruído digital produzido pelo sensor, comportando-se melhor em situações de fraca luminusidade.






Temperatura de cor (Equilíbrio de brancos)

É uma analogia entre a cor da luz emitida por um corpo negro aquecido até a temperatura especificada em Kelvin e a cor que estamos a comparar.
Quando falamos em luz quente ou fria, não estamos a referir ao calor físico da lâmpada, mas sim à tonalidade de cor que ela apresenta ao ambiente. Luz com tonalidade de cor mais suave torna-se mais aconchegante e relaxante, luz mais clara mais estimulante. Quanto mais alta a temperatura de cor, mais clara é a tonalidade de cor da luz. A luz natural tem uma temperatura de 6500K.
As definições de balanço de brancos da tua máquina digital têm que coincidir com a temperatura da luz ambiente para que as fotos apresentem cores naturais.

Todas as câmaras actuais fazem o balanço de brancos automático mas, como em quase tudo, os melhores resultados são obtidos manualmente.




 Regra dos terços

Esta regra dita que se divida o visor da câmara em 3 terços horizontais e 3 terços verticais, traçando duas linhas verticais e 2 horizontais. Ao efectuar esta divisão ficam 4 pontos no visor. Deves colocar o teu motivo de interesse (o tema da tua foto) em cima de um desses 4 pontos ou, em alternativa, em cima de uma das linhas de divisão.

As linhas horizontais podem ser usadas, em fotografias de paisagem para colocar o horizonte. Se o céu for o tema da tua foto, deves colocar o horizonte no terço inferior, caso o teu motivo de interesse não seja o céu, deves colocar a linha do horizonte no terço superior.

Salvo raras excepções deves evitar colocar o tema principal no centro do enquadramento.



segunda-feira, 28 de março de 2005

México

Factos:

Estados Unidos Mexicanos

Capital: Ciudad de México

Língua Oficial: Castelhano

Presidente (2005): Vicente Fox

População: 109.955.400

Moeda: Peso Mexicano

Fuso Horário: UTC -6h no Inverno e UTC -5 no Verão

Electricidade: 110V, 60Hz.







Independência: 16-09-1810

Esperança média de vida: 75 anos

Alfabetização: 91,0%

Quando ir: Todo o ano, mas devem ser evitados os meses de Julho a Setembro devido à possibilidade de furacões.

Clima (Cancun): Tropical




Esta é a nossa 2ª grande viagem enquanto casal. Muitos do erros cometidos em Cuba já não serão repetidos aqui. As fotos terão bastante mais qualidade porque desta vez já saímos devidamente equipados com uma Nikon D70 com lente 18-70mm DX e com uma Canon PowerShot S50 equipada com um saco estanque que permite a submersão até 10m de profundidade. A qualidade do equipamento melhorou, mas a qualidade dos fotógrafos manteve-se, portanto não esperem milagres...




Dia 1 - 28-03-2005 - Portugal - México, Cancun, Quintana Roo

Partida chuvosa de Lisboa. Cedo se começou a verificar uma grande falta de competência da Euro Atlantic Airways. Depois do check-in feito, dirigimo-nos para a sala de embarque, após alguns minutos entrámos para o autocarro que se dirigiu ao avião, um Boeing 767-300. O autocarro parou perto do avião, mas as portas não se abriram. Estivemos cerca de 20 minutos (de pé) à espera que o avião ficasse pronto para nos receber.



Já dentro do avião a espera continua… um passageiro que se sentiu mal, decide não embarcar… mais 30 minutos até retirarem as malas.

Por fim, cerca das 13:30h e com mais de uma hora de atraso partimos de Lisboa, rumo a Cancun.

Durante o voo de 10:30h, a refeição demorou bastante a ser servida o que originou uma onda de protestos entre alguns passageiros mais velhos e resmungões…

Perto do final da viagem, foram-nos dados impressos para preencher, relativos a identificação pessoal e alfandega. Num desses impressos perguntava-se transportávamos armas… claro que à saída de Lisboa nos deixavam embarcar armados…e se fossemos armados até aos dentes íamos mesmo admiti-lo no formulário... Chegámos a Cancun cerca das 24h de Portugal. Fomos informados pelo comandante que eram GMT -6h no México, informação essa que estava errada… mas isso ainda nós não sabíamos.




Estes 4 hotéis estão agrupados dois a dois, estando os 2 primeiros e os 2 últimos agrupados. Nós podíamos usar todos os recursos do nosso grupo e podíamos circular pelos hotéis do outro grupo. No check-in, a tradicional bebida de boas vindas. Seguimos para o quarto com duas outras portuguesas que ficaram no bloco ao lado do nosso. O quarto 1944 era fabuloso, tínhamos uma coração feito com toalhas, obra da nossa camareira, a Ofélia, que regularmente fazia outras habilidades com as toalhas. Enquanto as malas não chegavam, aproveitámos para ver o extenso mapa do nosso grupo de hotéis a fim de decidir onde jantar – uma vez que apenas podíamos escolher entre dois buffets, escolhemos um buffet, imagine-se...

Depois do jantar fomos fazer um passeio de reconhecimento aos hotéis, fomos ver o mar, as várias piscinas e após várias tentativas de encontrar o quarto, encontrámo-lo, fizemos amor e fomos dormir. As camas eram separadas, mas nós conseguimos aninhar-nos numa e dormir confortavelmente.



Dia 2 - 29-03-2005 - Hotel Iberostar Paraiso Beach

Acordámos às 07:00h da manhã, pelo menos pelos nossos cálculos…, fomos tomar o pequeno-almoço ao buffet, e dirigimo-nos à pressa para o lobby do hotel, a fim de comprarmos algumas das excursões que pretendíamos fazer. No balcão da Lomo Travel, enquanto estávamos a pedir informação à Isabel, passou um representante da Iberojet que nos disse para não comprarmos nada ali que mais tarde viria a representante da nossa agência para nos informar das excursões.





Dissemos-lhe que apenas estávamos a ver, e continuamos a conversar com a Isabel. Ela disse-nos que poderia ficar com problemas se nos vendesse as excursões, mas isso não a impediu de chegar a vias de facto. Comprámos 3 excursões pela Lomo Travel – Chichén Itza, Xel-Ha e, como bónus, ofereceram-nos uma manhã de snorkeling nos recifes de coral.

Após as compras, fomos ao quarto guardar os bilhetes e partimos para a piscina, enorme e apetitosa. Tomámos uma bebida e como já eram quase 11:30, lá nos dirigimos contra vontade para o lobby do hotel, onde nos esperava a Vanessa, da Iberojet. No lobby, procurámos por toda a parte e não víamos ninguém, nem a Vanessa nem as portuguesas que tinham vindo connosco. Já passava um pouco da hora combinada, mas não era caso para já se terem ido embora sem falar connosco. Estranho… fomos perguntar as horas à recepção e verificámos que ainda nem eram 11:00h, ou seja ao contrário do que nos tinha sido dito, no México eram 7 horas menos que em Portugal. Esta diferença deve-se ao facto de em Portugal já ter entrado o horário de verão e no México esse apenas entrar no Sábado seguinte.



Pouco de pois das 11:30h reais, chegam as portuguesas e em seguida a Vanessa, que confirma os nossos bilhetes, passaportes e nos tenta vender algumas excursões… as portuguesas já tinham programa comprado, não estavam interessadas em nada, e nós já tínhamos comprado… apenas nos conseguiu vender a excursão a Xcaret com a possibilidade de nadar com os golfinhos. Dissemos-lhe que apenas estávamos ali para descansar, não gostávamos muito dessas coisas culturais… Quando finalmente nos vimos livres da Vanessa, almoço, praia (não era grande coisa, tinha pouca profundidade, algumas ondas e estava cheia de gente) e piscina, piscina e mais piscina!

Este dia podia ser resumido a... PISCINA.




Depois da piscina, banho, jantar, uma outra volta de reconhecimento pelo hotel e cama. O próximo dia seria em grande.

Por onde quer que andássemos, encontrávamos constantemente as duas portuguesas. Isto verificou-se ao longo de toda a viagem. Eu não acredito em bruxas, mas lá que elas existem, existem!



Dia 3 - 30-03-2005 - Chichén Itza

Acordámos cedo, devidamente preparados para a excursão a Chichén Itza. Este foi o ponto mais alto da nossa viagem. Ainda não sabíamos, mas estávamos prestes a subir ao topo de um monumento que seria, anos mais tarde, considerado uma das 7 novas maravilhas do mundo. Actualmente (2009) já não é permitido subir à pirâmide de Chichén Itza, o que torna a experiência muito menos marcante, mas aumenta bastante a segurança dos visitantes e contribui para a preservação do monumento



As portuguesas (mãe e filha) iam num cruzeiro de 3 dias pelo golfo do México, o que queria dizer que íamos passar 3 dias sem ouvir falar a nossa língua materna. Não me levem a mal (elas até eram bem simpáticas), mas quando se sai do país é para descansar de todos os aspectos do mesmo, incluindo a língua. Lamentavelmente nunca fomos para nenhum país sem portugueses. Somos como o vírus da gripe, estamos em todo o lado.

O tour partiu pontualmente às 07:00h. Ainda fomos recolher alguns turistas a outros resorts e rumámos a Valladolid, uma pequena cidade colonial, com alguns edifícios bonitos. Para construir estes mesmos edifícios foram usadas pedras retiradas das pirâmides Maias tais como as de Chichém Itza. O autocarro nem parou em Valladolid. No México, os dois "LL" são pronunciados como "J" ou seja, "Valladolid" pronuncia-se "Vajadolid". Em Cuba, assim como em Espanha, os 2 "LL" são pronunciados como "LH", dizendo-se Valhadolid.




Durante a viagem, o nosso guia apresentou-se e apressou-se a colocar-nos um autocolante no peito com o seu nome (Victor Palacios). Obrigado pela humilhação, americanos burros.

Passada cerca de 1h parámos num mercado artesanal para podermos ir ao WC e para nos impingirem alguns artefactos. No autocarro tinham-nos proposto uma pulseira (em prata ou ouro) com o nosso nome gravado em caracteres Maias. É claro que o Amílcar se opôs, mas eu comprei na mesma uma pulseira de prata. Homens...




Dirigimo-nos, em seguida para o Cenote Ik kil. Os cenotes são grutas na rocha calcária - que constitui a maior parte do solo da Península do Yucatán - que têm poços de água doce alimentados por rios subterrâneos e que antigamente abasteciam as populações locais. Este é um autêntico poço pois, ao contrário de outros onde a parte superior da gruta ainda se mantém na totalidade ou em parte, o seu topo está completamente a descoberto no meio de um jardim tropical. Aqui tivemos a possibilidade de dar um mergulho, mas como o Amílcar tem horror a água fria, não aproveitámos. Tiraram-nos uma fotografia que mais tarde nos venderam na forma de uma garrafa de tequilla.




Daqui seguimos para o restaurante. O almoço estava incluído, mas as bebidas eram pagas à parte. Prática comum neste tipo de viagens. A comida era decente sem ser nada de especial. Como termo de comparação, a comida do nosso hotel (mesmo as dos buffets) era bem melhor. Arrisco, inclusive a dizer que foi o sítio / país onde comemos melhor de todos os que já fomos até hoje. Incluídas estavam também danças e variedades.

Depois de almoço, finalmente, chegámos a Chichén Itza. Imediatamente antes da sair do autocarro colocaram-nos mais uma pulseira que serve se bilhete de entrada. Parecíamos uma caderneta de cromos. A pulseira do hotel, a de Chichén Itza e o autocolante com o nome do guia (aposto que já se tinham esquecido deste).



À entrada vimos que quem quisesse fazer filmagens no interior do parque teria que pagar $5. Quem, no seu juízo perfeito, quereria pagar para filmar objectos estáticos? Como descobrimos mais tarde, muita gente... Se não têm água, é melhor comprar aqui pois dentro do parque só é possível comprar na zona do Cenote Sagrado.




Iniciámos a visita guiada com cerca de 60 minutos que começou no Gran Juego de Pelota, onde os Maias jogavam com uma bola de látex num jogo com semelhanças com o futebol. O objectivo era fazer passar a bola por uma das argolas que se encontravam nas paredes laterais. Não se podia usar as mãos ou os pés, apenas se podiam usar as ancas e os cotovelos. Crê-se que a equipa que ganhava era sacrificada como oferenda para os Deuses no Cenote Sagrado. Há quem acredite que era a equipa que perdia que era sacrificada, mas sabendo que todos os sacrifícios humanos eram uma oferta para os Deuses, percebe-se que lhes queriam oferecer o melhor que tinham e não o pior. Eu faria tudo para perder...




Seguimos para o Cenote Sagrado onde se deitavam os corpos das pessoas sacrificadas. Pelo caminho fomos parando para falar de ruínas que íamos encontrando, de inscrições nas paredes que descrevem a forma como os Maias viviam e a sua aparência física. Este centote já foi alvo de diversas expedições de mergulho, tendo sido encontrados diversos artefactos em ouro e jade. Foram também encontrados ossos pertencentes a crianças, mulheres homens e até idosos.

Após a visita ao cenote, dirigimo-nos para a grande pirâmide de Kukulcán, também conhecida como "El Castilho". Antes de falar da pirâmide, o nosso guia explicou-nos um pouco da numeração Maia (que já incluía o número zero), e do seu calendário. A Pirâmide representa o calendário Maia talhado na pedra. Cada um dos seus 9 terraços está dividido em 2 por uma escadaria, o que representa os seus 18 meses de 20 dias do ano Maia. As 4 escadarias têm 91 degraus cada, ao adicionarmos o topo da plataforma ficamos com os 365 dias do ano. Durante o equinócio de Outono e da Primavera, na face Norte, a luz e as sombras formam triângulos que imitam as ondulações que uma cobra faz ao deslocar-se. Note-se as cabeças da cobra esculpidas na base da escadaria. A Cobra sobe em Março e desce em Setembro. São dias de extrema afluência de turistas.




A visita guiada termina na pirâmide de Kukulcán, ainda nos resta cerca de uma hora e meia para explorarmos as ruínas por nossa conta e, claro, subirmos à pirâmide. Nós, como verdadeiros cagarolas, subimos os degraus de gatas e descemos sentados nos degraus. Humilhante, mas seguro. É conveniente levar um guia com mapa do parque e com informações acerca das estruturas que se encontram no parque (junto dos edifícios não há informações escritas). Recomendo o Lonely Planet que até agora nunca me deixou ficar mal.




Após a visita ao parque está na hora de voltar ao autocarro e recolher ao hotel. jantámos no buffet, vimos um espectáculo, fizemos amor até à exaustão e fomos dormir porque o dia seguinte também seria um grande dia.


Dia 4 - 31-03-2005 - Xel-Ha

O nosso dia começou com uma viagem de autocarro com o nosso guia Martín a explicar-nos as regras do jogo. Percebemos que apesar do nosso bilhete ser tudo incluído, havia muita coisa que não estava incluída. Não tínhamos nenhumas actividades incluídas nem tínhamos o protector solar incluído. O quê? Protector solar? Sim, só se pode usar protector solar biodegradável no parque e, uma vez que o nosso protector soar não era biodegradável, optámos por não por nada. Erro grave como viria a descobrir horas mais tarde. Apanhámos o maior escaldão de sempre. Ainda por cima para nada, pois como descobrimos alguns anos mais tarde quando visitámos as Galápagos, ninguém nos impôs restrições ao protector solar. Tudo o resto foi altamente controlado e nem sequer podíamos tocar nas rochas.




Xel-Ha é um parque natural onde as águas doces (e frias) de rios subterrâneos se juntam com as águas salgadas do mar. Algumas pessoas descrevem-no como um aquário natural, quem sou eu para as contradizer? Aqui podem fazer-se diversas actividades, tais como nadar com os golfinhos, seatrek (caminhar a passo no fundo da baía com um capacete em forma de bolha), tour de snorkeling, etc.

Nós decidimos que queríamos fazer o seatrek e o tour de snorkeling pois nunca tínhamos feito snorkeling. O seatrek não foi possível pois havia muita areia em suspensão o que prejudicava a visibilidade. Conseguimos, no entanto, fazer o tour de snorkel que foi bastante educativo. Ensinaram-nos a escolher o equipamento, a colocá-lo e como manter a máscara sem embaciar (basta cuspir para o vidro, esfregar e passar ligeiramente por água no final. Resulta mesmo). O equipamento que nos deram era novo e estava incluído no preço do tour, pelo que já o usámos quando fomos para as Maldivas e para as Galápagos.



O tour, em si, não foi nada de especial, mas ensinou-nos a usar o equipamento e deu-nos ideias para zonas que queríamos ver em seguida. Após o fim do tour, fizemos um pouco mais de snorkeling e fomos almoçar. Foi aqui que nos apercebemos do estado das nossas costas. Ainda antes de almoço lá fomos pôr protector solar (factor 60 que tínhamos levado connosco), mas já era tarde. O almoço não se destacou nem pela positiva nem pela negativa.

Após o almoço, passeámos pelo parque, vimos alguma da fauna e flora autóctone e voltámos à nossa actividade favorita. Snorkeling com milhares de peixes de todos os tamanhos e cores. O ponto alto foi quando alguém deitou comida perto da zona onde nos encontrávamos e os peixes (alguns bem grandes) ficaram frenéticos em busca da comida e passavam por nós a alta velocidade.



Ao final do dia voltámos para o hotel, para mais um jantar de buffet e sexo antes de deitar.



Dia 5 - 01-04-2005 - Xcaret

Dia das mentiras, dia de aniversário do nosso namoro (5 anos!) e dia da minha prenda de aniversário. Um sonho de há muito tempo: nadar com os golfinhos. Isto promete.




A viagem iniciou-se num dos autocarros do parque, devidamente decorado com as cores de Xcaret. Durante a viagem, mais uma vez, explicaram-nos as regras de funcionamento. Em Xcaret podem-se fazer as mesmas actividades que em Xel-Ha e muitas mais. Xcaret é um parque artificial, algo semelhante ao nosso Zoomarine, mas muito maior e megalómano. Existem espaços com pumas e jaguares, morcegos, borboletas, etc. Desta vez não iríamos comprar tours nem actividades. Já tínhamos os golfinhos e não necessitava-mos de mais nada.

À chegada localizámos o Delfinário no mapa e dirigimo-nos para lá sem pressas mas sem desvios, ainda a passear os escaldões do dia anterior. Parámos para observar as espécies animais que íamos encontrando pelo caminho, mas apenas relaxámos quando encontrámos o Delfinário e de lá não saímos até termos nadado com os golfinhos.



A experiência foi óptima, mas poderia ter durado muito mais. Começou com um vídeo de apresentação, em seguida vestimos os coletes salva-vidas e dirigimo-nos para a piscina de água salgada que mais não era que uma zona da baía vedada com redes para que os golfinhos não saiam em liberdade. Os tratadores mostraram-nos algumas partes da anatomia dos golfinhos e fizemos algumas actividades com eles. A pele dos golfinhos, apesar de macia, faz lembrar lona molhada e muito esticada. Ao todo passámos cerca de 20 minutos com os golfinhos, o que foi pouco para o preço mas, sem dúvida que valeu a pena. Apesar dos preços altos, comprei todas as fotografias e vídeos que nos quiseram vender apesar dos gritos de protesto do Amílcar que já tinha tirado fotos com a sua máquina aquática.

Seguidamente tomámos um banho na praia e fomos ver algumas das atracções deste enorme parque. O almoço foi num restaurante perto da zona dos Jaguares e Pumas. A julgar pelo aspecto balofo dos animais, devem ser alimentados a chili com carne em doses industriais. A comida era bastante boa.



Após o almoço, terminámos a visita às restantes atracções do parque (vimos ao vivo a planta do algodão e a sua colheita), visitámos o aquário, assistimos à alimentação das tartarugas e seguimos na direcção do local do espectáculo nocturno. O espectáculo era demasiado longo e algo secante. Teve apenas uma coisa muito interessante que foi uma demonstração do jogo da pelota. Por aqui deu para perceber como é que se jogava o jogo e como era difícil fazer passar a bola por dentro dos anéis na parede. Só lamento que não tenham sacrificado a equipa vencedora aos Deuses.

Terminado o espectáculo, regressámos ao hotel para mais um jantar no buffet. Ah ah, desta vez enganei-vos. Tínhamos marcação no restaurante mexicano (um dos 8 restaurantes do nosso resort). Após a refeição de comida picante e afrodisíaca imaginem o sexo...

Em jeito de conclusão, comparando os dois parques (Xel-Ha e Xcaret), concluo sem sombra de dúvida que Xel-Ha é o melhor, pois apesar de ter menos actividades é o que proporciona maior diversão. Se o vosso orçamento apenas chegar para um destes parques escolham Xel-Ha e não ficarão desapontados.





Dia 6 - 02-04-2005 - Recifes de coral

Este é o nosso último tour no México, àquela que é a 2ª maior barreira de coral do mundo, apenas batida pela grande barreira de coral da Austrália. Foram buscar-nos ao hotel numa minivan e seguimos cerca de 15 km até ao local onde nos esperava o catamaran que nos levou até a barreira de coral.




Durante a viagem de cerca de 10 minutos, distribuíram o equipamento de snorkel e um actor vestido de pirata tirou fotografias com os turistas para vender mais tarde. O tour durou cerca de 1 hora e permitiu-nos observar ouriços-do-mar, raias, lagostas e polvos entre os habituais peixes coloridos característicos dos recifes. Foi aqui que consegui alguns resultados decentes com a minha Canon S50 e o saco da Ewa Marine. Na viagem de regresso, o motor do nosso barco avariou e tiveram que rebocar-nos.

Ainda nos mantiveram cerca de uma hora nas instalações para que pudéssemos fazer compras, levando-nos em seguida para o hotel para o almoço. A partir daqui iríamos começar a aproveitar as fantásticas instalações do nosso hotel. Os snacks começaram a ser regados com espumante, experimentámos a piscina com ondas artificiais e provámos tudo aquilo que o nosso regime de tudo incluído nos permitiu.

O Papa João Paulo II morre neste dia.





O dia terminou com um jantar no... adivinharam... buffet e com um Cohiba Explendido para o Amílcar. Ah, já me esquecia... e sexo, muito sexo.





Dia 7 - 03-04-2005 - Resort

Sabem o que dizem os trabalhadores das cerâmicas nas Caldas da Rainha todos os dias úteis, às 18:00h? - Não faço nem mais um caralho! Foi isso mesmo que nós dissemos no inicio desde dia. Passámos o dia de piscina em piscina, de cocktail em cocktail e de flute de espumante em flute de espumante.





O Amílcar fartou-se de fotografar carros que não existem na Europa ou que têm outro nome ou marca como é o caso do Chevrolet Corsa. Vimos gamos e cisnes maus como cobras. Ao final da tarde anda tivemos tempo para um mini curso de mergulho em que um instrutor nos explicou, em 15 minutos, como se usa o equipamento e fomos dar uma volta à piscina. O objectivo desta demonstração gratuita era convencer-nos a inscrever no curso de mergulho o que, no nosso caso, era impossível uma vez que iríamos fazer check-out no dia seguinte.




Desta vez jantámos no restaurante japonês. As portuguesas que já tinham chegado do seu cruzeiro ficaram na mesma mesa. Isto será coincidência?

Depois do jantar oriental aproveitámos para comprar algum artesanato local para oferecer aos nossos entes queridos e a nós próprios. A destacar um artista que pintava azulejos com os dedos...




E outro que pintava quadros a spray. Ambos faziam o seu trabalho à vista de todos, quase como espetáculo.




O Amílcar fumou mais um Cohiba e não comprou nada. Por fim regressámos ao quarto para uma noite de sexo e sono.



Dia 8 - 04-04-2005 - Regresso a Lisboa


Tomámos o pequeno-almoço, demos o último passeio pelos jardins do resort, bebemos as últimas flutes de espumante e lá vamos nós saudosos em direcção ao aeroporto e a Portugal. Poderia dizer que já estava farta de férias e com saudades de Portugal, mas estaria a mentir.

A viagem decorreu sem grandes sobressaltos se excluirmos o facto do voo ter partido atrasado, de não haverem mantas a bordo nem terem passado nenhum filme. Será que existe alguma companhia charter que seja decente?



Para concluir posso dizer que o México é um país lindíssimo mas pouco seguro. É um país onde gostaria de regressar. As pessoas são extremamente simpáticas. O tempo no México anda ao mesmo ritmo do tempo em Cuba, tudo se passa muito lentamente. Os guias têm placas a dizer que apreciam uma gorjeta, mas não pedem nada ao contrário dos guias em Cuba que exigem a sua gorjeta. Não visitámos a Cidade do México porque tivemos medo da falta de segurança. Quanto mais lia sobre a Cidade do México mais vontade tinha de a visitar mas, ao mesmo tempo, mais medo tinha de a visitar.





The End

E lembrem-se, não se deixem apanhar.



Artigo da responsabilidade de Vaselina.