quarta-feira, 25 de março de 2015

Review - Weihrauch HW 35



Filosofia de Uso
    - Tiro recreativo
    - Treino
    - Competição

Calibre - 4,5 mm / .177







Dimensões e peso
    - Comprimento Total -  111 cm
    - Comprimento Cano -   18,5’’
    - Peso - 3,8 kg

Gatilho
    - 2 tempos
- Muito leve e preciso.
    - Muito sensível
    - Ajustável
- 5, numa escala de 1 a 5






Miras
- Excelentes. Personalizáveis à medida de cada atirador.
- A arma vem com 6 massas de mira diferentes e 4 alças de mira.
- Não são necessárias ferramentas para ajustar a altura e a deriva.
- 5, numa escala de 1 a 5

Qualidade de construção - 5, numa escala de 1 a 5

Ergonomia - 4, numa escala de 1 a 5

Facilidade de utilização
    - Necessário destrancar o cano para bascular
    - Segurança ativada automaticamente quando se bascula o cano.
    - 3, numa escala de 1 a 5

Durabilidade - 5, numa escala de 1 a 5

Valor - 4, numa escala de 1 a 5
   
Design  - 4, numa escala de 1 a 5

Energia
    - Velocidade média com cumbos Gamo Match, 170,8 m/s.
- 6,9 J. Média de 50 tiros com vários chumbos.
- 2, numa escala de 1 a 5

Classificação final - 4, numa escala de 1 a 5





Sejam bem vindos à minha review da Weihrauch HW 35 Standard. Esta arma pode ser adquirida em Portugal de forma livre por maiores de 18 anos. É uma carabina de ar comprimido destinada ao treino, ao tiro de competição e à iniciação ao tiro com carabina.

A principal preocupação de quem manuseia armas deve ser a segurança, portanto, vamos certificar-nos que a arma se encontra em segurança. Vamos bascular o cano, verificar que não se encontra nenhum chumbo na câmara e que o sistema de disparo  não se encontra armado.

Agora que já sabemos que a arma se encontra em segurança, vamos falar um pouco mais das suas caracteristicas:






A Weihrauch HW 35 é uma carabina ar comprimido, de cano basculante, de calibre .177, ou 4,5 mm. Esta arma pesa 3,8 kg, mede 111 cm de comprimento total e tem um cano de 18,5 polegadas. Esta arma dá a sensação de ser mais leve do que na realidade é. Parece mais leve que a Slavia 631, sendo no entanto 700 g mais pesada. O facto de ser muito equilibrada e de ser mais curta que a Slavia ajudam a disfarçar o peso extra.

As miras são absolutamente fantásticas! A arma vem com 6 massas de mira e 4 alças de mira com formatos e tamanhos diferentes, para que cada atirador possa personalizar a sua arma exatamente ao seu gosto. As miras da frente vêm num saco de papel e é muito fácil perdê-las. A mira de trás é uma única peça quadrada, em que cada um dos lados do quadrado tem uma alça com formato e abertura diferente. Classifico-as com 5 numa escala de 1 a 5.






A conselho de outro atirador, alterei a mira da frente para a que tem o formato retangular mais fino. Alterei também a mira traseira para  a que tem o formato de U, mais largo. Estas alterações melhoram bastante a imagem das miras, facilitando bastante a focagem na mira da frente, o que se traduziu em melhores resultados no alvo.


Miras.jpg


O gatilho, de 2 tempos, com o sistema “Rekord”, está também muito próximo da perfeição. É facilmente ajustável através de um parafuso. Não é necessário desmontar a arma para fazer o ajuste. Basta usar uma chave de fendas suficientemente fina para caber no orifício do guarda-mato. A afinação de fábrica é suficiente para uma utilização de recreio ou para ensinar um atirador inexperiente, mas é demasiado pesada para competição. Classifico-o com 5 numa escala de 1 a 5.

Em relação à ergonomia classifico-a com 3 numa escala de 1 a 5. Acho que, neste capítulo é muito inferior à Slavia. O fuste da Slavia é direito na base o que ajuda a empunhar a arma de forma mais consistente enquanto que o da HW 35 é arredondado. A empunhadura da Slavia também é mais direita que a da HW 35, mais parecida com a de uma pistola. A patilha que destranca o cano situada do lado esquerdo da câmara é difícil de usar com a mão esquerda e impossível de usar com a mão direita. Também aqui a Slavia ganha à Weihrauch ao ter esta patilha colocada por baixo do cano, o que a torna completamente ambidextra. Também não gosto do  sítio onde está colocada a segurança manual nem do facto de uma vez desativada a segurança, não ser possível voltar a ativá-la sem bascular novamente o cano. Pessoalmente, preferia que a segurança não se ativasse automaticamente sempre que se bascula o cano para armar o mecanismo. Importa referir que já perdi vários tiros porque me esqueci de desativar a segurança.





Quanto à precisão, só tenho coisas positivas a dizer. O gatilho e as miras são os principais responsáveis pelos excelentes resultados que se conseguem obter. Dito isto tenho que admitir que consigo fazer alvos tão bons com a Slavia 631 que custa cerca de metade do preço. O gatilho da Slavia é claramente inferior, mas o menor peso e a melhor ergonomia compensam este defeito. Nas duas provas da FPT em que participei com a Slavia consegui 266 (2º lugar) e 264 (3º lugar) pontos enquanto que nas duas em que participei com a Weihrauch consegui 261 (2º lugar) e 267 (2º lugar) pontos.

O design, é muito apelativo esteticamente. A única critica que quero fazer é ao recorte que existe na parte esquerda do fuste para acomodar a partilha que destranca o cano. Acho que deveria ser revisto para tornar a arma mais ambidextra. Merece um 4 numa escala de 1 a 5.





Esta arma não tem quaisquer mecanismos de redução de ruido mas, como é pouco potente, também é relativamente silenciosa, mesmo em interiores, sendo, no entanto, mais ruidosa que a Slavia 631.

Em relação à velocidade dos disparos, os 170 m/s medidos com chumbos Gamo Match, aproximam-se bastante do que a marca anuncia. No site da marca, está anunciada a velocidade de 230 m/s, mas este valor é apenas para a versão FAC desta arma. A minha HW 35 tem um F dentro de um pentágono que indica que produz, no máximo, 7,5 J de energia. A versão standard da HW 35 produz, em média 6,9 J de energia. Os valores de velocidade e energia da tabela seguinte, correspondem à média de 5 tiros para cada um dos chumbos.


Arma
Munição
Peso (gr)
Velocidade (m/s)
Energia (J)
Weihrauch HW35
Gamo Hunter / Bulldog
7,56
164,7
6,7
Weihrauch HW35
Gamo Magnum
7,87
153,2
6,0
Weihrauch HW35
Gamo Match
7,71
170,8
7,3
Weihrauch HW35
Gamo Pro Magnum
7,80
158,2
6,3
Weihrauch HW35
H&N Finale Match Pistol
7,56
178,4
7,8
Weihrauch HW35
JSB Match Light Weight
7,33
189,4
8,5
Weihrauch HW35
JSB Match Middle Weight
8,02
178,2
8,3
Weihrauch HW35
RWS Club
7,00
171,7
6,7
Weihrauch HW35
RWS R10
8,20
145,6
5,6
Weihrauch HW35
RWS Superpoint Extra
8,20
151,6
6,1

Classificação final, 4 numa escala de 1 a 5. Esta “baixa” classificação deve-se ao preço extremamente elevado da HW 35. Por este preço, não esperava menos que perfeição. Não posso admitir  o posicionamento pouco ergonómico da patilha que destranca o cano e muito menos o facto de não se conseguir voltar a ativar.




Ao contrário do que dizem muitos pseudo-entendidos, não se distingue da concorrência pela sua performance superior. Os resultados que consigo obter com esta arma são, em tudo, semelhantes aos que obtenho com a Slavia. Onde esta arma se distingue da Slavia é na qualidade de construção e na perfeição dos acabamentos. A coronha, em madeira de nogueira é tão suave ao toque como a pele de um bebé e as superfícies metálicas perfeitamente polidas, com um acabamento brilhante que fazem corar de vergonha a Slavia e muitas outras armas de qualidade. Desde o primeiro instante, quando a tirei da embalagem pela primeira vez, que esta arma transmitiu uma sensação de qualidade inigualada por qualquer outra arma que alguma vez tenha experimentado. Esta foi também a única carabina de pressão de ar que não veio de fábrica com excesso de óleo no mecanismo de disparo provocando o fenómeno do dieseling nos primeiros disparos.


Esta Weihrauch HW 35, é a arma ideal para quem não se importa de pagar mais por uma arma de qualidade superior com um gatilho excecional e a possibilidade de fazer inúmeras combinações com as miras. Quem tem pouco dinheiro para gastar e não liga a mariquices, fica muito melhor servido com a Slavia 631, conseguindo resultados muito semelhantes.






Apesar da elevada qualidade de construção e montagem, tenho que assinalar uma falha gravíssima, na minha opinião, que se prende com o facto de quase ter perdido o conjunto do túnel e da massa de mira enquanto disparava. Este conjunto está montado em carris, no cano e é fixado com um único parafuso. Acho inadmissível que a Weihrauch não tenha sequer colocado uma gota de cola para parafusos no parafuso que segura a mira. Vou ter que a comparar, novamente, com a Slavia 631, que também tem a mira da frente montada em carris no cano, fixada por 2 parafusos e que nunca se moveu 1 mm da sua posição. A Weihrauch tinha 280 tiros disparados quando isto aconteceu, enquanto que a Slavia fez 1060 tiros nas minhas mãos sem quaisquer problemas.

Para não terminar em nota negativa, assinalo o facto de ter entrado em contacto com o suporte da Weihrauch por causa da velocidade anunciada no site ser diferente da que consegui obter nos meus testes e, o meu mail foi respondido pelo Sr. Hans-Hermann Weihrauch, o próprio CEO da marca e neto do criador. Só isto já justifica uns quantos Euros do valor que paguei por esta arma. Apesar da velocidade estar anunciada no site do fabricante como 230 m/s, este valor estava anunciado como 170 m/s no site onde comprei esta HW 35.







Atualização 21-06-2015

A minha HW 35 tem, neste momento, 1010 tiros disparados. Este número é importante apenas porque assinala a altura em que lhe fiz algumas modificações sugeridas por um atirador no Jamor. Estas alterações transformaram uma arma de alta qualidade, muito precisa, numa máquina de competição, capaz de vencer todas as provas em que participa. Importa referir que estas alterações não tornam a arma mais precisa, apenas facilitam, e muito, a obtenção de bons resultados. a partir de agora não há desculpas para conseguir bons resultados nas provas. Eis as alterações efetuadas por ordem de importância:

1- Substituição da chapa de couce de origem por uma ajustável em altura. Isto permite elevar a altura da arma em relação ao ombro, permitindo um alinhamento de miras mais fácil e uma posição de disparo mais natural. Antes de colocar esta chapa de couce ajustável, disparava com a arma à mesma altura que disparo agora apoiando apenas uma pequena parte da chapa de couce no ombro. Esta posição era bastante instável tornando algo difícil a obtenção de bons resultados no alvo. Agora que já não tenho que lutar contra a minha própria posição de disparo consigo bons resultados com muito mais facilidade. Esta foi a alteração mais importante que fiz à minha HW 35.



2- Remoção da segurança manual. Esta operação tem 2 objetivos. O primeiro e mais obvio é o de facilitar a operação da arma. Por diversas vezes perdi tiros por me esquecer de desativar a segurança. O outro objetivo está relacionado com a alteração seguinte, que consiste em retirar o primeiro tempo do gatilho (folga). Se abusarmos deste ajuste podemos fazer com que a arma se dispare ao desativar a segurança manual causando disparos acidentais ou negligentes. Se não tivermos a segurança manual, conseguimos perceber imediatamente que algo está errado porque o mecanismo de disparo não tranca na posição de armado. É estranho, mas a verdade é que removendo a segurança manual se torna a arma mais segura.
Para remover a segurança manual temos que desmontar a arma, separando o mecanismo de disparo da coronha de madeira. Na parte traseira do mecanismo de disparo estão 2 pinos. Deve-se remover o pino que está mais próximo da traseira e que segura a parte de trás do gatilho. Se a arma estiver de lado com a parte vermelha da segurança manual virada para cima, esta deve cair imediatamente após a remoção do pino, juntamente com a respetiva mola. Caso não caia, pode-se bascular ligeiramente o grupo do gatilho para que se solte mas facilmente. No interior do grupo do gatilho está uma porca que irá segurar o parafuso traseiro do guarda-mato. Esta porca solta-se com facilidade e é importante ter cuidado para que não saia do lugar nem se perca. Depois de retirar a segurança manual e a respetiva mola, é necessário colocar o grupo do gatilho na posição original e repor o pino que o fixa.

3- Remoção do primeiro tempo do gatilho (folga). Se removermos completamente a folga do gatilho ficamos com um gatilho de um único tempo. Podemos ainda ajustar o peso do gatilho de forma a que fique suficientemente leve para a competição sem ficar inseguro e provocar disparos acidentais. O meu gatilho não tem folga nenhuma e dispara ao tocar-lhe ligeiramente com o dedo, sem fazer qualquer força. Esta afinação do gatilho apenas deve ser usada em competição e por atiradores muito experientes e disciplinados. Este gatilho, extremamente sensível, é muito perigoso nas mãos de um atirador inexperiente.
Para ajustar o peso do gatilho, deve-se alargar (rodar no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio) o parafuso grande que se encontra atrás do gatilho. Isto pode ser feito sem desmontar a arma.
Para tirar a folga do gatilho, é necessário remover o guarda-mato e apertar (rodar no sentido dos ponteiros do relógio) o pequeno parafuso preto (torx) que se encontra à frente do gatilho. Com o mecanismo de disparo desarmado fica-se com a sensação que não está a acontecer nada, mas se forem efetuados disparos de teste percebe-se a diferença. No meu caso dei cerca de 3 voltas completas ao parafuso.








Estas 3 simples alterações transformam uma excelente carabina de ar comprimido numa arma de competição com poucos rivais à altura. Depois de modificada a HW 35 deixa a minha adorada Slavia 631 a léguas de distância. Agora sim, percebo porque é que 80% dos atiradores de competição escolhe esta arma.

Volto a referir que a alteração efetuada ao gatilho é extremamente perigosa se a arma for usada por atiradores inexperientes ou pouco disciplinados. O gatilho da Weihrauch HW 35 afinado de fábrica é muito bom e é adequado para uma utilização de recreio. Se a arma não for usada para competição, não há razão nenhuma para fazer as modificações que referi acima. Não recomendo estas alterações a ninguém.




Atualização 20-05-2016

Depois de 2000 tiros disparados achei que estava na hora de fazer a primeira revisão. Infelizmente sou um verdadeiro desastre a trabalhar com as mãos. É como se tivesse nascido com 2 mãos esquerdas, mas pior. Por causa desta limitação tive que abusar da boa vontade do Bullit, do blog Balázios de Ar Comprimido e pedir-lhe que fizesse a revisão da minha HW 35.

Partilho aqui algumas das fotos que ele tirou durante a operação, mostrando o antes e o depois. O "relatório final" refere que a minha HW 35 estava em bom estado geral, tendo apenas o pistão muito sujo e a mola um pouco empenada numa das extremidades. Depois da revisão achei que passou a vibrar menos e a fazer um som mais preciso ao armar o mecanismo de disparo. Não notei benefícios ou prejuízos ao nível da precisão.





Por falar em precisão. Está na hora de admitir que não consigo agrupar com esta arma na posição de Bench Rest. Disparando de pé ou apoiado no joelho consigo grupos decentes. Em BR, consigo colocar alguns impactos no local pretendido, mas, saem-me bastantes tiros muito abaixo do ponto onde tenho a mira. A diferença é sempre em altura, e para baixo, nunca em deriva. É importante deixar bem claro que não se trata de um problema com a arma pois esta agrupa bem com outros atiradores. Deixo aqui um alvo que o Bullit fez a 15 para perceberem do que é capaz.



Até ao momento ainda não consegui diagnosticar o que estou a fazer errado. Consigo agrupar com outras armas de mola a distâncias semelhantes e superiores. Já tentei variadíssimas posições e técnicas com a HW 35, sem notar melhorias. Até já experimentei diferentes sacos de apoio, sempre com maus resultados. Aproveito este espaço para pedir ajuda e conselhos aos eventuais peritos que leiam este artigo.

Exemplo de um dos meus alvos a 8,5 m em BR:





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E lembrem-se, não se deixem apanhar!