domingo, 1 de janeiro de 2012

Fotografia em Viagem


Este artigo combina algumas das minhas grandes paixões, viajar, a fotografia e alguns conceitos aplicados na informática. Se tiverem paciência para ler tudo poderão achar algumas coisas demasiado exageradas ou até mesmos paranóicas, mas se estou num sítio onde provavelmente nunca mais voltarei, não olho a meios para conseguir tirar e trazer para casa as fotografias da minha viagem.

Antes de avançar mais, quero deixar bem claro que o principal objectivo numa viagem é inspirar a cultura local, conhecer os locais e as pessoas, saborear a comida e, principalmente, divertir-me. A fotografia é secundária a todas estas actividades e deve permanecer sempre secundária. É muito triste apenas reparar em alguns pormenores quando já estou em casa a tratar as fotografias no Photoshop quando, no local não me apercebi deles (sim, já me aconteceu).

Encaro a fotografia em viagem como a principal forma de recordação da viagem (habitualmente não compro bugigangas para decorar a casa nem coisas parecidas) e, tal como já disse antes, não olho a meios para conseguir boas recordações. Vamos começar pela lista do equipamento a levar.





Equipamento a levar

Deves reduzir o equipamento ao mínimo sem que isto comprometa a qualidade das tuas fotos ou a possibilidade de fotografar determinados assuntos. Traduzindo para português a frase anterior, o que quero dizer é que não deves levar demasiado equipamento só porque pode dar jeito para esta ou aquela foto, mas que provavelmente irás acabar por não usar, mas de certeza te vai atrasar e cansar devido ao peso extra.

Como habitualmente viajo com a Vaselina, levamos sempre 3 máquinas fotográficas (uma para cada um de nós e uma de reserva em caso de avaria), cada uma delas com 2 baterias. É importante garantir sempre que a bateria de reserva está sempre completamente carregada. Não há coisa pior do que perder uma foto por não ter bateria na máquina.



A minha máquina principal é a Nikon D300 acompanhada da objectiva Nikon 18-200mm f3,5 - 5,6 VR e do flash Nikon SB-400. Este conjunto permite cobrir a maioria das situações mantendo o peso no mínimo. A objectiva não é muito luminosa, mas está equipada com a tecnologia VR (Vibration Reduction) que compensa este facto. Isto aliada às técnicas para fotografar com baixa luminosidade sem tripé permite bons resultados em condições adversas. Tenho outras lentes mais luminosas e opticamente superiores, mas não as levo devido ao peso e à enorme versatilidade da 18-200. Este tipo de lentes de zoom extremo são as companheiras ideais de qualquer DSLR em viagem e existem de várias marcas e preços para se adequarem às necessidades de qualquer viajante.

Opto pelo flash SB-400 em detrimento do SB-600 que também faz parte do meu equipamento por causa das dimensões e peso reduzidos e porque permite apontar a lâmpada para o tecto, reflectindo a luz e dando um ar muito mais natural às fotografias com flash. Sempre que possível deve-se usar um flash que permita reflectir a luz no tecto. A qualidade das tua fotos vai melhorar de forma substancial.

No dia a dia tenho acoplado o punho MB-D10 que facilita as fotos na vertical, permite fazer 8 fotos por segundo no modo de disparo contínuo e aumenta a capacidade da bateria. Em viagem não o levo por causa do peso. É um bom acessório que facilita bastante, mas não é indispensável.




A máquina secundária é uma Panasonic GF-1 com a lente de 20mm f1,7. Já sei o que estão a pensar... Isto é uma lente sem zoom! É verdade, mas eu já tenho tenho uma lente zoom na Nikon, não preciso de outra aqui para competir, do que preciso é de uma lente que fotografe coisas que a Nikon não fotografa, nomeadamente cenas com muito pouca luz. As dimensões e peso desta lente também a tornam uma companheira ideal para viajar permitindo colocar o conjunto máquina e lente num bolso (grande) de um casaco. É ideal para sair à noite, deixando a Nikon no hotel, mas mantendo a capacidade de fazer fotos com grande qualidade. A GF-1 permite também fazer filmes em formato HD (720p), o que também justifica o seu preço e elimina a necessidade de uma camcorder. Se estás a pensar usá-la principalmente como câmara de filmar, recomendo a aquisição da objectiva Panasonic 14-140mm que é extremamente versátil e optimizada para o vídeo. Esta lente é equivalente à 18-200mm da Nikon e está na minha lista de compras a curto prazo.







Como máquina de reserva temos a Olympus u770 que tem inúmeras virtudes, sendo apenas de lamentar que a qualidade das fotos produzidas não seja uma delas. A u770 é estanque até 10 m de profundidade, é resistente ao choque e a temperaturas extremas. Tem tudo para ser a máquina ideal do viajante, mas produz tão maus resultados fotográficos que apenas deve ser usada em ultimo caso ou em situações onde não se podem usar máquinas convencionais (fotos aquáticas). Caso gostes de máquinas pequenas, bonitas e todo-o-terreno, existem cada vez mais alternativas deste género mas que produzem melhores resultados fotográficos. Procura no Google as últimas novidades. Não vou recomendar nenhum modelo pois não tenho experiência com nada além da u770.





Apesar de achar que é dispensável na maioria das situações ou até prejudicial em alguns casos, acho indispensável levar um tripé. A minha abordagem consiste em levar um tripé de viagem, leve e pequeno, apenas para as situações em que este é absolutamente indispensável. Existe outra abordagem que consiste em levar um tripé topo de gama, muito estável e pesado, mas que tem a vantagem de poder ser usado como arma no caso de as coisas se complicarem.

O saco fotográfico é também uma escolha importante pois este tem a função de proteger o teu equipamento e de permitir o seu transporte de forma confortável. O mínimo que se pode exigir do saco fotográfico é que seja almofadado para proteger o equipamento dos choques. Pessoalmente prefiro mochilas pois deixam os braços libertos para fotografar. Caso estejas disposto a gastar um pouco mais recomendo um saco impermeável para resistir à chuva ou a uma queda no mar ou num lago (apenas por alguns segundos). Desde 2004 que tenho uma Lowe Pro Micro Trekker 100, da qual só tenho coisas positivas para dizer.




Cartões de memória

Se achavam que estava a exagerar com 3 máquinas fotográficas e 6 baterias, agora é que as coisas vão mesmo ficar paranóicas. Cabe ao cartão de memória assegurar que as nossas fotos chegam a casa intactas e prontas para serem importadas para o computador de forma a proporcionarem horas de seca aos amigos que tenham o azar de passar lá por casa nos dias a seguir à viagem.

Há várias pessoas que levam computadores ou discos externos e vão descarregando as fotos do cartão. Pessoalmente não recomendo esta prática a menos que seja para duplicar as fotos. O meio mais seguro para armazenar as fotos é a memória flash dos cartões e não um disco rígido, com partes móveis em que uma pequena pancada ou queda pode originar perda de dados.



Já que os cartões de memória desempenham um papel tão importante na segurança das fotos, devem usar-se apenas cartões da gama profissional. Tenho cartões profissionais em utilização há cerca de 7 anos e nunca perdi uma única foto por culpa do cartão. Recomendo os cartões Sandisk Extreme e Extreme PRO ou os Lexar Professional. Pessoalmente prefiro os Sandisk, mas os Lexar são ligeiramente mais baratos e ate agora não me deram problemas.

Quanto à capacidade dos cartões, acho preferível comprar vários cartões mais pequenos a um muito grande. Para a D300 tenho 3 cartões de 8 GB, um de 4 GB, um de 2 GB e outro de 1 GB. Começo por usar os de menor capacidade e, à medida que os vou enchendo, vou-os colocando em diferentes malas. Isto permite-me que mesmo que me roubem ou perca uma das malas ainda consiga ficar com algumas das fotos.

Apesar de óbvio quero referir que deves fotografar sempre na qualidade máxima que a tua máquina permitir e, como tal, deves levar cartões de memória suficientes para isto. Não deves, em caso algum, baixar a qualidade, lembra-te que são fotos únicas, e que provavelmente te vais arrepender uns anos mais tarde de ter baixado a qualidade para poupar memória.




O que fotografar

Em resumo, TUDO! Evita a todo o custo as fotografias monótonas de edifícios iguais às de todos os outros turistas que visitaram o mesmo sítio. Fotografa não só os locais, como as pessoas. Aproveita para meter conversa com as pessoas na rua enquanto pedes autorização para as fotografar. Não tenhas medo de fazer experiências e, lembra-te, se a experiência correr mal, custa muito menos carregar na tecla Delete do que lamentar não ter tentado fazer a foto.

Se viajas de avião não percas a oportunidade de fotografar imediatamente a seguir à descolagem ou na altura de aterragem. Há alguns anos atrás ninguém proibia a fotografia a bordo, mas ultimamente algumas hospedeiras de certas companhias têm-no proibido. A máquina fotográfica não interfere com nenhum dos equipamentos do avião pelo que não colocas ninguém em perigo. Recomendo que esperes que a tripulação se sente e coloque o cinto antes da descolagem / aterragem para tirar a máquina do saco e começar a disparar.