terça-feira, 30 de março de 2010

Austrália

Factos:

Commonwealth of Australia

Capital: Camberra

Língua Oficial: Inglês

Presidente (2010): Kevin Rudd (1º Ministro)

População: 21,262,641

Moeda: Dollar Australiano

Fuso Horário: UTC +10h.

Electricidade: 220V, 50Hz.









Independência: 01-01-1901

Esperança média de vida: 82 anos

Alfabetização: 99%

Quando ir: Em qualquer altura! O Verão é entre Dezembro e Fevereiro e o Inverno entre Junho e Agosto. O Outono e a Primavera são as estações mais amenas.

Clima: Tropical no Norte, temperado no Sul e Este, árido no global.

Perigos e Chatices: No que diz respeito a crime, a Austrália é um país tão seguro quanto qualquer país europeu. Já no que diz respeito à Natureza, aqui residem alguns dos mais perigosos e mortíferos animais, tais como a Box Jellyfish, varias espécies de aranhas e cobras e os temíveis crocodilos de agua salgada. As probabilidades de ataque de uma destas espécies são tão diminutas que ninguém se deve sentir desencorajado de visitar este fantástico país.





Esta é uma viagem há muito esperada. Já andávamos há vários anos a tentar arranjar coragem (financeira) para fazer esta viagem e finalmente conseguimo-la. Espero que não seja uma decepção pois as expectativas são bastante altas. Como suplemento vamos fazer uma extensão à Nova Zelândia para rentabilizar um pouco mais o investimento.

Os leitores habituais destes relatos de viagem (sei que há pelo menos 2, os meus pais) podem estar a notar que o tempo dos verbos se encontra no presente ou no futuro ao invés do passado. Pois é, desta vez estou a escrever o relato durante a viagem (neste momento estamos no avião para Hong Kong).

Como equipamento fotográfico temos a sempre fiel Nikon D300 com a objectiva 18-200mm da Nikon e o flash SB400 que é a minha máquina principal. A Vaselina vai fotografar com a Panasonic GF-1 com lente de 20mm fixa. Como backup e para as fotos aquáticas temos a Olympus u700 e as suas fotos de má qualidade.

Nesta viagem vamos também usar os iPhones como equipamento fotográfico, não para a fotografia propriamente dita, mas como marcadores geográficos. A técnica consiste em tirar uma fotografia com o iPhone em todos os locais a assinalar para guardar as coordenadas GPS na metadata da imagem. Mais tarde no iPhoto, copiam-se as coordenadas para todas as outra fotos tiradas no mesmo local. Vamos ver se funciona bem.

Aproveito para prestar tributo ao Sony Vaio VPCW21Z1E, o netbook que está a permitir escrever este texto "em tempo real". Como pontos positivos destaco a bateria com duração de 9h e a placa 3G integrada, tudo com um peso de 1,3 KG e um tamanho que o permite guardar na mochila da máquina fotográfica.





Dia - 0 – 30-03-2010 – Lisboa – Londres – Hong Kong

O voo estava marcado para as 14:45h pelo que chegámos ao aeroporto às 12:45h em ponto. No balcão não deu para fazer o check-in para os voos de Londres para Hong Kong nem de Hong Kong para Sydney, mas pelo menos deu para despachar a bagagem (ou pelo menos era o que nós pensávamos).

O voo da TAP sofreu um atraso ligeiro e decorreu sem incidentes dignos de nota, chegando cerca das 18:00h. Em Londres é que as coisas se começaram a complicar... Durante o voo, ao verificar os talões de bagagem, a Vaselina tinha visto que afinal as malas apenas iam até Hong Kong e não Sydney como era suposto. Nota negativa para a menina da TAP em Lisboa.

Para complicar ainda mais ao chegar ao balcão das transferências disseram-nos que não podiam emitir os cartões de embarque porque não tínhamos vistos. Nota negativa para a agência de viagens e para a menina da TAP que não nos disse nada (esta já soma 2 notas negativas).





Quem teve uma nota muito positiva foi a senhora da Cathay Pacific que nos ajudou a resolver os erros dos outros. Num misto de inglês com castelhano, mas sempre com um profissionalismo a toda a prova, pôs-me ao telefone com uma colega dela (que também misturava o inglês e o castelhano) para lhe dar os dados dos nossos passaportes e os dados do meu cartão de crédito (algo que nunca se deve fazer) de forma a emitir os vistos digitais. Depois de emitidos os vistos passámos para o problema seguinte, as bagagens, que foi fácil de resolver, apenas com alguns cliques de rato.  Ainda bem que o voo só partia as 22:35h...

Como disse há pouco, estamos neste momento no voo entre Londres e Hong Kong, pelo que ainda não sei se as nossas malas vão chegar ao destino, nem se alguém se está a divertir à grande com o plafond do meu cartão de crédito.

Ainda no terminal 3 do aeroporto de Heathrow, enquanto esperava pelo voo tive oportunidade de ver pela primeira vez um Airbus A380. Isto para a maioria das pessoas é um acontecimento banal, mas para um maluquinho da  aviação é algo solene. O avião impõe respeito.

O Boeing 747 da Cathay também impõe respeito, mas comparado com o A380, está na liga dos pequeninos. Mais uma vez a Cathay Pacific impressiona pela positiva. Há espaço entre as cadeiras para esticar as pernas. Todos os bancos têm um pequeno monitor com sistema de entretenimento a bordo (jogos, filmes, música, etc). Como se isto tudo já não bastasse, todos os bancos têm também uma tomada universal de 110v. Ah, e a comida é boa (para comida de avião). Não posso estar mais bem impressionado. Para atingir a perfeição só é mesmo necessário que o avião não caia...




Dia 0 – 31-03-2010 – Londres – Hong Kong

Aparentemente o avião não caiu e chegámos a Hong Kong a salvo. O aeroporto tem internet wireless gratuita e uma casa de banho onde a Vaselina passou a maior parte do tempo. Eu aproveitei para fazer upload da primeira parte do relato da viagem e para dar notícias à família e amigos.

Ao embarcar para o Airbus A330 que nos iria levar a Sydney percebemos que íamos em lugares separados, mas a Vaselina com toda a sua capacidade de persuasão (acho que as mamas também ajudam) conseguiu uma troca e acabámos por vir juntos. A viagem é muito mais agradável a dois.

Apesar de nos ter transportado em segurança, a Cathay Pacific não obteve a nota máxima devido ao facto das costas dos bancos não recostarem. Apenas a base dos bancos é regulável, as costas não inclinam, o que se traduz numa posição demasiado vertical para se dormir confortavelmente. Isto verificou-se em ambos os aviões.

Nunca pensei que fosse tão difícil mijar (diz-se mijar ou urinar?) com turbulência. Já é suficientemente difícil equilibrar-me de pé no WC. A isto ainda se tem que acrescentar o facto de ter que acertar na sanita enquanto me seguro com uma das mãos. Ainda é mais difícil que urinar num barco. Claro que o podia ter feito sentado, mas não era a mesma coisa. Era algo que iria ferir o meu orgulho masculino. Homem que é homem mija de pé! A casa de banho é que não ficou em bom estado...



Dia 1 – 01-04-2010 – Hong Kong – Sydney

Durante o voo deram-nos o habitual papel da imigração para preencher. Aqui perguntaram-nos se transportávamos comida, seja ela crua ou cozinhada, artigos de origem animal ou até se trazíamos os sapatos com terra na sola. Eu tenho sapatos de couro e sujos de argila, mas apesar de tudo, não declarei nada. Quando passei pelo controlo de quarentena tremia como varas verdes e suava como um porco, mas ninguém implicou connosco.

Na sala de espera das chegadas estava o representante da agência, um Uruguaio chamado Vítor que  nos conduziu ao The Grace Hotel, bem no centro de Sydney. Pelo caminho foi falando da cidade e dando conselhos úteis. No Hotel já se encontravam os nossos vouchers para todo o programa da Austrália e um presente, um boomerang. Como qualquer criança de 8 anos fiquei fascinado com o brinquedo novo e esqueci completamente as falhas que a agência de viagens tinha cometido até ao momento.

Apesar de serem 09:00 h estou com a sensação de que vai anoitecer a todo o momento devido ao famoso jet lag. Neste momento estamos no quarto já com o duche tomado e recuperado o aspecto e cheiro humanos. É incrível o que um duche faz pelas pessoas! Vamos agora começar a explorar Sydney e aproveitar as nossas férias.



Saímos para trocar alguns dollars americanos (USD), que ainda tínhamos da viagem anterior ao Vietname, por dollars australianos (AUD). A taxa de conversão é quase de 1/1. Ao chegar ao banco, a 2 quarteirões do nosso hotel, disseram-nos que precisavam dos passaportes, pelo que tivemos que regressar ao hotel e voltar de novo para o banco. Pelo menos não havia filas.

Depois de efectuado o câmbio e de outro regresso ao hotel para colocar os passaportes a salvo no cofre, começámos a procurar um sítio para comer. Como já estávamos mais que esfomeados, entrámos numa pizaria perto do hotel, sem ligar muito aos preços anunciados. Quando já estávamos confortavelmente sentados a olhar para o menu é que começámos a ver bem os preços... Em resumo, 2 pizzas e 2 garrafas de água ficaram em $50!

Findo o almoço seguimos a George St (Street) em direcção ao circular quay (cais circular?!). Daqui avistámos, pela primeira vez a famosa ópera de Sydney e, devo dizer que fiquei um pouco desapontado com o que vi. Na maioria das fotos que tinha visto a ópera parecia sempre um edifício ultra-moderno, fotografado nas melhores condições de luz e naquele sol das 14:00h sentia-se o peso dos anos.

Tirámos as fotografias da praxe e deambulámos pela zona antiga de Sydney, The Rocks. Este foi o quarteirão onde toda a Austrália moderna começou. Foi aqui que se instalaram os primeiros colonos e condenados. Começámos a  andar em direcção à Harbor Bridge aproveitando para observar os edifícios de tijolo exposto típicos da Inglaterra industrial.




Antes de atravessarmos a ponte a pé, parámos no museu da ponte a devorar um gelado. O museu conta a história da construção da ponte através de jogos, vídeos e fotografias. A entrada é gratuita. O que não é gratuito é a subida até ao topo da ponte. Esta custa quase $200 AUD. Deve ser uma experiência única observar Sydney do topo da Harbor Bridge e apesar dos cerca de 134m metros de altura, acho que não deve ser assustadora pois as escadas são amplas, existe sempre um corrimão e os turistas vão presos com um arnês. Apesar disto decidimos não ir devido ao preço.

Concluída em 1932, em plena grande depressão, a harbor bridge demorou 8 anos a ser construída. O comprimento total do tabuleiro principal é de 1149 m. O arco que suporta o tabuleiro, tem um comprimento de 503m e um peso de 39 000 toneladas. O ponto mais alto do arco está 134 m acima do nível do mar.  A ponte era a estrutura mais alta da cidade até 1967. De acordo com registos do Guinness Book, é a ponte mais larga e também é a ponte de arco em aço mais elevada do mundo. É também a ponte em formato de arco mais longa do mundo.

Por esta altura já tínhamos percebido que tudo por aqui é caro, muito caro! Os preços estão ao nível de Paris ou são até mais altos. Uma simples garrafa de água custa cerca de $5! O que vale é que se pode pedir "tap water" ou água del cano que é bastante boa e gratuita.




Pelo menos a travessia, a pé, da ponte ainda não é cobrada. Durante a travessia aproveitámos para tirar mais umas fotografias da ópera que domina toda a paisagem litoral de Sydney tendo apenas como concorrente a ponte. Ainda hesitámos em subir ao topo de um dos pilares da ponte, mas os quase $10 dissuadiram-nos.

Do outro lado da ponte, aproveitámos para observar o skyline inconfundível de Sydney enquanto descansávamos um pouco. Eu aproveitei também para perceber o que é que os australianos fazem ao dinheiro que roubam aos turistas e compatriotas. Gastam-no em automóveis e casas. Nunca vi tantos carros bons num tão curto tempo. Aqui vejo tantos carro topo de gama num dia como em Portugal em 10 anos.

Perdi a conta aos Maseratti que vi. O mesmo para os Toyota Supra e Nissan Skyline GTR. Vêm-se poucos Mercedes, mas quase todos na sua versão AMG. Vi, pela primeira vez um Mercedes Maybach e vários Aston Martin. Uma nota de destaque para os Holden (marca da General Motors de concepção australiana) V8 racing nas suas versões carrinha, berlina e Ute (pick-up). Enfim, um paraíso para quem gosta bastante de automóveis como eu.

Decidimos terminar o nosso dia na Sky Tower onde iríamos observar o pôr-do-sol sobre a cidade. Depois de voltarmos a atravessar a ponte seguimos pela George st até à torre que fica numa perpendicular. A entrada revelou-se, mais uma vez, obscenamente cara. A torre oferece uma vista de 360º sobre a cidade, mas a vista e as fotografias ficam manchadas pelos reflexos nos vidros das janelas. Para quem quiser uma vista sem reflexos nem vidros, é oferecida o Sky Walk... por mais $40. Chulos!!!! O Sky Walk é uma caminhada no exterior da torre acompanhados por um monitor e seguros com arneses. À semelhança da Harbor bridge, também aqui não se podem levar objectos nenhuns de metal, pelo que as máquinas fotográficas estão excluídas. Na nossa humilde opinião é preferível fazer a subida da ponte apesar do preço extra.




Depois de visto o pôr-do-sol e de observada a cidade ao crepúsculo, resolvemos procurar um sítio para comer. Eu, que tenho a mania que sou bom a orientação, só fazia merda. Acho que era por estar completamente exausto. Na minha orientação magnífica levei-nos na direcção oposta à do hotel e, apesar de termos jantado num restaurante da George st, voltei a perder-nos quando acabámos de jantar.

Conseguimos jantar por $25, num restaurante para gente jovem em que o pedido se faz ao balcão e nos dão um beeper que apita e pisca quando o prato estiver cozinhado. O restaurante tem algumas semelhanças com o Hard Rock Café, mas não pertence à cadeia. A comida é decente.

Depois de jantar, voltámos a perder-nos e, só quando a Vaselina tomou as rédeas da orientação é que começamos a seguir na direcção do Hotel que fica no cruzamento da King st com a York st. Chegámos ao hotel quase mortos (pelo menos eu) e, mal caí na cama adormeci como uma pedra. Nem sequer houve tempo nem disposição para fazer o amor.




Dia 2 – 02-04-2010 – Sydney – Blue Mountains

O despertador tocou às 05:00h, parecia que tinha dormido apenas meia hora, mas já estava na altura de acordar e partir para a excursão às Blue Mountains e ao parque natural de Featherdale. Antes da partida ainda houve tempo para tomar um pequeno-almoço à pressa e para pôr os telemóveis da Vaselina a carregar numa maquineta, durante 30 minutos, por $2. Estes gajos abusam mesmo. Foda-se!

O pequeno-almoço no Grace é óptimo, com uma enorme variedade de produtos da mais alta qualidade, havendo inclusive cogumelos cozidos para acompanhar o tradicional bacon, ovos e panquecas. Eu gosto de panquecas, quecas quecas.

Quando chegámos ao lobby já tínhamos a representante da Gray Line à nossa espera para o tour, mas esta ainda teve de esperar que eu fosse ao WC e buscar os telefones da Vaselina. Claro que os primeiros turistas a ser recolhidos tínhamos que ser nós. Eu acho que estes filhos da puta fazem de propósito para nós dormirmos menos.

O método usado pela Gray Line é muito cómodo... para eles.  Há um autocarro a recolher os turistas pelos vários hotéis e a levá-los para o terminal que fica na garagem do casino. Chegando ao terminal, cada turista é conduzido ao autocarro que o levará ao seu tour específico. Com esta brincadeira, perdemos cerca de 1 hora e meia.



Finalmente embarcámos no autocarro que nos ia levar às Blue Mountains, este autocarro era conduzido pelo Greg que não devia ter problemas de auto-confiança nem ter dúvidas quanto à sua masculinidade, pois ostentava uns calções demasiado amaricados numa fatiota que fazia lembrar as dos escuteiros. O Greg, para além de motorista, era também o nosso guia. Este sim é um conceito interessante... principalmente para a Gray Line que poupa no número de funcionários.

O nosso tour original não incluía as Blue Mountains, mas levou um upgrade devido ao facto do tour original não ter pessoas suficientes que justificassem a sua realização. A primeira paragem foi em numa pequena aldeia que mais se assemelha a uma aldeia inglesa do que à ideia estereotipada das aldeias australianas. Esta aldeia (não me lembro do nome dela) fica perto do Echo Point, um miradouro sobre as Blue Mountains, e principalmente sobre as 3 irmãs, 3 formações rochosas que se assemelham vagamente a pessoas.

No Echo Point (não confundir com ecoponto) tirámos as fotografias da praxe e observámos a paisagem de cortar a respiração. O Greg referiu que fazia lembrar o Grand Canyon, mas com vegetação tropical. Eu, apesar de nunca ter visto o Grand Canyon concordo com ele.

Do Echo Point partimos para o Scenic World, uma espécie de parque de diversões que explora a beleza natural das montanhas e as antigas instalações de uma mina de carvão. Comprámos os nossos bilhetes para 2 das 3 atracções que o parque oferecia por $21 cada um. Estes gajos sabem mesmo explorar aquilo que a natureza lhes deu. E, aparentemente, a natureza deu-lhes turistas, muitos turistas para explorar.




Antes de começarmos a explorar o Scenic World resolvemos almoçar, comemos 2 pedaços de lasanha servidos numa caixa de plástico e servidos pela empregada mais antipática do mundo, por $25. Depois de terminada a lasanha, que mais parecia ração de combate, embarcámos no Railway, o comboio funicular mais inclinado do mundo, com um ângulo máximo de 52º e que nos levou ao vale onde se encontrava a mina de carvão.

O Scenic World detém o recorde do Guiness para a linha férrea mais inclinada do mundo e para a empregada mais antipática do mundo. Apesar da inclinação e da música do Indiana Jones quando o funicular começa a sua marcha, não é uma experiência assustadora. Até os mais medricas como eu próprio podem apreciar a experiência.

Chegados ao vale, tínhamos a opção por 3 percursos, um de 10 minutos, outro de 25 e outro de 45, optámos pelo de 45. Este percurso levou-nos a descobrir algumas das espécies vegetais que habitam o vale e alguns dos objectos quotidianos do trabalho na mina.

O regresso fez-se pelo Cableway, um teleférico que faz um percurso semelhante ao do funicular e que oferece uma vista decente do vale, das 3 irmãs e da catarata com 210m de altura. A única atracção que não experimentámos foi o Skyway, um teleférico de trajecto horizontal que permite observar de perto a catarata.




Terminada a visita ao Scenic World chegou a altura de rumar para o Featherdale Natural Park um parque onde se podem observar inúmeras espécies autóctones, a destacar o diabo da Tasmânia, uma criatura pequena mas irrequieta e agressiva; o crocodilo de água salgada (salties como são carinhosamente conhecidos pelos locais); os kookaburras, umas aves gordas, bonitas e amistosas que permitem inclusive que os turistas lhes façam festinhas nas penas. As kookaburras têm um cantar distinto que parece uma gargalhada humana; e os cangurus que andam por todo o parque em liberdade, pedindo comida aos turistas ou dormindo como porcos enquanto os turistas lhes fazem festas e as crianças lhes puxam as orelhas e a cauda.

Ah, já quase me esquecia dos koalas... estes sim são a principal atracção do parque. As gajas ficam malucas com eles e até os gajos se transformam e ficam histéricos. São animais bonitos e fofinhos, de facto, mas não fazem nada... dormem durante 20h por dia e nas restantes 4, comem e cagam. Não percebo o interesse destes animais nem a razão de tanta histeria à volta destes animais nem sequer a sua função na natureza.

Claro que tive 15 minutos em todas as filas que existiam para fazer festas aos koalas e tirar fotografias com eles. A Vaselina estava no céu e eu lá estava com ela. Depois de tirar todas as fotos, de fazer todas as festas (o pêlo é áspero) e de lhe dar as últimas folhas de eucalipto lá a consegui arrancar de perto dos koalas para que os restantes turistas também pudessem dar gritinhos de alegria ao tocar-lhes. Felizmente consegui tirá-la de lá antes de levarmos porrada, mas acho que foi por pouco.

Finda a visita ao parque regressámos ao autocarro que nos levou para uma breve visita à aldeia olímpica de 2000 agora transformada em habitação de luxo e finalmente regressámos a Sydney. O Greg deixou-nos no Darling Harbor onde aproveitámos antecipar o jantar. Claro que todos os restaurantes de Darling Harbor são caríssimos, mas isto já não era novidade para nós. Resignámo-nos aos preços e entrámos no que nos pareceu menos caro.




Eu comi carne de Kangaroo mal passada e a Vaselina, Spaghetti à bolonhesa. Descobri que gosto quase tanto de canguru no prato como em estado selvagem. Acompanhámos os pratos cum uma maravilhosa garrafa de água da torneira da colheita de 2010 para baixar custos. Sempre que se fala de uma iguaria exótica, aparecem alguém a dizer que sabe a frango, eu podia dizer a mesma coisa do canguru, mas estava a mentir. Existem algumas semelhanças com carne de vaca e de veado, mas tem um sabor próprio e muito agradável.

A escolha do restaurante em Darling Harbor não foi acidental, deveu-se à proximidade do Aquarium (aberto até às 22:00h). No nosso pack estava incluída uma visita ao aquarium pelo que trocámos o nosso voucher pelos bilhetes e lá fomos à descoberta.

No Aquarium vimos diversas espécies de peixes característicos da Austrália, mas o que realmente marcou foram os dois tanques enormes, um com raias e manatins e outro com tubarões. Existe um sistema de tubos ou corredores envidraçados que atravessam os tanques e permitem ver os peixes de a passar por cima das nossas cabeças.

O final da visita ao Aquarium já me custou bastante devido ao cansaço, o que vale é que estávamos mesmo perto do nosso hotel. Depois de uma caminhada de 5 minutos já estava deitado e pronto para o sexo.




Dia 3 – 03-04-2010 – Sydney – Bondi Beach

O nosso dia começou na mesma às 05:00h para partida às 07:00h para um tour à cidade. Não me cabe na cabeça fazer o tour à cidade no 3º dia e fazer outros antes mas, aparentemente, os responsáveis da Gray Line pensam de forma diferente.

O método foi o mesmo do dia anterior, a recolha dos passageiros começou pelo nosso hotel, onde nos recolheram a nós e a um casal de espanhóis e continuaram com a recolha dos passageiros para depois, parar no terminal da Gray Line. Os passageiros que iam fazer o tour da cidade ficavam no autocarro. Pelo menos não tivemos que mudar de autocarro.

Depois de se encontrar toda a gente a bordo o nosso motorista apresentou-se, o seu nome é Peter e falou-nos das normas de segurança a bordo. É obrigatório o uso do cinto de segurança em todos os veículos equipados com o mesmo. Todos os autocarros estão equipados com cinto.

O motorista, foi relatando alguns factos e números relativos a Sydney em particular e à Austrália em geral, sempre com algum sentido de humor. A primeira paragem foi na "Mrs. Macquarie's Point", que está integrado nos Royal Botanic Gardens e oferece uma vista fantástica do porto de Sydney de um lado, e de outro uma vista fantástica da Ópera e da Harbor Bridge.

Daqui continuámos para a Bondi Beach pela marginal parando por breves minutos sempre que passávamos por um ponto de interesse. Finalmente chegámos à mundialmente famosa Bondi Beach. É uma praia bonita, situada numa baía e ladeada por falésias. Como nós não surfamos achámos que não se justifica o aparato à volta da praia mas, seja de que forma for, vale a pena a visita. Aqui aproveitámos também para tomar o pequeno almoço. Eu comi uma baguete quente, mas quem acertou em cheio foi a Vaselina que comeu um enorme iogurte natural misturado com frutos silvestres. O pequeno almoço do Grace também tem a opção de misturar iogurte natural com vários outros frutos e cereais. Uma ideia excelente.




Saímos de Bondi beach e regressámos à cidade. O Peter ia continuando da debitar factos e números acerca da cidade e referindo vários pontos de interesse que nós visitaríamos no dia seguinte. O tour terminou na Ópera para os passageiros que tinham incluída a visita guiada e no Darling Harbor para os que tinham o cruzeiro pelo porto de Sydney. Nós tínhamos o cruzeiro.

O guia espanhol que seguia no nosso autocarro acompanhou-nos ao Majestic, onde nos sentaram numa mesa perto da janela. Ainda antes de partirmos começaram a servir as entradas e bebidas. Nós pedimos água da torneira e um copo de espumante local que se revelou bastante bom. O buffet abriu pouco tempo depois de começarmos o cruzeiro, mas a comida não nos convenceu. Havia uma carne com amendoins e uma massa decentes, mas o resto era mauzinho. Pelo caminho uma gravação fornecia informações sobre o que se avistava naquele momento.

Cerca de 10 minutos após o início do cruzeiro atracámos no Circular Quay e o capitão despede-se dos passageiros que iriam terminar ali o cruzeiro. Nós olhámos um para o outro estupefactos e a pensar que já tínhamos sido enganados com o cruzeiro mais pequeno do mundo. Para complicar a Vaselina ainda disse que já tínhamos passado perto da Ópera e tudo... como nos estava tudo a parecer demasiado estranho, fomo-nos deixando ficar e eventualmente lá percebemos que aquilo tinha sido uma paragem para deixar alguns passageiros do tour anterior e que o nosso estava apenas a começar. O tour percorre toda a baía de Sydney até à entrada do porto e regressa ao Darling Harbor com opção de saída no Circular Quay. Nós optámos pela saída no Circular Quay devido à proximidade com a Ópera que queríamos visitar e que fica a cerca de 3 minutos a pé.

Chegados à Ópera novo stress... parecia que estava tudo fechado. Não se via ninguém no interior nem nos guichets... ainda tínhamos o dia seguinte, mas era azar. Felizmente que a Vaselina se lembrou que a entrada era pela parte inferior e não pela porta grande. Lá conseguimos comprar os bilhetes para a visita guiada por um valor estupidamente alto e nos dirigimos para o ponto de encontro.  Antes de começar a visita uma funcionária reúne todos os turistas, explica-lhes as normas e, tira uma foto junto a um ecrã verde para mais tarde fazer uma montagem no Photoshop. Eu aproveitei também para tirar fotografias nossas à frente do ecrã e usando as luzes de estúdio que já estavam montadas e que disparam automaticamente sempre que um flash é disparado (slaves).




Depois de todas as fotos tiradas e de recolhidas todas as mochilas, chega a guia, muito simpática e competente, mas com uma vozinha irritante.... Para complicar a coisa, são distribuídos auriculares a todos os turistas, equipados com um receptor rádio que permite ouvir a guia em perfeitas condições independentemente da distância a que ela se encontra e, servem também, para ouvir o audio dos vídeos que são mostrados durante a visita.

A visita começa no foyer, passa por uma das 3 salas de espectáculo pequenas, passa pela sala de concertos principal, esta deveras impressionante devido ao tamanho e características acústicas, e termina na sala da ópera que, na minha opinião, não impressiona. De realçar que vimos a sala num momento em que não havia cenário nenhum em palco e que permitia ver toda a área atrás do mesmo. Como curiosidade, antes de entramos numa sala, a guia ia sempre verificar como é que esta se encontrava pois, segundo disse, já tinha encontrado coisas muito estranhas nas salas durante as visitas. Deixo à vossa imaginação o género de coisas que a guia pode ter encontrado. Se a vossa imaginação for tão porca quanto a minha, espero o pior. No final tivemos oportunidade de comprar as nossas fotos feitas em Photoshop por $35, oportunidade essa que agarrámos como se não houvesse amanhã.

Depois da visita, tínhamos como objectivo fotografar a ponte e a ópera (já repararam como tudo gira à volta da ponte e da ópera?) ao por-do-sol e ao anoitecer (aquele período chamado de lusco-fusco), pelo que resolvemos contornar a ópera para tirar umas fotos e fazer tempo a jantar num dos restaurantes. Os bilhetes davam-nos 10% de desconto em 2 dos restaurantes da ópera.



Quando o Sol se pôs e começou a anoitecer começou também a chover pelo que nos refugiámos cerca de 2h na ópera, onde dormitámos nuns cadeirões muito confortáveis enquanto que as pessoas que iam assistir aos espectáculos passavam por nós vestidas com trajes de noite... e nós a cheirar a cavalo. Irónico que algumas horas antes o nosso guia (Peter) tinha dito que Sydney oferecia cerca de 300 dias de Sol por ano e que só chovia durante a noite. Ainda bem que tinha levado meu casaco impermeável. Durante todo o tempo que passámos em Sydney a temperatura rodeou os 20ºC. Se estivesse Sol e o vento fosse fraco conseguíamos andar apenas de T-Shirt, mas logo que uma nuvem cobria o Sol as coisas arrefeciam bastante e lá recorríamos aos casacos.

Finalmente a chuva abrandou o suficiente para nos dirigirmos a pé para o hotel (cerca de 20 minutos com paragens para fotografia). No hotel descobri que me tinha esquecido que era o  aniversário da Vaselina. Já me tinha lembrado antes e até tinha quase a certeza que iria ser o 1º a dar-lhe os parabéns e acabei por ser o último. Vou ter que a compensar por isto. Apesar de tudo ainda tive direito a sexo.




Dia 4 – 04-04-2010 – Sydney

O nosso dia começou mais tarde pois não tínhamos tours marcados. Ainda por cima, durante a noite, os relógios foram atrasados uma hora devido ao ajuste para a hora de inverno. Isto é que foi dormir! Depois de um pequeno almoço abundante, decidimos visitar o Sydney Wildlife World que fica em Darling Harbor, perto do nosso hotel. A nossa (da Vaselina) principal motivação para vir aqui foram os koalas. A Vaselina queria passar mais algum tempo com eles, fazer-lhes mais algumas festas e comprar uma fotografia de nós a fazer festas a um koala por um valor obsceno.

O Wildlife World vale a visita, não só pelos koalas mas, principalmente, pela quantidade de espécies que tem em exposição, tais como as aranhas mais mortíferas do mundo, as cobras mais mortíferas do mundo, a ave mais mortífera do mundo, o crocodilo... adivinharam, mais mortífero do mundo. Aqui ouvimos o tratador do enorme crocodilo de água salgada que esta em exposição, de nome Rex a contar histórias de horrores de ataques e de mortes causadas por crocodilos mas, principalmente, causadas  pela negligência humana. Adivinhem onde passamos mais tempo. Claro, com os inúteis dos koalas. Pelo menos a Vaselina saiu de lá feliz.

Terminada a visita ao Wildlife World, decidimos seguir a George St até ao Queen Victoria Building, um edifício que, no passado, servira de mercado, mas onde está agora instalado um centro comercial de luxo. O edifício é lindíssimo e merece uma visita demorada.




Antes de chegarmos ao Queen Victoria Building (QVB), entrámos na maior Apple Store do hemisfério Sul, que ficava apenas a um quarteirão do nosso hotel, no cruzamento da King st com a George st. A loja é espectacular, bem ao estilo dos equipamentos da Apple. Esta também merece uma visita, mesmo para os detractores da Apple, pelo menos pelo facto de todos os computadores  terem ligação gratuita à internet e de os podermos utilizar durante todo o tempo que quisermos sem que nos venham chatear. Até ao momento foi o único sítio, na Austrália, onde consegui internet à borla.

Fomos seguindo a George St à procura da chinatown pois este é um dos poucos sítios em Sydney onde se consegue jantar por um preço decente. Não encontrámos a chinatown (esta fica perto de Darling Harbor, mas afastada da George St. Mais uma mancha na minha navegação), mas almoçámos num restaurante chinês, bem barato, com um bom serviço e comida abundante. Depois de almoço visitámos o Hyde Park – Espera aí, o Hyde Park não fica em Londres? No Hyde Park visitámos o monumento aos combatentes da grande guerra (ANZAC) e passeámos um pouco pelo parque.

Do Hyde Park seguimos para a St Mary's Cathedral que não visitámos, apenas tirámos umas fotos à fachadas e seguimos pela William St. O nosso objectivo era chegar à marginal (Wharf Roadway) onde se encontra o Harry Café de Wheels, famoso pelas suas tartes. Este trata-se de uma espécie de quiosque metálico, minúsculo. Originalmente o seu dono não tinha licença de comerciante pelo que ao ser confrontado com a lei, ele descobriu um buraco na lei que lhe permitia ter a porta aberta desde que movesse o seu café de sítio apenas alguns centímetros por dia, daí o nome Café de Wheels.




Enquanto seguíamos pela William St passámos pelos stands da Lotus, Bentley, Maseratti e Ferrari, onde eu passei demasiado tempo com o nariz colado à montra, a salivar. Achei importante partilhar isto convosco. Ao chegar ao Harry Café de Wheels, ainda não tínhamos muita fome, pelo que resolvemos partilhar uma Tiger Pie. A Tiger pie, é uma tarte de carne, servida com uma colher de puré de batata em cima e com uma colher de puré de ervilha em cima do puré de batata. Como se isto não bastasse, ainda leva uma colher de molho em cima de toda esta pilha de comida. A tarte, em si, é boa, mas nos dispensávamos os purés.

Depois de comermos a tarte sentados num banco de madeira a olhar para um dos hotéis mais caros de Sydney e para a casa de $6 000 000 do Russell Crowe, seguimos, de novo, para o Mrs Macquaries pt, onde iríamos observar a ópera e a ponte à luz do por-do-sol e fotografar o lusco-fusco. A zona já se encontrava repleta de turistas com as suas máquinas apontadas, mas ainda conseguimos arranjar um bom local. Incrivelmente, poucos minutos após o por-do-sol, a zona ficou quase deserta, quando, na minha opinião, é a seguir ao por-do-sol que a luz fica perfeita para umas fotos com impacto. Apesar de ainda não ter visto as fotos num ecrã decente, acho que fiz boas fotos do skyline da cidade ao anoitecer.

Depois de todas as fotos tiradas, chegou a altura de regressar ao hotel, à primeira tentativa e sem nos perdermos, numa navegação perfeita. Tinha recuperado o meu dom. Como recompensa, fui brindado com muito e bom sexo.





Dia 5 – 05-04-2010 – Sydney – Ayers Rock

Acordámos cedo para transfer para o aeroporto. Por esta altura já tínhamos feito uns tours com um casal espanhol, de Alicante, e já tínhamos percebido que tinham um programa parecido com o nosso, pelo que não estranhámos ao vê-los no lobby à espera de transfer para Ayers Rock. O aeroporto de Sydney tem um terminal exclusivo para a Quantas e foi para esse que nos dirigimos.

Este terminal não tem, ou pelo menos nós não vimos, balcões de check-in assistido, apenas permite o check-in automático, on-line. Ao perceber isto comecei imediatamente a mexer na primeira máquina que encontrei e carregar nos botões à maluca. Resultado... fomos em lugares separados. Os espanhóis que fizeram check-in depois de nós, mas com calma foram juntos. Como profissional de IT e adepto incondicional das novas tecnologias, é lamentável que nunca tivesse feito um check-in on-line e que a primeira vez não tenha corrido da melhor forma... mal sabia eu que o pior ainda estava para vir...

Aproveitei a viagem de avião para escrever mais um pouco deste relato. Já percebi que só tenho tempo para escrever isto nos aviões pois nos outros dias quero aproveitar o meu tempo para os tours e passear por nossa conta e, ao chegar ao hotel, estou demasiado cansado para escrever. Como não tenho internet grátis e não estou a actualizar periodicamente o site, não é grave.

O aeroporto de Ayers Rock é minúsculo e com ar decadente. Não é tão mau quanto o das Galápagos, mas anda lá perto. Ao entrar na sala de recolha de bagagens já lá estava a pessoa que nos iria transportar ao Ayers Rock Resort, mas se pensam que nos ajudou a recolher as bagagens e a transportá-las, estão enganados.



Pelo caminho, a motorista foi dizendo que, no dia anterior, na estada onde transitávamos, tinha visto centenas de camelos selvagens em migração. Em todo o tempo que passámos em Uluru, não vimos um único camelo, mas existem milhares deles por todo o país.

O Ayers Rock Resort é uma pequena cidade construída propositadamente para acolher o turismo, minimizando o impacto ambiental e na paisagem. Esta cidade é composta por 4 hotéis, um parque de campismo, supermercado, cabeleireiro, várias lojas e restaurantes, posto médico, bombeiros e polícia. O resort foi construído seguindo orientações da população (o povo Anangu) aborígene responsável pelo parque natural Kata Tjuta, onde se encontra o monólito.

Após o check-in no Desert Gardens, deram-nos um mapa onde estava o nosso quarto (o hotel é composto por várias casinhas, cada uma delas com 3 ou 4 quartos independentes) e mandaram-nos à nossa vidinha, sem que  ninguém nos fosse acompanhar ao quarto. Um serviço de qualidade...

Chegados ao quarto de aparência reles (O Desert Gardens é um hotel de 5 estrelas), mais uma surpresa desagradável. A mala da Vaselina não abria. Ambas as nossas malas (Samsonite) têm 3 fechaduras, 2 operadas com chave, no extremos, e uma, central, com código. A fechadura central, recusava-se a abrir.  Eu apontei logo o dedo à Vaselina, dizendo que a culpa era dela que abusava da mala e, claro que isto deu discussão feia. Entretanto ela foi confirmar os nossos tours e eu fiquei com os senhores da manutenção a tentar abrir a mala.




Este tipo de mala custa uma fortuna porque nos são vendidas como se fossem à prova de bala. Pelo que nós verificámos, são mesmo à prova de bala porque o senhor da manutenção também não a conseguiu abrir. Disse-me que para a abrir tinha que usar um berbequim, mas eu disse que para já não o queria fazer. Ainda não estava preparado para a danificar de forma permanente.

Como nos disseram que os restaurantes do resort costumavam encher, resolvi logo reservar mesa para jantar num perto do nosso quarto. Por esta altura já sabia que não íamos almoçar pois estávamos com o problema da mala e tínhamos tour a pouco mais de 30 minutos. O que nos valeu foram 2 latas de Pringles do minibar e duas tabletes de chocolate, que nos custaram uma pequena fortuna.

Quanto à mala havia 2 possibilidades, ou o código se tinha alterado acidentalmente ou a fechadura estava mesmo estragada e tinha que ser arrombada. Como, apesar de tudo, os agradava mais a possibilidade de o código se ter alterado acidentalmente, resolvemos testar todas as combinações possíveis.... sim, todas as 999. Começámos antes do tour, sem sucesso.

Chegada a hora do tour, deixámos a mala e partimos em direcção ao autocarro, chateados, mas decididos a aproveitar. Ao chegar à entrada do Kata Tjuta National Park, todos os passageiros têm que acenar com os bilhetes ao funcionário para que este abra a cancela ao autocarro.




O tour começou com uma paragem num posto de observação da formação rochosa de nome Kata Tjuta. É  esta formação rochosa que dá o nome ao parque nacional e não Uluru como se poderia pensar. Kata Tjuta composta por vários monólitos, ocupando uma área muito maior que Uluru e o seu ponto mais alto, o monte Olga é, também mais alto que Uluru. Toda esta formação é terreno sagrado para os aborígenes, no entanto, eles permitem a visita a alguns pontos da formação. Kata Tjuta quer dizer, em linguagem aborígene, muitas cabeças, pois o topo dos montes parece-se com cabeças humanas, à distância.

A cultura aborígene distingue e segrega a informação a que os homens têm acesso da que as mulheres têm acesso. Os  homens não têm acesso à informação transmitida às mulheres, nem vice-versa. Ora aqui está algo que devia ser adoptado pela nossa sociedade ocidental. Ver um homem, de avental, a passar a ferro não é uma coisa bonita de se ver. Acreditem, porque eu já vi um.

O tour continuou, parando, em seguida, nas proximidades do monte Olga, onde fizemos um percurso de 2,3Km numa garganta (Walpa Gorge) formada entre dois dos montes e que funciona como uma espécie de túnel de vento. Neste dia não fazia vento nenhum, pelo que não observámos este fenómeno.

Daqui seguimos para uma paragem para ida ao WC e daí para o ponto de onde iríamos observar o por-do-sol junto ao rochedo. As casas de banho típicas da Austrália, são as chamadas "long drops", o que se traduz por uma sanita com ligação directa à fossa séptica, daí o nome de longa queda. Em Sydney não vimos nenhuma destas sanitas, mas aqui e, mais tarde, em Cairns vimos bastantes.




Finalmente parámos num miradouro a cerca de 3 Km de Ayers Rock, ou Uluru, se preferirem , para observamos o pôr-do-sol no famoso monólito que muda de cor.  Claro que o monólito muda de cor conforme a luz que incide sobre ele vai mudando de direcção e intensidade. Muda o rochedo e muda qualquer objecto metálico ou semi-metálico, mas isso agora não vem ao caso. Uluru é o 2º maior monólito do mundo e, é composto maioritariamente por ferro. A sua cor original é o cinzento, ainda observável em pequenas áreas. A sua cor actual deve-se à oxidação. Sem querer por as coisas de forma demasiado simplista, estivemos olhar para uma pedra enferrujada, enquanto o Sol se punha.

Enquanto esperávamos que o Sol se desaparecesse no horizonte, a AAT Kings, responsável pelo tour, dispôs alguns vinhos e refrescos para prova. O tinto achei-o demasiado aguado, o branco era decente, mas devia estar mais frio. A melhor parte da prova de vinhos foram os amendoins que foram servidos e que, para nós foram uma parte importante do nosso almoço. Quem também estava esfomeado por esta altura eram umas aves cinzentas com uma crista amarela e ar atrevido que vinham pedir aperitivos aos turistas ou comer directamente da taça caso esta estivesse ao seu alcance. Há cartazes por todo o lado a pedir para não alimentar os animais pois é prejudicial para a sua saúde, mas ninguém lhes ligou muito.

Depois do sol se pôr chegou a altura de regressar ao hotel. A primeira paragem foi no Desert Gardens que, supostamente, é o mais luxuoso e confortável dos 4. Se este é o melhor dos 4 hotéis, nem quero saber como são os outros. Apesar de ser o nosso hotel, saímos do autocarro na paragem seguinte, no supermercado. Como, no dia seguinte, a partida para ver o nascer-do-sol era antes da abertura do pequeno-almoço, o guia tinha recomendado que nos fossemos abastecer ao supermercado. Também aqui os preços são exorbitantes...

Nunca fomos tão explorados na nossa vida como nos dias que passámos em Ayers Rock. Quando estivemos nas Galápagos, a estadia no navio foi mais cara, mas sentimos que o nosso dinheiro foi melhor gasto pois, para além de tudo estar incluído, o  serviço foi excepcional, nunca fomos tão mimados. Aqui o serviço revelou-se bastante mau. Eles sabem que estão no meio do nada (a povoação mais próxima, Alice Springs, fica a cerca de 400Km) e valem-se disso para explorar os turistas. A mim não me voltam a apanhar lá e, se soubesse o que sei hoje, não tinha sequer lá ido, teria ido a Darwin.

Fomos deixar as compras no quarto e fomos jantar num dos restaurantes do hotel, o Arguil Grill. Aqui, por um prato principal e por uma sobremesa, cobraram-nos $50, por pessoa e por pratos microscópicos de comida razoável, mas muito longe de boa. Nós, que já nos estávamos a entender melhor, voltámos a chatear-nos. Ao chegar ao quarto e verificar que, mesmo após tentar todas as combinações possíveis e, a mala da Vaselina continuar sem abrir, as coisas ainda ficaram mais feias. Fomos dormir, chateados, nem sequer houve direito a "make-up sex".





Dia 6 – 06-04-2010 – Ayers Rock

Acordámos às 04:30h, ainda chateados, mas lá arranjámos forma de embarcar no autocarro para ver o nascer-do-sol. O 2º que eu alguma vez vi, em toda a vida. O nascer-do-sol, como toda a gente sabe, é exactamente igual ao por-do-sol, só que ao contrário, mas claro que estes gajos conseguem vender  mais uns tours fazendo crer que é diferente. Pelo menos o tour em si é diferente.

Fomos dos primeiros autocarros a chegar ao local do tour pelo que ainda conseguimos um bom local para observar o famoso monólito. Quanto mais tempo passava junto do rochedo ferrugento, mais convencido ficava que este não passa de uma pedra demasiado famosa no meio do deserto.

Depois do Sol nascer, há duas possibilidades, ou se vai escalar o monólito, ou se faz um tour, guiado, pela base. A escalada está fechada cerca de 200 dias por ano, pelas mais variadas razões, vento forte, chuva, calor elevado, porque os aborígenes estão mal dispostos, etc., mas este é um dos 165 em que é permitido subir ao topo de Uluru. Nós já tínhamos decidido não subir e mantivemos a decisão. Fomos apenas até à Chicken Rock (rocha onde muitas pessoas se acagaçam e voltam para trás), tirámos fotografias e embarcámos no autocarro para o tour pela base.

Uluru, ao contrário de Kata Tjuta, não é sagrada para os aborígenes, apenas algumas zonas da sua base são locais sagrados para os homens ou para as mulheres. Os aborígenes não se importam que se suba ao topo, mas importam-se quando alguém morre durante a subida ou a descida. As mortes são frequentes, devido ao calor, ataques cardíacos, quedas, etc, pelo que a subida é altamente dissuadida. A grande maioria dos turistas não se importa com os avisos e seguem em fila indiana até ao topo. O casal espanhol que fez os tours connosco subiu e gostou bastante. Várias pessoas idosas subiram também, regressando sãos e salvos.



O tour pela base fala-nos um pouco da montanha, da sua formação, da forma como foi descoberta e de alguns locais importantes  para os aborígenes, como um "water hole", um buraco onde ficam retidas as águas das chuvas que escorrem pela montanha ou um recanto sombrio onde os avós ensinam os seus netos através de gravuras nas rochas.

A última paragem foi no centro cultural aborígene que, mais não é, que um conjunto de lojas para vender artefactos aos turistas. A grande maioria das pessoas que lá trabalha nem sequer é de origem aborígene. Aproveitámos para ir ao WC e comer mais um pouco do nosso pequeno-almoço improvisado. Daqui, regressámos ao hotel.

A Vaselina, decidira que se conseguisse comprar um fato de banho e protector solar, não precisava de abrir a mala. Nós viajamos sempre com uma mala de cabine com roupa suficiente para 3 dias para cada um de nós e, pela primeira vez, usámo-la.

Lá fomos para a área comercial do resort, onde a Vaselina conseguiu comprar um biquini e um protector solar por uma soma astronómica de dinheiro e fomos tentar almoçar no restaurante Gecko, na praça central, perto das lojas. O serviço no restaurante é péssimo, mas os preços são mais baixos, pelo que viríamos almoçar aqui no dia seguinte. Eu comi pizza, a Vaselina um hamburger de frango.




Depois de almoço, passamos a tarde na piscina, também esta pequena e de má qualidade, cheia de azulejos partidos e em falta. À beira da piscina, na relva, o cenário não era muito melhor, pois havia centenas de insectos e aranhas que nos queria conhecer melhor. Não mordiam, mas saltavam-nos para cima e passavam pelo nosso corpo.

Depois de uma tarde "relaxante", na piscina, fomos tomar banho e preparar-nos para "The Sounds of Silence", os sons do silêncio. O único tour que achámos verdadeiramente imperdível em Ayers Rock.

Imediatamente pouco antes de partirmos para os sons do silêncio, voltámos a chatear-nos, desta vez por causa do check-in on-line, pelo que fomos para o tour devidamente chateados. Não houve nenhum tour que não fossemos chateados um com o outro. Acho que a puta da pedra está amaldiçoada. Yo no credo em bruxulas, pelo que las ay, las ay!

O autocarro leva-nos para um ponto alto de onde se pode observar Uluru ao pôr-do-sol. Isto é que foi um fartote de por-do-sol e nascer-do-sol. Durante o por-do-sol foi servido vinho espumante, bastante bom e vários salgados e entradas. Uma das entradas foi um folhado de crocodilo, bastante agradável, mas não deu para perceber bem o sabor da carne.




Depois do Sol se pôr fomos conduzidos à zona onde o jantar, buffet, foi servido. Quando começámos a jantar já estávamos na mais completa escuridão, apenas com uma luz, no centro da mesa, que servia principalmente para atrair todo o tipo de bichos que caiam no prato, nos copos e no corpo, já que mal iluminava o prato. A comida estava excelente, principalmente o canguru. Depois de jantar, um astrónomo mostrou-nos algumas constelações, estrelas e planetas e ensinou-nos a encontrar o Norte... quer dizer... o Sul, no hemisfério sul. Não sei se sabem, mas a estrela polar (Polaris) não se vê no hemisfério sul. Depois da sessão de astronomia, apimentada com algum humor, ainda houve tempo para observar Saturno através de um telescópio e de  observar melhor as estrelas através de binóculos.

Pouco depois, o autocarro levou-nos de regresso ao hotel onde, finalmente, conseguimos fazer o check-in on-line, pagando, para isso, uma fortuna de custos de internet. Apesar de já estarmos mais bem dispostos um com o outro, ainda não houve direito a sexo. Estava mesmo farto daquele lugar para lá do fim do mundo!




Dia 7 – 07-04-2010 – Ayers Rock – Cairns

Acordámos tarde, pois não tínhamos nada que fazer até à hora da partida e fomos para o pequeno-almoço, que se revelou fraquinho, fraquinho. O check-out tem que ser feito até às 10:00h (até nisto estes cabrões são maus para o cliente), pelo que este foi o nosso passo seguinte. Depois de deixarmos as malas ao cuidado do concierge, dormitámos um pouco pelo lobby e, chegadas as 12:00h fomos almoçar ao Gecko's onde, desta vez, estava um empregado competente e nos atenderam com rapidez.

Meia hora antes de chegar o transfer para o aeroporto, fui levantar as malas e verifiquei que a minha mala tinha a pega retráctil avariada, estava perra e parecia que o mecanismo interno estava partido. Claro que, ao reclamar, me disseram que não a tinham usado nem tinham colocado bagagem nenhuma em cima da minha mala e que não se podiam responsabilizar por nada. Deram-me uma carta onde dizem isto mesmo para entregar à minha seguradora, mas não tenho grades esperanças que alguém se responsabilize. A isto apenas tenho 3 palavras para dizer: Filhos da Puta!

Finalmente chegou o nosso transfer, o que, para nós, significava a saída daquele inferno. Agora sim,  as coisas começavam a correr bem, o nosso voo até partiu antes da hora e tudo. Claro que, ao chegar a Cairns, o nosso transfer ainda não estava à nossa espera. Ainda fui com o espanhol dar uma volta à procura dos transferes, mas não tivemos sorte. Passados cerca de 10 minutos lá apareceram eles. Desta vez íamos para hotéis separados.

Cairns está para a Austrália como Quarteira está para Portugal (diz-se Quarteira ou a Quarteira). É um amontoado desorganizado de casas, lojas e hotéis que se foram construindo à medida das necessidades, mas sem grande planeamento. No caminho para o hotel, o motorista disse-nos que estávamos cheios de sorte pois, nos últimos 18 dias, tinha chovido sem parar e, este era o primeiro dia de Sol. Segundo as previsões os dias seguintes iriam ser ainda melhores. As coisas estão-se a começar a compor...




Ao chegar ao hotel, após o check-in, descobrimos que íamos ficar alojados no último andar, o 16º, que é o Premium Floor. Isto estava mesmo a correr bem! Depois de devidamente instalados, voltámos a tentar abrir a mala da Vaselina mas, de novo, sem sucesso. Desesperados, pedimos ajuda ao concierge, prontos para partir o que fosse necessário mas, também aqui as coisas correram pelo melhor. O concierge, do alto do seu metro e noventa, com bastante força e muito jeito, consegui abri-la sem a partir nem furar nem nada. Mereceu bem os 5 AUD de gorjeta que recebeu. Para melhorar as coisas, percebi como é que ele abriu a mala e já o consegui reproduzir com a ajuda da Vaselina. Este episódio ficou conhecido como "o milagre da mala". Imediatamente após a abertura da mala, a Vaselina mudou todas as suas coisas fundamentais para a minha mala e para a mala de mão, recebendo a dela toda a roupa suja.

Jantámos numa pizaria perto do nosso hotel 3 enormes fatias de pizza por uma pechincha, pelo menos quando comparada com os preços de Sydney e de Ayers Rock. Depois de jantar regressámos ao quarto para sexo e dormir.




Dia 8 – 08-04-2010 – Cairns – Grande Barreira de Coral

Decidimos vir a Cairns para uma visita à grande barreira de coral, e foi para lá que nos dirigimos logo pela manhã, imediatamente após um farto pequeno-almoço. Ao deambular pelo buffet a ver o que havia para comer, verifiquei que havia bifes grelhados, acompanhados por cogumelos, igualmente grelhados. A minha primeira reacção foi de repulsa – "Estes gajos comem bifes ao pequeno-almoço?!". A minha segunda reacção foi – "Vou experimentar!". E não é que sabem mesmo bem uns bifinhos grelhados ao pequeno-almoço! Recomendo vivamente. Também havia ovos estrelados, mas isso já achei demais.

O autocarro veio buscar-nos ao hotel às 07:55h para a viagem mais curta de sempre, menos de 3 minutos. Depois da viagem de autocarro, embarcámos no Ocean Spirit, um catamaran com alguns anos mas em bom estado, onde nos começaram desde logo a tirar fotografias para, mais tarde, nos venderem a preços exorbitantes. Eu não as compro, mas a Vaselina...

Logo que o barco se pôs em marcha começaram os briefings de segurança. Estes gajos são maníacos da segurança, até nos autocarros falam das saídas de segurança e dos cintos. Em seguida falaram das condições na ilha para onde íamos (Michaelmas Cay) e recomendaram o uso de fatos de lycra para proteger das box jellyfish, o animal mais mortífero do planeta, ou de outras alforrecas mais inofensivas, mas chatas. Ainda nos tentaram impingir 01:00h de mergulho, mas nós não quisemos. Comprámos um tour de snorkel e alugámos os fatos de lycra. Ainda havia a possibilidade de um tour num barco com fundo de vidro, mas não nos agradou.

Depois de vestir o fato e ver a minha figura, cheguei à conclusão que nunca me senti tão envergonhado na vida. A minha figura era indiscritível, pelo que nem sequer me vou tentar dar ao trabalho. Imaginem o pior e, mesmo assim, não vão ter a noção correcta do espectáculo. O que vale é que a maioria das outras pessoas estavam na mesma figura e também envergonhados q.b. Homens a vestir roupas de mulher e ainda por cima justas, não é uma visão agradável.




Ao comprar o tour de snorkel disseram-nos para embarcar no primeiro dos botes que nos ia levar à ilha. Claro que perdemos o 1º barco, mas o guia esperou que chegássemos no barco seguinte. O tour durou cerca de 30 minutos e foi, na minha opinião, fraquinho. Não vimos tartarugas, nem tubarões. O guia ia mostrando e falando de alguns dos peixes que íamos encontrando, mas só quem estava mesmo junto a ele é que ouvia alguma coisa. Vimos um Titan Tigerfish enorme, o maior que já tinha visto, mas o guia assegurou-me que, na grande barreira de coral, não há registo de ataques destes peixes territoriais aos mergulhadores ou snorkelers. A água devia estar a cerca de 27ºC, mas parecia estar a menor temperatura e havia, inclusive, zonas relativamente frias.

Depois de terminado o tour fizemos mais um pouco de snorkel até sermos chamados para o último bote de regresso ao catamaran para almoço. Pouco depois de chegarmos ao barco ouvimos o aviso a indicar que faltavam 5 minutos para o buffet fechar, pelo que corremos para o interior e agarrámos o que foi possível. Mais um exemplo de um serviço de qualidade duvidosa. Ao longo do dia fomos ficando com a sensação de que a tripulação estava constantemente a apressar-nos para se verem livres de nós.

Ainda fomos fazer mais um pouco de snorkel depois de almoço. O que custou mais foi voltar a vestir aquele horrível fato de lycra molhado e com areia, mas o snorkel valeu o sacrifício. Continuamos sem ver uma única tartaruga ou tubarão, mas vimos inúmeros peixes coloridos e conchas gigantes que se fechavam quando nos aproximávamos. Mais uma vez, regressámos no último bote.




Na viagem de regresso, foi servido chá, café e bolo enquanto nos tentavam impingir as fotografias tiradas ao longo do dia. Eu, que estava chateado com o fotógrafo que não me quis tirar uma foto com a minha máquina, não quis comprar nenhuma foto, mas a Vaselina...

Durante a viagem de regresso houve ainda tempo para música ao vivo e para uma flute de espumante.

Resolvemos terminar o dia na piscina do hotel, que era bem grande e gira. Só é pena é a água não estar muito quente. Saímos para jantar num restaurante chinês perto do hotel, bastante bom, principalmente no preço. Como o restaurante não tinha sobremesas perguntei onde podia comer uma boa sobremesa. A senhora recomendou uma gelataria de fabrico próprio, de nome Dolce Gelati, com gelados verdadeiramente fantásticos. Ficámos clientes, e voltámos lá todos os dias. Recomendo principalmente o sabor "Banargon", que se trata de uma mistura de banana com dragon fuit.

Regressámos ao hotel para sexo e descanso. Há quem prefira sopas e descanso, mas não é o nosso caso.





Dia 9 – 09-04-2010 – Cairns – Parque Nacional Wooroonooran.

O nosso dia começou às 08:10, após mais um farto pequeno-almoço, de bifes com cogumelos, quando o nosso guia nos foi buscar ao hotel. O guia era um francês, de nome Fernando, que falava mau inglês, o que não o impedia de ser o francês que falava melhor inglês que conheço. O Fernando, já reformado, faz de guia turístico para se manter ocupado e para arranjar dinheiro para as suas próprias viagens (já visitou 48 países). Todos os restantes (4) turistas eram de origem francesa pelo que, um tour que deveria ser em inglês, foi em francês com uns salpicos de inglês. Eu como não percebia francês fui logo destacado para o lugar da frente, ao lado do condutor, para que este falasse comigo em inglês.

A primeira paragem foi nas Josefine Falls, dentro do parque nacional de Wooroonooran, uma floresta tropical, extremamente húmida e densa. Uma povoação perto do parque detém o recorde mundial de precipitação num ano. Quem diria que uma país semi-árido detém o recorde mundial de precipitação? Após um percurso de cerca de 300m chegámos às cataratas da Josefina. Pelo caminho, o guia foi dando explicações, que nós não percebemos nada uma vez que eram maioritariamente em francês. Quanto às cataratas, valem a pena a visita pelo espectáculo que proporcionam aos olhos e ouvidos.

A região de Cairns vive, principalmente, do turismo, da produção de cana de açúcar e, da produção de bananas. A nossa paragem seguinte foi num posto artesanal de venda automática de bananas. Passo a explicar. A venda é automática, porque não está ninguém no posto a vender bananas, mas o posto é artesanal pois não tem máquina nenhuma. O que existe é uma banca com inúmeras bananas e uma caixa onde se pode depositar dinheiro. Por 1 AUD, podem comprar-se 5 bananas, mas ninguém impede de se levarem todas as bananas a troco de nada. Estou mesmo a ver que era isto que aconteceria em Portugal, mas não quero chamar ladrões aos portugueses. O guia comprou 7 bananas, não sei por que quantia mas vi que, pelo menos colocou uma moeda na caixa.





Depois de comer as bananas seguimos para uma quinta de criação de crocodilos. Este foi o ponto alto do tour, para mim. Logo à chegada deixaram-nos tirar fotografias com um crocodilo e com um aligátor bebés, ao colo. Os aligators distinguem-se dos crocodilos por terem os dentes inferiores escondidos dentro da mandíbula superior, apenas sendo visíveis os dentes superiores, enquanto, nos crocodilos, se vêm tantos os inferiores como os superiores. Na opinião dos tratadores, os aligators são muito mais dóceis que os crocodilos mas, apesar disso, ambos tinha a boca fechada com fita cola transparente. O aligator podia pegar-se sem restrições, mas o crocodilo tinha que ser bem agarrado pela cabeça e, caso ele começasse a espernear, devia-se apertar-lhe a cabeça e segurá-lo firmemente. Quando esteve ao meu colo nem sequer se mexeu. A Vaselina pegou no aligator, mas não tocou no crocodilo. A pele é extremamente macia e lisa, só é estranho é o animal estar frio, mas temos que nos lembrar que são animais de sangue frio.

Depois de todas as fotos tiradas, chegou a altura de nos cobrirmos com repelente para mosquitos e de começarmos a visita às instalações. Os crocodilos que vimos foram todos capturados no estado selvagem por se estarem a tornar problemáticos e, são usados apenas para procriação e como atracções turísticas, não podem ser abatidos. Os únicos crocodilos que podem ser abatidos são os que nasceram na quinta e estes são abatidos principalmente pela pele (considerada a melhor pele de origem animal e vendia às principais casa de moda), mas também pela carne. Os ovos dos crocodilos são retirados das jaulas das mães e chocados a 32ºC para que nasçam maioritariamente machos. Se fossem chocados a 31ºC nasceriam maioritariamente fêmeas. É dada preferência aos machos porque crescem duas vezes mais depressa e, nestas coisas, tempo é dinheiro. Os crocodilos são abatidos ao completarem 3 anos de idade. Nas palavras de um dos tratadores, é como criar vacas para abate, a única diferença é que estas mordem e podem matar.

A primeira paragem foi na jaula de um crocodilo enorme, de água salgada (os maiores e mais agressivos), com cerca de 100 anos. Apesar das suas dimensões assustadoras, este ancião já se mexe lentamente e só já tem 3 dentes. Os crocodilos perdem a capacidade de fazer crescer novos dentes por volta dos 80 anos, pelo que morrem de fome ao chegar a esta idade. Este não morreu de fome porque se aproximou de uma doca e era alimentado por algumas pessoas. Entretanto foi capturado e trazido para esta quinta. Apesar de só ter 3 dentes, os tratadores (sempre aos pares) tratam-no com muito respeito. Apenas a força das suas mandíbulas pode ser suficiente para cortar um braço humano. Os tratadores obrigaram-no a passear um pouco pela jaula, fazendo-o bater as mandíbulas num som que se assemelha a um tiro de arma de fogo, enganando-o com um enorme pedaço de galinha. Os tratadores ficam à distância de um braço de alguns dos crocodilos, dando-lhes a comida "à boca". Depois de terminado o espectáculo, o crocodilo é recompensado com um grande bocado de galinha que o irá alimentar por 3 dias.




Em seguida passámos à jaula onde se encontrava um casal de crocodilos também de grande porte, mas muito mais novos. A fêmea não ligou nenhuma, mas o macho veio receber-nos. Os tratadores entraram na jaula, mas já não se chegaram tão perto nem o obrigaram a fazer habilidades. Apenas o picavam com um grande pau para que este se virasse e os deixasse mover dentro da jaula. Depois de medirem forças e de falarem um pouco sobre ele, deram-lhe o seu pedaço de galinha e o tour continuou.

A próxima paragem foi na jaula do crocodilo mais mal disposto da quinta. Este é bastante agressivo e violento. Já matou 3 fémeas que viveram com ele na jaula. Neste momento vive sozinho, porque 3 fémeas é o limite da quinta. Os tratadores entraram na jaula, mas não saíram de perto da porta, usando os paus para travarem a besta. Este ganhou depressa o seu naco de carne.

A paragem seguinte foi junto a um grande lago onde se encontram vários crocodilos. Os guias dizem que perto da porta onde eles se encontram está um crocodilo submerso. Ninguém o vê. Só se consegue perceber quando os tratadores começam a dar pistas e quando este salta a cerca de 1m acima da água para tentar apanhar um bocado de galinha que um tratador espetou num  pau. Moral da história, nunca andar nas margens de um rio ou mar que tenha crocodilos. A distância de segurança é 50 m.

A paragem seguinte foi numa jaula de um adulto novo. Segundo os tratadores, estes são os piores, pois as pessoas não os acham tão ameaçadores, por serem mais pequenos mas, pelo contrário, eles são agressivos e muito rápidos. Os tratadores nem entraram na jaula deste, espetaram a galinha num pau e colocaram-no por cima da rede da jaula. O crocodilo saltou, a cerca de 1,80 m e apanhou a carne à primeira tentativa. Este é o único crocodilo da quinta que já provou carne humana, de um engenheiro que caiu ao rio onde este estava. O crocodilo levou 17 tiros de calibre .22 LR e apenas ao último, que lhe acertou num olho, largou a vítima que sobreviveu. Não se vê nem um arranhão dos tiros que levou, apenas perdeu um olho. A única forma de matar um crocodilo é com um tiro de grande calibre entre os olhos.




Desculpem a seca de crocodilos, mas são animais que me fascinam. Vá lá, já só falta mais um. A última jaula que visitámos era habitada por um jovem casal, tão rápidos e agressivos que os tratadores nem tiveram tempo de abrir a porta para entrar, tiveram que lhes dar a comida por cima da vedação.

Depois da sessão de crocodilos, tivemos oportunidade de alimentar algumas espécies diferentes de cangurus, que vinham comer granulado à nossa mão, passámos pela jaula das cassuárias que, apesar de serem as aves mais mortíferas do planeta (já houve várias pessoas a morrer esventradas pela unha interior das suas patas que se assemelha a uma navalha), estão em perigo de extinção. As cassuárias são importantíssimas na disseminação de sementes de grandes frutos pela floresta.

Perto da jaula das cassuárias fica a jaula dos dingos, onde um dos tratadores foi buscar uma fémea muito simpática e bonita. Sempre tive a ideia que os dingos eram agressivos, mas esta ideia não podia estar mais errada. Esta tinha um pêlo ruivo, muito limpinho e era extremamente meiga e dedicada ao tratador.

O último ponto da visita é a chamada jaula Gucci, trata-se da jaula onde se encontram os crocodilos que estão prontos para abate.




Terminada a visita à quinta de crocodilos, foi altura de almoçar num buffet italiano. A comida era excelente e abundante. Foi comer até cair para o lado. Depois de almoço, só nos apetecia dormir uma boa sesta, mas esperava-nos uma caminhada de 2,3 Km numa passadeira elevada ao nível das copas das árvores. Apesar de não apetecer, a caminhada valeu a pena pois oferece uma vista fantástica sobre a floresta, oferece informação sobre as espécies que vamos encontrando e termina numa torre com uma vista panorâmica sobre um riacho e um vale ao fundo. A informação que obtivemos nesta visita foi-nos dada, principalmente, pelos cartazes que vão surgindo ao longo da passadeira, tenho o guia falado muito pouco em inglês.

Depois da longa caminhada, quando já estava pronto para continuar a sesta, o guia ainda disse que íamos fazer nova paragem numa outra catarata, um pouco mais à frente. Eu, só consegui esboçar um sorriso amarelo e resignar-me à minha sorte. Antes de chegar à catarata, ainda passámos por uma plantação de chá e parámos à beira da estrada, num ponto de venda automática de chá. Este funciona exactamente da mesma forma que o ponto de venda automática de bananas que descrevi atrás. Ninguém quis comprar ou roubar chá.

A última paragem do tour foi numa catarata, mais pequena que as Josefine's falls mas, também, oferecendo uma vista muito bonita. Perto desta catarata, numa zona do rio com águas mais calmas, formando piscinas naturais, é possível tomar banho. No nosso grupo ninguém tinha fato de banho, pelo que ninguém experimentou. O guia disse que a água estava a boa temperatura, mas mais fria que a do mar. De realçar que, perto da zona de estacionamento, existem balneários para uso gratuito pelos banhistas. Os australianos sabem mesmo fazer as coisas com pés e cabeça!




Quando regressámos à carrinha, já não tinha sono nenhum, pelo que vim a conversar com o motorista enquanto os restantes dormiam como porcos. Aproveitei para perguntar onde é que podia ver os grandes "road trains", típicos da Austrália mas, aparentemente, só se podem encontrar no interior do país, uma vez que são proibidos perto das cidades. Estes enormes camiões podem atingir os 65 metros em conjuntos de 5 atrelados!

Resolvemos terminar o dia na piscina do hotel. Antes de jantar tratámos do check-in on-line. Desde que começámos a fazer o check-in antecipadamente, temos conseguido sempre lugares à janela. Acho que nunca mais vamos fazer o check-in tradicional! Depois de toda a burocracia tratada, saímos para jantar num japonês merdoso e para um espectacular gelado no Dolce Gelatti. No caminho para o hotel, a Vaselina ainda aproveitou para comprar algumas bugigangas para oferecer à família e amigos. Ao chegar ao hotel, ainda com muitas energias para gastar, adivinhem o que fomos fazer para o quarto.

Aqui termina a nossa viagem à Austrália, que apesar dos seus altos e baixos, correu bastante bem e foi bastante agradável. Como ponto alto temos Sydney que é uma cidade lindíssima e imperdível, na nossa opinião. Termina a nossa viagem à Austrália, mas não terminam as nossas férias, daqui vamos seguir para a Nova Zelândia, para mais 5 dias na ilha do norte. Como já estou cansado de tanto escrever, passo a caneta à Vaselina que também tem que fazer qualquer coisa.




Dia 10 – 10-04-2010 – Cairns – Sydney - Auckland

Este dia começou mal para o Amílcar. É que após fazermos check-out e imprimirmos os bilhetes de avião (gravados em PDF), íamos passar o resto da manhã nas compras. Quero apenas deixar uma palavra de apreço para a forma excelente como fomos tratados pelo pessoal do hotel Sebel em Cairns. Um hotel que recomendamos a todos os níveis.

Quando saímos do hotel em direcção às lojas, o Amílcar lá vinha de ombros caídos e ar resignado. Esforcei-me por fazer as compras rapidamente mas... sabem como é... Quando dei as compras por terminadas, fomos comer o último gelado ao Dolce Gelatti (tantos sabores para experimentar e tão pouco tempo) e seguimos para o hotel, onde nos iriam buscar para transporte ao aeroporto. O transporte atrasou-se um pouco ao contrário do que tinha sido habitual na Austrália e o Amílcar já estava a panicar. Apesar do atraso chegámos com bastante tempo de antecedência ao aeroporto, uma vez que já tínhamos o check-in feito.

O Amílcar aproveitou o tempo de seca no aeroporto e nos voos para escrever a parte dele do relato da viagem à Austrália. Eu, como ainda não tinha nada para escrever em relação à Nova Zelândia aproveitei para ler A Viagem do Elefante do Saramago.

O voo até  Sydney decorreu sem incidentes dignos de nota porém, no aeroporto de Sydney, perdemos demasiado tempo a deslocar-nos do terminal nacional para o internacional, de autocarro. Chegados ao terminal internacional tivemos que preencher mais um daqueles papelinhos cor-de-rosa com dados quase iguais aos do papelinho que tivemos que preencher à chegada e que o oficial da alfândega atirou para o lado sem ler.  O controlo de segurança também não foi rápido. Quando passámos a segurança, já estava a indicação de "Final Call" no nosso voo... e nós ainda não sabíamos onde era a porta de embarque... O Amílcar já estava stressado. Quando avistámos a porta ao longe, decidimos ir ao WC antes de embarcar. Entretanto os avisos sonoros de last call para o nosso voo iam-se repetindo. Estava eu ainda com as calças em baixo, no WC quando nos chamam pelo nome no altifalante. Lá me despachei à pressa, a tentar imaginar a cara do Amílcar. Quando saí da casa de banho, vi que ele já se encontrava a falar com os funcionários da porta de embarque. Acho que se tivesse o cartão de embarque já estaria dentro do avião. Afinal ainda havia gente (4 pessoas) mais atrasada que nós.




Depois do embarque, novo stress, desta vez por causa dos impressos de entrada na Nova Zelândia. Os impressos eram em tudo semelhantes aos da Austrália e faziam as mesmas perguntas: esteve em contacto com animais nos últimos 30 dias; esteve em zonas rurais nos últimos 30 dias, transporta alimentos ou produtos de origem alimentar; etc. e tal. Nós tínhamos estado em zonas rurais e em contacto com animais e, desta vez, não podíamos mentir como tínhamos feito à entrada da Austrália pois era possível confirmar. Respondemos que sim às questões e esperámos para ver o que acontecia. O Amílcar continuava stressado.

Ao chegar à área de Quarentena, fomos para uma fila diferente dos que tinham respondido não a tudo, onde nos perguntaram com que tipo de animais tínhamos estado em contacto. Quando perceberam que eram animais de Zoo, mandaram-nos à nossa vida. Depois disto, ainda passaram todas as nossas malas pelo raio X e estávamos safos. A Nova Zelândia leva a quarentena ainda mais a sério que a Austrália, só gostava de saber é se este aparato todo serve para alguma coisa...

Ao entrar na sala das chegadas, estranhámos o facto de não estar ninguém com uma placa com o nosso nome. Passados cerca de 10 minutos, lá apareceu um Peruano que falava bom português para nos receber e levar ao hotel. Pelo caminho o guia foi falando da Nova Zelândia, dando informações úteis. Após check-in no hotel Rydges Auckland, o guia explicou-nos no mapa onde ficavam as instalações da Budget onde iríamos levantar o carro no dia seguinte e onde ficavam algumas casas de câmbio para comer e cambiar dinheiro.

Instalámo-nos no quarto medíocre e preparámo-nos para dormir, uma vez que tínhamos perdido 2h devido ao fuso horário e já eram quase 02:00h. Antes ainda houve tempo para fazer amor, que é uma coisa que tem que ser feita à medida que se vai gastando.





The End


Este texto continua no relato da vieagem à Nova Zelândia.



E lembrem-se, não se deixem apanhar.