domingo, 31 de maio de 2009

Camboja


Factos:

Reino do Camboja

Capital: Phnom Penh

Língua Oficial: Khmer

Rei (2009): Norodom SIHAMONI.

População: 14,494,293

Moeda: Riel

Fuso Horário: UTC +7h

Electricidade: 220V, 50Hz







Independência: 09-11-1953 (de França).

Esperança média de vida: 62 anos

Alfabetização: 73,6%

Quando ir: Abril, Maio e Outubro para o melhor equilíbrio entre temperatura e chuva.

Clima: Tropical quente, com monções (seca e fria; quente e chuvosa).




Camboja – 31-05-2009 a 04-06-2009

A viagem ao Camboja começou como uma mera extensão da viagem ao Vietname, mas depressa ganhou estatuto próprio. Cedo começámos a gostar bastante da cultura, da arquitectura, mas principalmente da hospitalidade dos Khmers.

Em relação ao equipamento fotográfico, tal como na viagem ao Vietname (quem diria?), o Amílcar usou uma Nikon D300, com uma lente Nikkor 18-200mm DX, uma Nikkor 50mm f1.4 e um flash Nikon SB-400. Esta máquina uma vez mais mostrou  grande fiabilidade, impermeabilidade e, principalmente qualidade de imagem. Eu fotografei com uma Panasonic Lumix LX3 que fez jus a tudo o que de bem dizem dela. A qualidade das imagens é irrepreensível para uma máquina de bolso. Tem quase todas as funcionalidades e controlos manuais que a D300 tem e os tempos de resposta também são do melhor que já usei. Como backup levámos uma Olympus u770 que praticamente não usámos devido à má qualidade dos resultados.





Dia 1 -  31-05-2009 - Saigão - Siem Reap

Chegámos a Siem Reap pelas 12:40h. À nossa espera estavam um guia e um motorista de acordo com o programado mas, ao contrário daquilo que esperávamos, não nos dirigimos para um carro imaculadamente limpo e novo. Encaminharam-nos para uma carrinha da marca Ssangyong, disfarçada com uns logotipos da Mercedes Benz, com algum pó tanto no exterior como no interior. E não, não me estou a referir a esse tipo de pó. Pelo menos tinha ar-condicionado.

Tanto o guia como o motorista cedo revelaram a famosa hospitalidade khmer fazendo os possíveis por nos agradar. No Vietname, os guias davam-nos uma garrafa de água natural por dia (a cada um), o que com as temperaturas que se faziam sentir davam para fazer chá. No Camboja tínhamos uma geleira cheia de garrafas de água bem frias e toalhetes refrescantes. Ainda perguntei pelas cervejas, mas não tive sorte...




Começámos a nossa visita pelo... hotel Somadevi Angkor (****) que não tinha internet à borla, custava $3 por hora, mas apesar deste handicap gostámos bastante e fomos cá muito mimados. Lá está a tal hospitalidade khmer. Toda a gente é atenciosa, prestável e simpática. Apesar da simpatia, os khmers  acham que quem tem dinheiro para chegar ao Camboja como turista deve nadar em dinheiro e, como tal, tem obrigação de o partilhar. Connosco não tiveram muita sorte porque nós somos mesmo “pé descalço”. Houve mesmo uma vendedora que me disse na cara que se não tivesse dinheiro não vinha para cá. Pelo menos admiro a frontalidade.

Todos os almoços, no Camboja, foram no hotel e todos os jantares foram em restaurantes locais em regime de menus de degustação. Instalámo-nos, almoçámos e finalmente começámos a explorar os templos.

Siem Reap (que quer dizer vitória sobre Sião - ou Tailândia, como é conhecida nos dias de hoje) tem quase 1000000 de habitantes que vivem maioritariamente do turismo. Tudo em Siem Reap gira à volta da civilização Angkor e dos seus templos e cidades.




Todos os templos na região de Siem Reap podem ser visitados apenas com um passe de 1 dia, 3 dias ou uma semana. Nós já tínhamos um passe de 3 dias que custa $40, mas apesar disso ainda tivemos que parar no guichet para tirar uma fotografia e imprimir o bilhete. Este bilhete é solicitado sempre que se entra na zona dos templos e sempre que se entra em cada um dos templos. Ainda pensei que mo iam pedir quando fosse ao WC, mas não chegaram a tanto.

O primeiro templo que visitámos foi o Prasat Kravan, o que pronunciado pelo nosso guia soava a “jkashdjksa awhioweuy”. este templo distingue-se pelas suas paredes interiores, de tijolo serem esculpidas. Habitualmente os templos são construídos com laterita (uma rocha que se assemelha a tijolo) e revestidos com arenito que é uma rocha macia e fácil de esculpir. O tijolo e a laterita, pelo contrário são difíceis de esculpir. Este templo Hindu foi construído em 921 pelo rei Harshavarman I e foi restaurado em 1968.




Todos os reis da civilização Angkor têm o sufixo “varman” que se pode traduzir por armadura ou protector. De todos os reis Angkor, aquele que é responsável pelo maior número de construções é o Jayavarman VII que é considerado o  mais grandioso dos reis-Deus de Angkor.

Enquanto nos dirigíamos para o templo seguinte, saboreando água fresca e um toalhete refrescante, o guia contou-nos que o turismo ainda está numa fase inicial, no Camboja pois o país apenas está em paz há cerca de 10 anos. Tendo passado pela guerra do Vietname, pelos Khmers Vermelhos e por uma guerra civil, o Camboja é ainda um país em ruínas e completamente pejado de minas terrestres. É aconselhável NUNCA se sair dos trilhos para não pisar nenhuma destas minas. O perigo é real e são visíveis muitas vítimas destas minas.




Visitámos de seguida o Banteay Kdei que é um enorme mosteiro budista construído no século XII pelo rei Jayavarman VII. Este templo, apesar de estar completamente em ruínas (a sua torre central não chegou sequer a ser construída), é magnificente e vale a pena a visita porque  tem menos visitantes que o Ta Prohm. Claro que se a Angelina Jolie tivesse filmado aqui o Tomb Raider as coisas seriam de outra forma.

Do lado oposto à entrada do Banteay Kdei fica o Srah Srang que é um lago artificial reservado para o rei e suas mulheres para banhos de purificação. Não estou muito certa que os miúdos que via a tomarem banho aqui tivessem sangue real, mas posso estar enganada... Este foi a única atracção onde não nos pediram o cartão de identificação. Que maçada estar sempre a mostrar o bilhete.



Nova viagem de carrinha até Eastern Mebon que fica no centro do Eastern Baray (um reservatório artificial, de água com 7 Km por 1.8 Km, e que actualmente se encontra seco). O Eastern Mebom é um templo Hindu construído por Rajendravarman II entre os anos 944 e 968. Este templo está guardado por elefantes de pedra em excelente estado de conservação.

Os templos de Angkor (Hindus e / ou Budistas) têm, habitualmente, 3 níveis ou pisos. No 3º nível existem 5 torres. A central representa o monte Meru (montanha mítica nas religiões budista e hindu) e as restantes 4 as montanhas que rodeiam o mundo. As portas dos edifícios estão orientadas a Este por causa do nascer do sol. Existem portas falsas orientadas aos restantes pontos cardeais. O Eastern Mebon não é excepção a esta regra.



O último templo-montanha do dia foi o Pre Rup, construído 961 por Rajendravarman II e dedicado ao deus Shiva (deus da destruição). Aqui encontram-se 2 edifícios com a entrada virada a Oeste, ao contrário da grande maioria. Esta orientação ao por-do-sol deve-se ao facto de se tratarem de crematórios, associados ao fim da via.

Enquanto esperávamos pelo por-do-sol, fomos assediados por dezenas ou milhares de vendedores ambulantes a oferecer as mais variadas bugigangas. À entrada de todos os templos estão barraquinas de vendedores que quando  avistam uma vítima correm em hordas gritando frases como “ahhh, you buy lady” ou “T-shits sir, many pretty” O Amílcar já não podia com os vendedores. Eu comprei 10 postais por 1 dólar a uma menina, depois de ambas chatearmos o Amílcar até à exaustão uma vez que era ele que guardava o dinheiro.




Enquanto esperávamos, um miúdo meteu conversa com o Amílcar, perguntou-lhe de onde era e respondeu-lhe logo “Obrigado” ao saber que éramos de Portugal. O puto era inteligentíssimo e falava um sem número de línguas. Vi-o a manter uma conversa em chinês, que começou com o habitual “queres comprar estas merdas que tenho aqui para vender” e terminou com citações de Confúcio. Perguntámos-lhe como tinha aprendido e respondeu o obvio “a vender coisas aos turistas”. Disse que falava castelhano, inglês, francês alemão, chinês, japonês, holandês e mais algumas das quais já não me recordo. Infelizmente não falava alentejano pelo que o Amílcar o ensinou a dizer “boa sorte” e “adeus”. O seu inglês, era bastante bom.

Ainda nos mostrou ao longe a torre mais alta de Angkor Wat. À despedida o Amílcar, apesar de não lhe ter comprado nada, pediu-lhe para tirar uma foto e deu-lhe $2. Está a ficar mole...




A última  paragem foi num restaurante local para experimentarmos as iguarias locais. Mais uma boa surpresa. A comida é excelente! No menu estava escrito que os vegetais crus eram lavados com água mineral e podiam ser comidos em segurança. Nós não precisávamos deste aviso para os experimentar, mas ficámos mais descansados.

Enquanto comíamos as entradas formou-se uma tempestade enorme (não se esqueçam que estávamos na monção das chuvas) pelo que mal tivemos tempo de sair da esplanada sem nos molharmos. À semelhança do Vietname, as sobremesas foram uma decepção. Será que quem sabe cozinhar bem, não consegue aprender a fazer sobremesas? O Amílcar também sofre deste mal... mas esse nem sequer sabe cozinhar bem...

Depois de jantar o motorista levou-nos ao hotel, onde fizemos o amor e fomos dormir à pressa.




Dia 2 -  01-06-2009 - Siem Reap

Nem sei bem a que horas acordámos, apenas sei que tínhamos que estar prontos às 05:30 para assistir ao nascer do sol em Angkor Wat. O Amílcar parecia um zombie. Ao chegar ao destino, enquanto éramos atacados por milhares de vendedores, percebemos que as nossas máquinas fotográficas também estavam a dormir e cheias de ramelas no olhos... Devido à diferença de temperatura e à extrema humidade, estavam ambas embaciadas. Aquilo que dizem os manuais é para as colocar no exterior e esperar que a condensação desapareça e era isso mesmo que o Amílcar queria fazer. Isto apresentou-nos um pequeno problema, é que o Sol continuava a subir  nós sem poder fotografar.

Finalmente lá se decidiu a limpar as lentes com um toalhete apropriado e começámos a disparar. Em algumas fotos é visível uma névoa.

Angkor Wat estava apinhado de turistas a admirar o nascer do Sol. O guia levou-nos até um dos lagos para que se visse o reflexo do templo nas águas. Este é o maior edifício religioso do mundo e isso percebe-se ainda no exterior. Tudo é grande e grandioso. A sua beleza é de cortar a respiração. É o único templo de Angkor que nunca esteve ao abandono e como tal o que está em melhor estado de conservação.



Foi construído no início do século XII pelo rei-deus Suryavarman II para lhe servir de mausoléu. Esta teoria é sustentada pelo facto de, ao contrário da maioria dos templos, as suas portar serem orientadas a Oeste. Inicialmente dedicado a Vishnu (deus da preservação), passou mais tarde a dedicado a Buda.

Como a maioria dos templos-montanha de Angkor, representa o universo, com a sua torre principal a simbolizar o monte Meru, os 2 níveis inferiores a representar os continentes e o fosso a representar o oceano. O 3º nível representa o céu ou o reino dos Deuses e as escadarias são incrivelmente íngremes. Isto deve-se ao facto de não ser fácil subir aos céus. Devido a obras de restauro, não nos foi possível subir aos céus. Esta subida teria sido facilitada por escadas de madeira com corrimão de um dos lados do 3º nível. Os Khmers são o exemplo a seguir na forma como tratam os seus turistas. Em todos os templos cujas escadarias não estão nas melhores condições, existem escadas de madeira para melhorar a segurança.




Ao longo das paredes do 1º nível foram esculpidos baixos relevos de grande detalhe com cenas religiosas, batalhas ou episódios do dia-a-dia. Angkor Wat é também conhecido pelo filme Tomb Raider, com a famosa Agelina Jolie.

Depois da visita regressámos ao hotel para o pequeno-almoço. O Amílcar que nunca tem apetite de manhã, comeu como um alarve, até comeu bacon, feijão e outras coisas estranhas a que conseguiu deitar a mão. Acordar cedo faz bem ao apetite.

Já bem alimentados, continuamos a nossa visita pelos templos de Angkor. Visitámos o Banteay Srei que é considerado a jóia da coroa da civilização Angkor. As gravações na parede são das mais finas de todo o mundo, algumas das quais são tridimensionais, sendo que tal modo finas que há historiadores que crêem que foram esculpidas por mulheres. Este templo, dedicado a Shiva, começou a ser construído em 967 não por um rei, mas por um Bhraman de nome Yajnavaraha.



Estava na hora de visitar o Ta Prohm que foi tornado famoso pela Angelina Jolie e pelo facto de ter sido engolido pela selva e ainda se encontrar como foi encontrado pelos exploradores europeus. Tem uma atmosfera única e, apenas por causa disto  (e da Angelina) merece uma visita. quem jogou Tomb Raider vai reviver aqui muitas memórias.

Este é o 3º maior templo de Angkor, logo ao seguir ao Bayon e a Angkor Wat. Foi mandado construir pelo rei Jayavarman VII como um templo budista dedicado a sua mãe.




O guia tinha-nos sugerido almoçar mais tarde para conseguirmos ver tudo o que tínhamos agendado para este dia e ficarmos com a tarde livre pelo que ao terminarmos a visita ao Ta Prohm terminamos o nosso programa para o dia. No caminho de regresso o Amílcar ainda deu $2 a uma banda de vítimas de minas terrestres. Está mesmo a ficar mole. Será da idade?

Enquanto almoçávamos no hotel caiu uma chuvada torrencial, mas isto não nos demoveu de passarmos a tarde na piscina. Logo que acabámos a refeição, fomos ao quarto dormir 10 minutos, equipamo-nos e saímos para a piscina. As espreguiçadeiras ainda estavam molhadas e nós, em breve, também íamos estar.




Passámos a tarde na piscina e no jacuzzi. Tínhamos jantar marcado noutro restaurante local às 19:30h e o motorista lá estava pontualmente à nossa espera. A comida estava deliciosa e as sobremesas insípidas. Durante todo o jantar estava uma rapariga a tocar música de “enrrabar passarinhos”. No nosso hotel, pela manhã também está uma menina, diariamente, a tocar o mesmo género de música. De início acha-se piada, mas depois comecei a achar irritante, pois é sempre a mesma coisa. Muitos passarinhos se enrrabam no Camboja...

Depois de jantar, inspirados pela música, fizemos sexo e dormimos.




Dia 3 -  02-06-2009 - Siem Reap

Começámos o dia com uma visita ao Preah Neak Pean que representa o Anavatapta, um lago mítico nos himalaias cujas águas curam todas as doenças. Este foi um dos vários hospitais que o rei Jayavarman VII construiu (este gajo devia estar feito com os construtores civis da época). O seu nome traduz-se como “Serpentes entrelaçadas”. A Naga é uma serpente mítica com 3, 5 , ou 9 cabeças. A forma mais comum tem 7 cabeças (daí a expressão “bicho de 7 cabeças)”.

De seguida visitámos o Preah Khan que, à semelhança do Ta Prohm, se encontra por restaurar. Este templo foi construído por Jayavarman VII (incansável) em 1191 para comemorar a vitória contra os Chams. Uma característica única deste templo é um edifício de 2 andares com colunas cilíndricas.















Estava na hora de visitar a cidade de Angkor Thom que significa grande capital e foi construída pelo rei... adivinharam, Jayavarman VII. Aqui, visitamos o terraço do rei leproso, que presta homenagem a um rei que tinha lepra e que se isolou para evitar contagiar outras pessoas.

Imediatamente ao lado, fica o terraço dos elefantes, local onde o rei Jayavarman VII observava o seu exercito vitorioso a regressar do campo de batalha, onde se realizavam cerimónias públicas, as audiências do rei e valentes bacanais sempre que surgia a oportunidade.




A próxima paragem foi no Phimeanakas, um templo em forma de pirâmide onde o rei tinha que passar as primeiras horas da noite com uma bela rapariga “naga” e, nem mesmo a rainha era permitida no templo naquele período. Caso o rei não comparecesse todas as noites, grandes calamidades aconteceriam ao reino. O gajo não devia ter uma vida nada fácil. Ser obrigado a ter sexo com raparigas mais novas, giras e disponíveis diariamente. Afinal o gajo era rei ou escravo sexual? No topo da pirâmide estão estudantes que dão algumas explicações a troco de alguns dólares e que culpam os Khmers Vermelhos por tudo, desde o estado de conservação dos monumentos, à pobreza do país. Segundo eles o Pol Pot é responsável pela Ana Malhoa ter pousado nua para a Playboy e pela morte do Michael Jackson.

Apenas faltava visitar o Bayon que é o 2º maior templo da região de Angkor. Este distingue-se dos restantes não só pelas dimensões mas, principalmente, pelas suas torres decoradas com faces gigantes de Budas. No 3º nível temos mesmo a sensação que subimos aos céus, rodeados e observados por dezenas de Budas sorridentes. Ou será que subimos aos infernos? Nunca ouvi falar de um céu assim tão quente... O Bayon foi construído no final do século XII pelo rei Jayavarman VII e ocupa o centro da cidade de Ankor Thom.




Enquanto saíamos de Angkor Thom, o guia mostrou-nos pequenos edifícios que eram usados para resolver disputas entre o povo. Sempre que 2 pessoas tinham uma disputa, eram fechadas dentro de um destes edifícios, sem água nem comida. O primeiro a adoecer era considerado culpado. Simples e eficaz.

Parámos na porta norte de Angkor Thom para admirar a sua beleza e da ponte que a antecede, ladeada de figuras de pedra.

Tal como no dia anterior, o guia queria mandar-nos às nossas vidas à hora de almoço, mas nós, desta vez, não lhe facilitámos a vida e pedimos-lhe para regressar a Angkor Wat. Ele acedeu e marcámos para as 16:30h, para termos algum tempo de piscina.




Depois de mais um almoço no hotel e de mais um mergulho nas piscina, estávamos prontos para regressar a Angkor Wat. O guia lá estava, pontualmente, à nossa espera. Ainda nos tentou dissuadir dizendo que estava a chover e que ia piorar, mas continuou sem sorte. Estávamos mesmo decididos e nem sequem uma chuvada torrencial nos iria demover. Chegados a Angkor Wat deu-nos um guarda-chuva e disse que esperava na carrinha. Ainda bem, pois assim podíamos explorar à nossa vontade. À medida que percorríamos o corredor que dá acesso ao 1º nível, cruzavamo-nos com os restantes turistas que dirigiam para a saída enquanto nós estávamos a chegar. Nunca chegou a trovejar, mas ainda choveu com alguma intensidade e o chão estava coberto de água.

A dada altura ouvi um estrondo atrás de mim, olhei para trás e vi o Amílcar derramado (ou como ele gosta de dizer “de patas para o ar”) no chão, dentro de uma poça enorme. Só tive tempo de lhe perguntar - Sabes nadar? Ele sabia e pouco tempo depois, já em “terra firme” limpou a D300 que também foi ao banho e continuámos a visita.




O plano era observar todos os baixos-relevos do 1º nível e explorar o 2º, mas mal conseguimos terminar o 1º nível e os guardas começaram logo a expulsar os poucos resistentes que ainda se encontravam no interior. Estava na sua hora de saída e não havia nada que lhes prejudicasse a pontualidade.

Regressámos à carrinha e dirigimo-nos para o restaurante. No jantar estava incluído um espectáculo de danças típicas. Ou será que no espectáculo de danças típicas é que estava incluído o jantar? Ainda não consegui perceber... Mas como sou loira e mamalhuda não preciso de me preocupar com estas banalidades.

Depois de esperar 40 minutos que o teatro abrisse as portas lá entrámos e começamos a comer. A comida... deliciosa, claro. Até as danças foram engraçadas ao contrário daquilo que estou habituada. Depois do espectáculo tivemos que acordar o motorista que tinha adormecido na carrinha. Ainda com os olhos cheios de ramelas lá nos levou ao hotel e foi à vida dele.




Antes de fazermos o amor e dormir, ainda estive a escrever os postais para a família e amigos.



Dia 4 -  03-06-2009 - Siem Reap - Bangkok - Madrid - Lisboa

Pela manhã e ainda antes de fazer check out visitámos o lago Tonlé Sap que é o maior lago de água doce do Sudeste Asiático. Na estação seca, as águas deste lago fluem para o rio Mekong, enquanto que na estação das chuvas as águas  fluem do Mekong para o lago, fazendo com que a sua área aumente várias vezes.

Neste lago há várias cidades flutuantes onde vivem maioritariamente vietnamitas e pessoas de etnia Cham. Estas pessoas vivem aqui durante todo o ano e, à medida que as águas vão subindo ou descendo, as pessoas deslocam a sua casa flutuante. Vimos várias famílias a mover a sua casa. Uma delas provocou um engarrafamento de quase 30 minutos porque se cruzou com outra num canal relativamente estreito. A cidade flutuante tem, à semelhança de uma cidade fixa, todas as infra-estruturas habituais. Vimos escolas, igrejas e até um campo de basket flutuantes.




À saída do barco estava uma menina a querer vender-nos 2 pratos pela astronómica quantia de $10. Quando vimos que tinha a nossa fotografia (essa mesma que não sabíamos que nos tinham tirado) comprámo-los. Totós...

O Amílcar pediu para  fazermos check out às 13:00h e a recepcionista acedeu. Lá simpáticos são eles. Tomámos um duche rápido e abandonámos o quarto. No restaurante do hotel entregámos as últimas senhas de refeição. Sim, aqui tínhamos que entregar senhas tanto para o pequeno-almoço com para o almoço. Parecia que tínhamos voltado à cantina da escola.




Depois de almoço, fomos à internet durante 1h ($3) e deixámos os postais na recepção para serem enviados para Portugal. A recepcionista pediu-nos $1 por postal para o selo. O Amílcar começou logo a dizer que os postais nunca iriam chegar e que a recepcionista nos tinha ficado com o dinheiro. Eu não acreditei, mas à medida que o tempo passa e os postais não chegam, cada vez fico mais convencida que ele tem razão. -- Um mês e meio depois, os postais chegaram finalmente, obrigando o Amílcar a provar o seu próprio veneno. Humanidade 1 - Amílcar 0.

Antes de nos dirigirmos para o aeroporto, ainda visitámos uma loja de artesanato caríssima, mas com coisas muito giras e um mercado.

No aeroporto tivemos que pagar mais $20 para sair do país a somar aos $20 já pagos pelo visto de entrada. Chulos! Enquanto esperávamos pelo voo comemos uma noodle soup e, qual não foi o nosso espanto quando, ao pagar nos disseram que tinham que dar o troco em rebuçados porque não trabalhavam com moedas. O quê? O Amílcar disse logo que nunca mais lá punha os pés.




Ao embarcar para Bangkok tivemos mais uma surpresa agradável (pelo menos na opinião do Amílcar) o avião era um turbo-hélice e nós nunca tínhamos voado num. Como é um avião relativamente pequeno e mais eficiente a baixa velocidade que os jacto, os pilotos brincam com ele e tendem a fazer movimentos mais bruscos na descolagem e aterragem.

O restante percurso decorreu dentro da normalidade, valendo a pena referir que se passa demasiado tempo nos aeroportos o que se torna cansativo. Ainda bem que os meus tios nos foram buscar ao aeroporto da Portela.




The End


Escrito por  Vaselina.

E lembrem-se, não se deixem apanhar.