sábado, 23 de maio de 2009

Vietname


Factos:


Republica Socialista do Vietname (Viet Nam)

Capital: Hanói (Ha Noi)

Língua Oficial: Vietnamita

Presidente (2009): Nguyen Minh TRIET.

População: 86,967,524

Moeda: Dong (VND)

Fuso Horário: UTC +7h

Electricidade: 220V, 50Hz







Independência: 02-09-1945 (de França).

Esperança média de vida: 71 anos

Alfabetização: 90,3%

Quando ir: Abril, Maio e Outubro para o melhor equilíbrio entre temperatura e chuva.

Clima: Tropical quente, com monções (seca e fria; quente e chuvosa).




Vietname – 23-05-2009 a 31-05-2009

A primeira viagem cultural ao Oriente e aquela que se viria a ocupar a 1ª posição no nosso ranking de viagens ,empatada com a viagem ao Peru. O Vietname é um país lindíssimo com uma grande variedade de atracções, de onde se destacam as pessoas, a comida, a natureza e, claro, aquilo pelo qual as pessoas melhor conhecem o país, a guerra. Jeremy Clarkson disse, quando esteve no Vietname que, para a maioria das pessoas, que o Vietname não era um país, mas sim uma guerra. Infelizmente tenho que concordar com ele. Escrevo este relato para tentar dar a conhecer um pouco deste maravilhoso país.

Em relação ao equipamento fotográfico, eu usei uma Nikon D300, com uma lente Nikkor 18-200mm DX, uma Nikkor 50mm f1.4 e um flash Nikon SB-400. Esta máquina uma vez mais mostrou  grande fiabilidade, impermeabilidade e, principalmente qualidade de imagem. A Vaselina fotografou com uma Panasonic Lumix LX3 que  fez jus a tudo o que de bem dizem dela. A qualidade das imagens é irrepreensível para uma máquina de bolso. Tem quase todas as funcionalidades e controlos manuais que a D300 tem e os tempos de resposta também são do melhor que já usei. Como backup levámos uma Olympus u770 que praticamente não usámos devido à má qualidade dos resultados. Se o nosso talento fosse proporcional ao nosso equipamento, teriam aqui fotos dignas de Sebastião Salgado.





Dia 0 - 23-05-2009 - Lisboa - Madrid - Bangkok - Hanoi

Partida de Lisboa às 09:05 com destino a Madrid. De Madrid saímos às 13:25 em direcção a Bangkok, num voo com duração de 12h. O voo revelou-se uma agradável surpresa pois foi a 1ª vez que andei num Boeing 747-400. Por um lado estava desejoso de experimentar um 747, mas por outro tinha medo que os passageiros fossem tratados como gado. Quando, por fim entrámos no avião e nos instalámos, pudemos constatar que havia espaço suficiente para as pernas. De todos os aviões onde voei até hoje, o 747 da Thai foi o mais espaçoso. De realçar que os bancos do 747 eram fabricados pela marca Recaro, a mesma que faz os bancos para alguns automóveis desportivos.

A companhia foi a Thai, que se manteve à altura de toda a fama que tem. As hospedeiras era giras, simpáticas e acima de tudo eficientes. O serviço foi excelente, a comida bastante boa e levou-nos ao destino em segurança.




Dia 1 - 24-05-2009 - Hanói

O voo de Bangkok para Hanói partiu às 07:45h locais, do dia 24-05-2009 e chegou a Hanói às 09:35h sem percalços.

No aeroporto, à entrada, estava uma equipa de médicos a recolher as nossas declarações de saúde, sem sequer olhar para elas, mas estavam também a olhar para uma câmara de infra-vermelhos para tentar rastrear possíveis casos de gripe suína ou gripe A. Voltámos a ver este aparato no Camboja e na Tailândia. Caso se tomem medicamentos para a febre, estas câmaras são inúteis, mas as autoridades continuam a confiar nelas. Ainda tivemos que  obter o visto de entrada e pagar $25 por pessoa. Pelo menos à saída não nos cobraram nada.

À nossa espera estavam o nosso guia e o motorista, mas ao contrário daquilo que é habitual neste tipo de programas não nos dirigimos para uma carrinha de 9 lugares, mas sim para um automóvel de 5 lugares. Durante a nossa estadia no Vietname, tanto no norte como no centro andámos sempre em automóvel, apenas os 2, com o guia e o motorista. até nos abriam as portas para entrar e sair do carro. Só faltou mesmo estenderem a passadeira vermelha. Ofereceram-nos inclusive 2 T-shirts. Parecíamos chefes de estado ou realeza.

O guia, ao contrário daquilo que esperava falava um inglês muito mau, comia o final das palavras e falava para dentro. Era um verdadeiro suplício compreender o que dizia. A Vaselina nem se dava ao trabalho. Para compensar esta falha o guia era extremamente prestável, simpático e competente.

Como os hotéis apenas permitem fazer check in após as 14:00h, o nosso guia aconselhou-nos a começar com o itinerário programado e deixar o check in para a parte da tarde. Concordámos com a sugestão e fomos imediatamente para o Mausoléu de Ho Chi Minh.




Apenas visitámos o exterior do mausoléu pois o mesmo só se encontra aberto de 3ª-feira a 5ª-feira, Sábado e  Domingo, das 08:00h às 11:00h, e nós já chegámos ao local  depois das 11:00h. Não fazem parte dos nossos interesses espectáculos mórbidos e grotescos, mas fartei-me de ler que vale a pena ver o corpo embalsamado do tio Ho, e ver a forma como a maioria dos visitantes vietnamitas lhe presta reverência ainda hoje, passados tantos anos da sua morte. Infelizmente não foi possível. Ainda nas imediações fica a residência oficial do presidente, o museu de Ho Chi Minh e a sua residência particular, uma simples casa construída em cima de estacas. Todos estes pontos de interesse estavam fechados. Pelo que o nosso guia nos disse os funcionários públicos levam muito a sério o seu horário de saída. Ora aqui está um ponto em comum com Portugal. Será que há mais?

Após um curto passeio pelo exterior dos edifícios, visitámos o  “One Pillar Pagoda” que é uma réplica do pagode original construído em 1049 e destruído pelos franceses quando saíram de Hanói em 1954. Trata-se de um pagode minúsculo construído em cima de um pilar. Aqui o guia explicou-nos a diferença entre um templo e um pagode. Num pagode veneram-se deuses (Buda), num templo presta-se homenagem a personalidades importantes e influentes, tais como antigos imperadores.




Da zona do mausoléu, seguimos de carro para o templo da literatura que foi a 1ª universidade do Vietname. Este é um raro exemplo da arquitectura antiga do Vietname que se encontra em bom estado de preservação. Foi fundado em 1070 e dedicado a Confúcio com o objectivo de formar os filhos dos mandarins.

Aqui descobrimos que durante anos a escrita Vietnamita foi feita usando caracteres chineses (O Vietname foi uma colónia chinesa durante cerca de 1000 anos!), mas que a partir de 1910, foi adoptado o alfabeto ocidental como oficial. Este sistema de escrita foi desenvolvido por missionários portugueses (Gaspar d' Amaral e Duarte da Costa) e franceses (Alexandre de Rhodes,) que modificaram o alfabeto romano com acentos e sinais para se adequarem à pronuncia Vietnamita.




Depois de visitado o templo a literatura, o nosso guia sugeriu que almoçássemos. Disse-nos que conhecia um restaurante bom (VietKitchen) e que nos levava lá por $10 por pessoa desde que não disséssemos nada à agencia (Indochina Ventures). Eu apesar sentir que estava a ser enganado, acedi e lá fomos para o restaurante. A comida era um menu de degustação à semelhança de todas as outras refeições que estavam incluídas no programa. A comida era bastante boa, mas com um toque de caril o que me levou ainda a temer o pior (detesto caril!). No final da refeição apenas nos pediram $3 o que me levou a suspeitar de algo estranho. Quando chegámos ao pé do guia percebemos que era só o preço das bebidas, e que ele tinha pago os pratos. Pedi-lhe factura e ele indicou que se tinha esquecido o que é suspeito, mas ao chegar a Portugal fui ao site e verifiquei que eles têm vários Menus de degustação, alguns abaixo dos $10 por pessoa e outros acima. Resumidamente, se o guia nos enganou, não foi por muito e comemos bastante bem.

Após o almoço tardio fomos finalmente para o hotel Meliá Hanói (*****) onde nos exigiram ficar com os passaportes como garantia, devido ao facto de ter dito que não tinha cartão de crédito. Apesar dos nossos protestos lá ficaram mesmo com os passaportes. O hotel estava em estado de sítio devido à realização da ASEM (Asia-Europe Meeting) no dia seguinte (25-05-2009), obrigando-nos a passar por um detector de metais e raio X sempre que passávamos a área da recepção.




O guia deu-nos 1,5h para os instalarmos e descansar um pouco porque ainda tínhamos pela frente a visita ao templo  Ngoc Son, um passeio de riquexó e um espectáculo de marionetas aquáticas. E nós que já não dormíamos em condições há mais de um dia...

Antes de sairmos do hotel aproveitámos para cambiar $200 por Dongs. Foi a loucura! Apesar de sabermos que um Dólar vale quase 18000 Dongs, ficámos abismados quando nos entregaram quase 4 000 000 de Dongs. Nunca tinha sido milionário na vida, quanto mais multimilionário! Isto estava a começar bem!

O templo  Ngoc Son fica numa ilha do lago Hoam Kiem, conhecido pelas suas tartarugas gigantes. Uma destas tartarugas gigantes está embalsamada  no templo e pesa cerca de 250 Kg.

Terminada a visita ao templo estava na hora de um passeio de riquexó durante cerca de uma hora pela cidade antiga. Este passeio permitiu perceber como funciona o trânsito vietnamita. Já todos nós recebemos vídeos de cruzamentos em que o trânsito flui de forma caótica e continua em todas as direcções, parecendo que só por intervenção divina é que não há um acidente em cadeia. Pois bem nós estivemos no meio de um desses filmes... várias vezes...



O que não se percebe pelos vídeos é que a velocidade a que as coisas se passam é tão baixa que nunca nos sentimos em perigo. Eu ao fim de 10 minutos já estava a lutar contra o sono, mas a Vaselina continuava de olhos esbugalhados. Os condutores só usam as buzinas por 2 razões, por tudo e por nada. As pessoas em geral acham que os sinais de trânsito foram colocados para embelezar as ruas, respeitando apenas os semáforos. Nem sequer os separadores centrais de betão, nas auto-estradas, são respeitados, encontrando-se regularmente ciclistas ou motociclistas em sentido contrário. Todos fazem as piores atrocidades ao volante, mas ninguém se zanga, nem insulta os outros condutores. Trata-se apenas da forma natural de fazer as coisas.

O passeio de riquexó terminou à porta do teatro de marionetas aquáticas que são uma forma de arte característica do Vietname e altamente valorizada. Apesar de não haver espaço nenhum nas cadeiras e de estas serem bastante desconfortáveis, eu dormi todo o espectáculo e a Vaselina também conseguiu dormir um bocado.  Claro que no final dissemos ao guia que tínhamos gostado muito, mas acho que o nosso ar de sono e as ramelas nos olhos não o enganaram.




Finalmente estávamos a caminho do hotel para comer qualquer coisa rápida e dormir, dormir e dormir ainda mais. Nem sequer pensámos em sexo nessa noite.



Dia 2 - 25-05-2009 - Hanoi - Halong Bay

Acordámos tarde e fizemos uma entrada à MacGuyver no pequeno almoço e comemos até cair para o lado. Após o pequeno almoço, fizemos check out e, apesar de ter tudo corrido bem com os passaportes, ao pagar a conta do jantar da noite anterior, a recepcionista não aceitou uma nota de d500 000 que nos tinha sido dada no guichet de câmbios do hotel (ao lado da recepção) e que tinha um canto em falta. Mas tratava-se de uma parte minúscula da do canto. Depois de insistirmos muito e de termos ido ao balcão de câmbios, quem nos ficou com a nota foi o guia que já estava farto de esperar e que era, de facto, atencioso e preocupado, ao contrário da recepcionista que era uma verdadeira FDP. Mais uma bola preta para o Meliá. Também não aceitámos uma nota de d1000 que tinha mau aspecto, só para chatear.

Apesar de serem 11:00h da manhã e de termos comido até cair ao pequeno almoço, apenas 10 minutos atrás, fomos para um restaurante perto do centro de Hanói para um banquete de degustação. Como eu tinha avisado antecipadamente que não comia mariscos e moluscos, trouxeram pratos diferentes para mim e para a Vaselina. Nós mal tocámos nos pratos, mas provámos de tudo. Os pratos eram mesmo deliciosos, mas já as sobremesas deixaram bastante  a desejar em todos os restaurantes em que comemos no Vietname, as sobremesas não sabiam a nada ou apenas nos traziam fruta, esta sim, bastante boa. Recomendo em particular a Dragon Fruit.




Depois de almoço foi a loucura... uma viagem de 130 km até Halong Bay pelas estradas mais perigosas onde alguma vez andei. A foto acima ilustra um pouco do que é o trânsito no Vietname. Um camião a ultrapassar outro numa estrada de 2 sentidos, seguindo logo atrás outro autocarro também  ele a ultrapassar o camião. O nosso carro seguia pela berma com duas rodas na terra. Se observarem o velocímetro do nosso automóvel percebem que apenas vamos a 40Km/h. O que é ridículo é que um carro ou camião a ultrapassar outro veículo qualquer continua na mesma velocidade (quase ao ralenti) apesar de vir outro veículo em sentido contrário quando o que seria lógico era fazer uma redução e acelerar a fundo.

Para se fazerem 130 Km demora-se cerca de 4h pelo que a meio da viagem paramos numa loja de artesanato para ir ao WC e para gastar uns dongs. Nós gastámos quase 2 000 000 num quadro lacado e noutro feito de seda.

Após quase 2h de caos chegámos finalmente a Halong Bay. O guia fez-nos o check in no Novotel (****) e despediu-se até à manhã do dia seguinte. Aproveitámos o resto da tarde na piscina e à noite passeámos por um mercado de artesanato onde jantámos. A cidade de Halong é a Quarteira do Vietname, mas a sua baía, com mais de 3000 ilhas calcárias é património da UNESCO e os vietnamitas têm muito orgulho nisso.




Regressámos cedo ao hotel que tinha wireless gratuita e enviámos e-mails à família. O uso dos computadores do hotel é pago mas, como eu não me estava a conseguir ligar ao wireless via iPhone, a recepcionista deu-nos meia hora gratuita. Eu acho que foi por causa do meu charme, mas a Vaselina acha que foi porque a recepcionista já não me podia ver à frente. Seja de que forma for o Novotel somou pontos pela atenção e simpatia o que lhe valeu o 2º lugar na nossa classificação dos hotéis. Segundo nos disse o guia, este hotel estava aberto há menos de 3 meses.

A cobertura wireless é fraca, mas perto da piscina consegue-se navegar de forma aceitável. A WEP Key para acesso à rede é 0915 242 235.

Fomos finalmente para o quarto para uma noite de sexo desenfreado e de algum sono também.




Dia 3 - 26-05-2009 - Halong Bay - Hanói

O pequeno-almoço no Novotel é estranho, porque ao contrário daquilo que é habitual, não é buffet, mas sim à la carte, o que nos levou a pensar por várias vezes que estávamos no sítio errado. Ao fazer check out não nos cobraram nada portanto calculo que fizemos tudo segundo as normas.

Quando chegámos à recepção já o nosso guia nos estava a tentar ligar para o quarto. Um excelente exemplo da pontualidade portuguesa... Depois de cumpridas as formalidades, seguimos para o porto onde embarcámos num junco e rumámos à famosa baía.

O junco (em inglês junk, que se pode traduzir por sucata) era só para nós, o que nos fez sentir especiais pois olhávamos para os outros que navegavam pela baía e que estavam apinhados de turistas.



Halong Bay é, de facto um local de grande beleza, à qual os meus dotes literários não conseguem fazer justiça. É um daqueles sítios que corresponde e excede as mais altas expectativas. Durante o nosso cruzeiro de 4h lembrei-me por diversas vezes de Machu Picchu. Sim, eu sei que não tem mesmo nada a ver, mas ambos são locais mágicos e especiais.

Não foi só do Peru que me lembrei durante o percurso, lembrei-me também de Cuba, durante toda a estadia no Vietname e não foi por causa do comunismo. Os Vietnamitas são vendedores natos. São criativos, insistentes e acima de tudo chatos. Ainda mal tínhamos saído do porto já estava outro barco encostado ao nosso a querer vender fruta. Lá comprei umas bananas a troco de d5000 e de uma fotografia.

Por toda a parte há “armadilhas” aos turistas para lhes sacar alguns dongs ou, de prefrência dólares. A grande vantagem face a Cuba é que apenas nos chateiam nos sítios turísticos. Ao andar pelas ruas ninguém chateia e não são tão dissimulados como os Cubanos que dizem que apenas querem falar quando, na verdade, apenas nos querem sacar dinheiro. Os Vietnamitas dizem claramente que querem vender e apenas nos deixam de chatear quando nos tiverem vendido algo. Honestidade acima de tudo.




A 1ª (e única) paragem foi numa das ilhas para visitarmos a gruta de Dong Thien Cung. Trata-se de uma gruta pequena, mas muito rica em formações calcárias e decorada com jogos de luzes para realçar o trabalho da natureza.

De volta ao barco para continuarmos o nosso percurso por entre as 3000 ilhas de Halong Bay. Como se o passeio não estivesse a ser suficientemente bom, passámos pela cidade flutuante que serviu de palco ao fim do último episódio da temporada 12 do Top Gear que foi filmado integralmente no Vietname. Os pescadores que vivem nestas casas armazenam os peixes capturados em viveiros por baixo das mesmas. Quando esgotam a capacidade, levam a casa para a China para vender o peixe e regressam aqui. Engenhoso!




O almoço a bordo estava incluído no programa pelo que após nos venderem um anel e uma pulseira, nos serviram. Para a Vaselina, camarão, caranguejo e peixe, para mim, crepes, chamuças, peixe e batatas fritas. Aqueles gajos sabem mesmo como agradar!

Com o fim do almoço chegou também o fim do cruzeiro. Deu ainda para perceber que os vietnamitas conduzem os barcos da mesma forma que conduzem as motas e os carros. Como o porto estava lotado e o nosso barco não conseguia chegar a terra firme, embateu contra 2 outros barcos de forma a afastá-los e foi forçando e empurrando até chegar a um ponto em que nós conseguíssemos saltar para um dos outros barcos e daí para terra firme. Isto foi  fácil porque o nosso barco tinha Vaselina a bordo. No dia seguinte tínhamos um voo na Vietnam Airlines e eu só esperava que os Vietnamitas não pilotassem os aviões da mesma forma. Aparentemente é mesmo só os transportes terrestres e marítimos.




Terminado o cruzeiro resta-nos apenas regressar a Hanói. Propus ao guia tentarmos chegar a horas de visitar o museu de Ho Chi Minh ao que ele se mostrou bastante receptivo. Tal como na viagem anterior a Vaselina dormiu metade da viagem e eu dormi a outra metade. Voltámos a parar na loja de artesanato para ir ao WC mas, desta vez, já não comprámos nada.

Pelo caminho vimos inúmeras motas com cargas incríveis, desde pneus a animais vivos. Outro pormenor interessante é o facto de se verem regularmente campas individuais ou em pequenos grupos no meio dos campos de arroz, o que dá a ideia de os camponeses serem sepultados no sítio onde morrem ou nos terrenos da família quando o que seria de esperar era serem sepultados em cemitérios organizados. Este método tem a vantagem de servirem de fertilizante ao arroz que nós comemos. Sim, porque o Vietname é o 2º maior exportador de arroz do mundo a seguir à Tailândia.




Chegados a Hanói, deixámos a bagagem no hotel e fomos apressadamente para o museu. O motorista tinha que ir buscar outros turistas pelo que não nos pôde acompanhar, mas o guia pagou os nossos bilhetes, fez-nos a visita guiada e levou-nos ao hotel de taxi. Os taxis em Hanói não são perigosos, mas podem dar umas voltas extra para nos sacar uns dongs extra (a única diferença em relação aos taxistas portugueses é que estes preferem Euros), mas o guia disse-nos que os taxis com os números 26.26.26 ou 53.53.53 são confiáveis.

O museu de Ho Chi Minh tem fotografias e objectos pessoais do Tio Ho, tem restos de um B52 abatido pelos Vietcongs, tem funcionários que só pensam na hora de fecho (16:00h) e nos expulsaram 2 minutos antes. As mochilas têm que passar pelo raio X e ficam na recepção, mas é permitido fotografar e filmar.

Como ainda era cedo aproveitámos umas horas de piscina no Meliá onde ainda continuava a decorrer a ASEM. O lado positivo foi o facto de a piscina estava cheia de executivas giras.




Depois da piscina, tomámos duche e saímos para jantar. Um empregado do hotel recomendou-nos o Vietkitchen e nós seguimos as suas indicações e fomos para lá. Já depois de estarmos sentados à mesa é que nos apercebemos que aquele tinha sido o restaurante onde o nosso guia nos tinha levado 2 dias antes. Como a experiência tinha sido boa e já estávamos cheios de fome, resolvemos ficar. Partilhámos um Pho, um prato de massa e um prato de carne.

O Pho (Noodle soup) é considerada a sopa que construiu a nação vietnamita. É uma sopa feita com massa de arroz, rebentos de soja, carne (vaca, porco ou frango) e mais umas merdas que não se conseguem distinguir. É verdadeiramente deliciosa e nutritiva. Nós ficámos fãs desde que a provámos em Halong city. Os vietnamitas comem-na ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar. Pode ser encontrada nas ruas e qualquer cidade por menos de $1 e serve perfeitamente como refeição. Até o Bill Clinton a comeu, depois de comer a Monica Lewinsky, quando esteve em Saigão na cadeia “Pho 2000”.

Depois de jantar fomos para o quarto fazer a digestão com bastante sexo.




Dia 4 - 27-05-2009 - Hanói - Hué

Voo para Hué às 11:00h onde aterrámos em segurança às 12:10h. Felizmente os pilotos da Vietnam Airlines pilotam como os ocidentais... À nossa espera estava um novo guia e um novo motorista, ambos mais novos que os de Hanói. O nosso carro para a zona central do Vietname foi um Mazda 6 completamente “xunning”, tendo poucas peças originais tanto no exterior como no interior.

Hué foi a capital imperial do Vietname entre 1802 e 1945. No caminho para a cidade de Hué, visitámos os túmulos de 2 imperadores.

O túmulo do imperador Khai Dinh é completamente diferente de todos os restantes mausoléus imperiais, com fortes influências europeias. O imperador Khai Dinh cortou de forma radical com muitas das tradições vietnamitas o que teve consequências na sua popularidade. Outra coisa que afectou a sua popularidade foi o facto de ser gay ou como se diz em vietnamita, bichona. Os seus descendentes segundo se diz, eram demasiado parecidos com o homem do talho para ser coincidência.




O outro túmulo que visitámos foi o do imperador Tu Duc que foi quem teve o reinado mais longo de toda a dinastia Nguyen. Este túmulo construído de uma forma extremamente harmoniosa, ocupa uma área enorme e foi utilizado pelo imperador ainda em vida. Tu Duc, apesar de ter 104 mulheres e inúmeras concubinas não teve filhos (Deus dá nozes a quem não tem dentes...) devido ao facto de ser estéril, pelo que deixou o trono a um dos seu 2 filhos adoptivos. O local exacto onde o imperador está sepultado permanece desconhecido até hoje para impedir que os saqueadores de túmulos roubem o enorme tesouro sepultado com o rei. Todos os 200 servos que sepultaram o rei foram decapitados em seguida.




Depois de terminada a visita ao túmulo do rei Tu Duc o guia perguntou-nos se queríamos ver como se fazem os chapéus cónicos (cónicos?!) e o incenso, ao que nós acedemos. Mal sabíamos que íamos parar na beira da estada numas barraquinhas onde tudo o que nos queriam mostrar era como se sacavam dongs a turistas com cara de otários. Durante a nossa estadia no centro ainda íamos ter que levar várias injecções destas. E eu que adoro compras e artesanatos...

Finalmente conseguimos entrar no carro, trancar as portas e rumar ao hotel Saigon Morin (****) que foi o que ficou em 1º lugar na nossa classificação. Este lugar deve-se ao facto de ser um hotel antigo, muito bonito, com funcionários extremamente simpáticos e de podermos usar a internet Wireless e os PCs do hotel à borla. Na altura em que lá ficámos ainda não sabíamos que a equipa do Top Gear lá tinha ficado hospedada, apenas descobrimos isso após o regresso e este facto não teve peso na classificação. A cobertura wireless é excelente no exterior do hotel, perto de uma das janelas do bar.




Após o check in, fizemos 2h de piscina e preparámo-nos para o jantar, mais um menu pré-escolhido e que, tal como os outros, não desiludiu. Hué é conhecida pela sua cozinha elaborada e complexa. O imperador Tu Duc exigia ao jantar 50 pratos diferentes, preparados por 50 cozinheiros diferentes e servidos por 50 servas mamalhudas, pelo que os cozinheiros tiveram que puxar pela imaginação e aprender a colocar implantes de silicone nas mulheres.

O nosso guia disse-nos que não ia ficar até ao final do jantar para nos levar ao hotel, ficaria apenas o motorista à nossa espera. Quem ganhou com isso foi o motorista que recebeu uma gorjeta de d50000, o que no Vietname já dá para comprar 4 rebuçados de mentol.

O guia, que falava tão mal ou pior que o de Hanói, nunca se mostrou tão competente e profissional. Este dizia apenas o indispensável e nunca fez nada por nos agradar e ir além das suas funções.  




O nosso dia terminou com uma ida à internet e um ménage a trois na piscina e cama. Espera lá... se calhar sonhei com isto...



Dia 5 - 28-05-2009 - Hué - Danang - Hoi An

Começámos o dia com um passeio de barco pelo rio Perfume para visitar pagode Thien Mu. O barco parecia uma gôndola em ponto grande, e estava apenas por nossa conta. Claro que isso tinha uma grande desvantagem, é que a tripulação não tinha mais ninguém a quem tentar vender as bugigangas que transportava a bordo.

Finalmente lá chegámos ao pagode (ainda sabem a diferença entre um templo e um pagode?) que é o símbolo oficioso da cidade de Hué e é dedicado ao manushi-buddha. Aparentemente existem vários Budas e este apareceu na forma humana. Este pagode foi construído em 1601, mas até aos dias de hoje já foi destruído e reconstruído várias vezes. A última das quais pelos Nazis. Digo isto pelas várias suástica que encontrei no interior. Depois de uma pesquisa  na Wikipédia percebi que a suástica simboliza “tudo” ou “eternidade”, no budismo.




Terminada a visita ao pagode, regressámos a Hué para uma visita à cidadela, local onde reside uma boa parte da população, onde estão a maioria dos pontos de interesse e onde me deu uma diarreia daquelas que quase não tive tempo de chegar ao WC. O complexo imperial é uma cidadela dentro da cidadela, onde se situavam alguns edifícios de estado e a residência oficial do imperador. A cidadela foi fortemente bombardeada na época da guerra pelos franceses e americanos, pelo que muitas áreas ainda estão em ruínas ou em fase de restauro. Por toda a parte se vêm marcas de balas.

Mesmo no centro do complexo imperial fica a Cidade Proibida, que foi construída à semelhança da cidade proibida de Pequim e que é uma cidadela dentro da cidadela dentro da cidadela. A cidade proibida destinava-se apenas ao uso pessoal do imperador e apenas ele, as suas concubinas e alguns eunucos podiam entrar. Os edifícios que se destinam ao imperador são facilmente reconhecíveis devido ao seu telhado amarelo. Por  todo o Vietname, o amarelo é a cor  do imperador.




O almoço foi num restaurante dentro da cidadela e tal como é hábito a comida era deliciosa e não vi nada a mexer dentro do prato. Seguiu-se mais uma viagem de automóvel de cerca de 4h com destino a Hoi An, passando por Danang. Pelo caminho a habitual paragem para ir ao WC e o tradicional assalto à mão desarmada na forma de venda de artesanato. Ao chegar a Danang passámos por uma base  americana abandonada e pela famosa China Beach que servia de local de descanso aos soldados americanos durante a guerra.

Hoi An é conhecida pelas suas sedas, tecidos e beach resorts. Ao chegar a Hoi An dirigi-mo-nos para a zona antiga da cidade onde visitámos uma fábrica de sedas. Claro que o objectivo não era aprender nada sobre sedas, mas sim sobreviver à visita com alguns dongs na carteira. Nunca vi gente tão insistente. Desta vez conseguimos escapar sem comprar nada e até aprendemos que a seda se retira dos casulos colocando-os em água quente, com os bichos ainda vivos e começando a desfiar.




Visitámos também uma das casa mais antigas de Hoi An, onde mais uma vez nos tentaram impingir tudo o que tinham em stock para venda. Que stress! Tudo isto somado ao calor intenso e humidade alta tornaram esta tarde num verdadeiro suplício. Vaselina já nem falava. Estava com tão má cara que o guia nos perguntou se estava tudo bem connosco.

Ainda sobrou tempo para visitar a ponte coberta, construída pelos Japoneses e que consta numa face da nota de d20000. Visitámos ainda um templo chinês que serve de sede a uma das 4 facções chinesas presentes em Hoi An. Nem na ponte nem no templo nos tentaram vender nada. Estranho... Neste templo vimos umas espirais de incenso suspensas no tecto a queimar lentamente. Cada uma destas espirais tem escrito um desejo numa folha de papel. Diz-se que quando a folha cair, o desejo se realiza, mas como as espirais demoram cerca de 3 meses a queimar completamente, há mais probabilidade de a pessoa que pediu o desejo morrer de velha do que de ver o seu desejo realizado.

Nem queríamos acreditar quando o guia disse que a visita tinha terminado fizemos check in no Hoi An Beach Resort (****), entramos no quarto, um calor sufocante, ligámos o ar-condicionado e... água, muita água a verter do ar-condicionado. Será que nada corria bem? Passados cerca de 30 min lá chegou o técnico e arranjou o aparelho. Eu corri para a piscina, a Vaselina ficou de cama.




A piscina fica junto do rio Thu Bon e, enquanto nadava, vi uma manada de búfalos a refrescar-se nas águas do rio o que, aliado ao pôr-do-sol (lusco-fusco) formava um quadro verdadeiramente belo. É impressão minha ou estou a ficar lamechas e a dar ares de intelectualoide? Queiram desculpar-me por isto.

Em relação ao resort, vou responder desde já à pergunta que todos estão a fazer neste momento, sim, tinha internet à borla e podíamos usar os computadores do hotel. Aqui até o Wireless funcionava no quarto e tudo, o que lhe valeu a 3ª posição no ranking apesar das instalações serem fraquinhas e de nos terem ficado com os passaportes. O resort ficava a cerca de 15 minutos de carro do centro da cidade (o que se traduz em 450m de distância), mas havia um shuttle gratuito desde o resort até ao Hoi An Hotel que fica perto do centro. Tomámos o shuttle e jantámos no centro, num restaurante humilde, mas com boa cozinha.

A cozinha vietnamita é excelente, como já tinha dito. Por esta altura já tinha dado pare perceber que este tinha sido o país onde tínhamos comido melhor, ficando mesmo à frente do México. Não só a comida é boa como também segura pois costumo passar todo o período de férias com uma diarreia infernal (queria evitar dizer caganeira para não ofender ninguém) e no Vietname apenas a tive em Hué.

Depois de jantar deambulámos um pouco pelas ruas e comprámos mais uns recuerdos para família e amigos. É bom podermos comprar os artigos que pretendemos nas lojas que queremos para variar. Tomámos, de novo o shuttle para o resort e ainda estávamos a porta do quarto já nos estávamos a despir. Sexo!





Dia 6 - 29-05-2009 - Hoi An - Danang - Ho Chi Minh City

Acordámos cedo e fomos directamente para a praia privada do resort. A água estava à temperatura ideal. Não se sentia diferença nenhuma para a temperatura do nosso corpo. A ondulação era ligeira, mas o que não nos agradou foi o facto de estar maré vazia e de nos fartarmos de andar sempre com água pelo joelho. Nem sequer dava para mijar. Para isto ia para a banheira. E foi isso mesmo que fizemos. Não fomos para a banheira, mas fomos para a piscina que pelo menos permitia nadar.

Depois da piscina, check out e almoço. O nosso motorista (isto soa bem, não soa?) viria buscar-nos pouco depois. Deixámos Hoi An com destino a Danang e ao museu Cham com as suas esculturas Hindus de grande detalhe. No Camboja viríamos a ver esculturas semelhantes pois a civilização Cham invadiu o Camboja e ocupou uma boa parte do país, durante largos anos.




Como a escultura é um tema que não nos interessa muito (lá se vai o nosso ar intelectualoide por água abaixo), terminámos depressa a visita e fomos secar para o aeroporto de Danang. O guia fez-nos o check in e mandou-nos à nossa vida, não sem antes levar dinheiro para 1 chupa-chupa como gorjeta.

O voo partiu pontualmente e chegou a horas. Mais uma vez os pilotos demonstraram grade profissionalismo e competência. Como é que estes gajos conseguem conduzir como lunáticos e pilotar civilizadamente? Será que têm motorista?

Em Ho Chi Minh City (vou passar a chamar-lhe Saigão) estava uma guia à nossa espera. Isto está a compor-se! Só é pena que não fosse nem gira nem mamalhuda, mas mesmo assim é melhor que um homem. Ainda por cima falava bom inglês, para variar. É caso para dizer que falava bem e depressa, pois ainda mal tínhamos entrado na carrinha (desta vez foi uma carrinha Toyota de 9 lugares), disse-nos logo que nós deveríamos ser muito ricos para virmos de tão longe nesta altura de crise mundial. Gostei de ser confundido com o Bill Gates, mas tentei explicar-lhe que não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego. Não acreditou... a puta.




Fomos directos para o hotel Windsor Plaza (*****), que ficou em último lugar (5º) na nossa classificação, ficando até atrás do Meliá Hanói. A simpatia do pessoal era igual à do Meliá, a internet era ao mesmo preço ou mais cara e as instalações eram mais antigas e desagradáveis. Como não lhes dei o cartão de crédito quiseram ficar com um passaporte. Assim que viram a fotografia do meu disseram que guardavam o da Vaselina.

Saímos para jantar num dos restaurantes de rua. Pelo caminho, como aperitivo, comprámos um sumo de cana de açúcar espremido no momento. Como não tinham copo de plástico deram-nos o sumo em sacos (!?) de plástico, com gelo e com uma palhinha. Ora toma e embrulha... literalmente. O aventureiro que há em mim achou o sumo delicioso, o cagarolas estava cheio de medo do gelo e das bactérias. A verdade é que não nos fez mal nenhum e valeu a pena.




Comemos num restaurante de rua, um Pho, pela quantia astronómica de d16000 o que dá cerca de €0,64 por pessoa. Ora arranjem uma refeição decente por menos!

Regressámos ao hotel e sexo. Depois do sexo... insónia. Já queria ter perguntado à guia se, no dia seguinte, nos túneis de Cu Chi, dava para disparar o AK-47, o M16 e a M60, mas tive vergonha e a Vaselina mostrou-me um olhar fulminante quando lhe perguntei a opinião...




Dia 7 - 30-05-2009 - Ho Chi Minh City (HCMC) - Cu Chi Tunnels - HCMC

Bem cedo pela manhã a guia foi buscar-nos ao hotel e partimos em direcção aos túneis. Será que vou disparar? Será que dá? Que stress! Ela não falava nisso... a puta. Eventualmente chegámos aos túneis, ao fim do que me pareceu uma ou duas eternidades. Nos túneis não havia nenhuma indicação de carreira de tiro ou algo parecido. Será que vai dar?

Começámos a visita numa sala escavada na terra apenas com o tecto à superfície para simular as salas subterrâneas no complexo de túneis. Esta abordagem tem a vantagem de dar para perceber a sensação sem criar problemas de claustrofobia. Aqui um video sobre o papel dos túneis no desenrolar da guerra (eu conheço pessoas que gostam mais de enrolar), vimos maquetas do sistema de túneis e mapas com as posições dos mesmos face aos americanos. Acho que ouvi tiros. Espera... foi no video.




Os túneis foram construídos em 3 níveis, de forma a que, se os americanos os bombardeassem, apenas destruíssem o nível superior. As salas com tecto triangular são quartos, à prova de bomba. No interior existem várias armadilhas com arpões e estacas de bambu. Os vietcongs defecam (cagam) em cima dos arpões para causar infecções nas feridas. Há também estrangulamentos onde os vietcongs magros e pequenos passam, mas os americanos ficam presos. Vaselina, ouviste tiros? Existem ainda saídas de emergência para o leito do rio. Brilhante! As chaminés das cozinhas deitam o fumo muito longe da cozinha para não serem bombardeadas.

Passámos uma vida inteira a ouvir a versão dos americanos, é giro ver a outra versão dos factos. Ao visitar os túneis percebe-se claramente como é que os americanos foram derrotados. Financeiramente. A guerra por dia custava aos vietcongs infinitamente menos do que custava aos americanos. Os Vietcongs recuperavam inclusive os estilhaços das bombas rebentadas para fazer arpões para as armadilhas. As bombas que não rebentavam eram transformadas em minas anti-tanque. Uma bicicleta transportava quase tanta carga quanto um helicóptero americano ao longo do trilho de Ho Chi Minh.




A entrada para os túneis é minúscula e, lá dentro, só a rastejar. Nós experimentámos a entrada normal para os túneis, mas não rastejámos. A Vaselina teve que ser retirada de dentro dos túneis por 4 bravos soldados. Mais à frente existem túneis que foram alargados para os turistas e foi por esses que andámos... de cócoras. Epá, tou a alucinar ou ouvi mesmo uma rajada? Depois de colocada a tampa nos túneis, é quase impossível detectar a abertura. Esta abertura tem uma moldura de madeira e a tampa também é de madeira para que, ao inchar com a chuva se torne estanque, e impeça inundações nos túneis.

Em seguida vimos crateras de bomba provocadas pelos temíveis B52, vimos algumas das armadilhas arcaicas, mas eficazes usadas contra os americanos e vimos também a luz ao fundo do túnel. Era inequívoco que estava a ouvir tiros e cada vez mais perto.




Finalmente ao aproximar-mo-nos da carreira de tiro a guia faz a pergunta mágica - querem experimentar? Não sei de que gostei mais, se da pergunta, se da cara da guia quando lhe disse entusiasmado que sim. Olhando para o meu ar empedernido ela nunca pensaria que eu respondesse daquela forma.

O preço das munições é exorbitante, cerca de €1 por munição. Só me ocorreu uma coisa quando vi o preço - para mim são €30 delas! 10 de M16, outras tantas de AK-47 e, por fim mais uma dezena de M60. Depois de esvaziar a carteira fomos para a carreira de tiro acompanhados por uma soldado vietnamita que se encarrega de tudo, mas principalmente, encarrega-se da segurança.

Ao contrário do que seria de esperar, só uma coisa desapontou. Foi o facto de as armas estarem presas ao muro com uma braçadeira metálica. Dá para apontar, mas não se pode segurar livremente nem sentir o peso. Seja de que forma for, é uma experiência a não perder independentemente do preço.




Dividimos as munições de forma equilibrada. 8 para mim, 2 para a Vaselina em cada uma das armas excepto na M60 em que fiquei com as 10.

Começámos pelo M16. Dado o seu pequeno calibre (5,56 mm x 45) é uma arma fácil e cómoda de disparar. É pequena e ergonómica, quase que parece um brinquedo, até que se aperta o gatilho e se solta o inferno. Em modo semi-automático é certeira, mas quando alternei para rajada as coisas mudaram de figura. Em que é que acertei? Em nada, mas também, não era esse o objectivo. A vaselina também disparou em rajada, mas não achou tanta piada.

A seguir a jóia da coroa, o AK-47. Na verdade o nome correcto é AKM, mas o nome nunca pegou e sempre ficou conhecido pelo nome do 1º desenho. Este é completamente diferente, parece mais um cajado do que um fuzil de assalto. Mas as aparências iludem, apesar de não ter um aspecto hi-tec como a sua rival, é muito mais fiável e robusta. O calibre 7,62 mm x 39 é bastante mais potente que o do M16 pelo que o soldado que nos acompanhava, carregou a arma e me segurou no ombro para minimizar o coice. Depois de todos os preparativos feitos, aperto o gatilho e... nada. Culatra atrás, nova munição na câmara e... nada. Este processo repetiu-se mais 3 vezes. Já começava a acreditar em bruxas.




Finalmente consegui disparar 2 tiros e verifiquei que o coice não justificava o aparato pois é muito menor que o de uma caçadeira de calibre 12. Coloquei o selector de tiro em automático e parecia que a Kalashnikov estava possuída pelo demónio. Não voltou a falhar. Parecia mesmo um guerrilheiro vietcong. A Vaselina lá disparou os seus 2 tiros em rajada, mas continuava com pouco entusiasmo.

Estava na altura da M60. Apesar do calibre 7,62 mm x 54 a M60 não dá coice. Tal deve-se ao facto de ser extremamente pesada e de estar montada num monopé. Se olhasse para o espelho naquele momento via o Rambo com uma fita vermelha na cabeça e ar alucinado. Arma soa e comporta-se exactamente como nos filmes. É uma sensação indescritível, apesar de extremamente breve. Imediatamente antes de começar a disparar estava outro soldado a tentar desencrava-la, o que faz jus à sua fama de pouco fiável.

Agora que já tinha terminado a carreira de tiro, apesar de não ter acertado em nada, já podia aproveitar o resto da vista em paz. Vimos como se faz o papel de arroz que se usa para fazer os crepes e spring rolls e, em seguida estava na altura de nos metermos nos túneis. Os túneis foram alargados para cerca do triplo da sua dimensão original, mas mesmo assim só nos permitiam andar de cócoras. Havia um percurso de 20 m e outro de 100, nós como somos destemidos escolhemos o de 20...




Não sofro de claustrofobia, mas devido ao calor e humidade não é uma experiência agradável. É, no entanto, uma experiência única e que recomendo a quem vá aquelas paragens.

Continuámos a visita por hospitais de campanha, salas de reunião e cozinhas que simulavam as estruturas dentro dos túneis. Vimos ainda um soldado a fazer as famosas sandálias a partir de pneus usados. À semelhança de Ho Chi Minh, todos os soldados nos túneis as usavam. Com isto chegou ao fim a nossa visita e estava na altura de mais um menu de degustação num restaurante ali perto.

Depois do almoço voltámos a Saigão, ao edifício dos correios (onde comprámos os selos para os postais) e ao Museu da Guerra que mais uma vez nos dá a perspectiva vietnamita sobre a guerra, mas sem culpar os americanos por tudo e sem adoptar a posição de bons contra maus. Durante toda a viagem, a maioria dos turistas que vimos eram americanos e franceses. Os vietnamitas com quem falámos dizem que não tem nada contra americanos nem franceses, e que tudo são águas passadas. Eles acreditam no destino e acham que se os seus familiares  não tivessem morrido nas guerras teriam morrido no mesmo dia, de outra qualquer forma. Apesar disto o museu tem algumas imagens bastante fortes e inclusive fetos com deficiências causadas pelos químicos que foram usados pelos americanos.




Após a visita ao museu visitámos ainda uma fábrica de lacados. Também aqui nos tentaram impingir de tudo, mas não foram tão insistentes como em Hoi An. Estava quase terminado o programa do dia e o programa do Vietname. A guia pediu-nos para não nos levar ao aeroporto no dia seguinte ao que nos acedemos. Iria apenas o motorista. Deixou-nos num mercado perto do centro. Antes de se despedir ainda nos deu umas caixinhas lacadas oferta da Indochina Ventures. Nunca fomos tão bem tratados por uma agencia de viagens!

Andámos cerca de 1h pelo mercado, comprámos mais umas merdas e jantámos num Pho 24, que é o McDonalds dos phos. No Pho 24, não percebi bem porquê, fomos a atracção dos empregados. Fartaram-se de nos fazer perguntas e riam-se quem nem uns perdidos de nós. Sei que tenho cara de parvo, mas nunca pensei que fosse motivo para tanto. Apesar disso fomos muito bem tratados e comemos maravilhosamente.




No dia seguinte voávamos para o Camboja e eu ainda não tinha o Lonely Planet. O que é que eu ia fazer à minha vida? já tinha entrado numa livraria e nada. Talvez o melhor seria cancelar a viagem. O que era impensável eram ir para um país sem ler o respectivo Lonely Planet. Finalmente numa rua perto do mercado estava uma banca com vários guias, um dos quais o que eu pretendia. Claro que era uma cópia pirata, mas eu nem tenho nada contra a pirataria (já repararam no nome do site?) pelo que consegui regatear um bom preço (acho eu) e lá o comprei. Já podia respirar de alívio.

Umas horas depois estava na altura de regressar ao hotel. Este hotel também fornecia serviço de shuttle gratuito, mas nós não o conseguimos apanhar pelo que voltámos de taxi. Todos os taxis do Vietname (que tivéssemos visto) têm um ecrã no tecto com publicidade para ir entretendo os turistas.

Chegados ao quarto fizemos amor até cair para o lado (1,5 minutos) e dormimos até ao dia seguinte.




Dia 8 - 31-05-2009 - Saigão - Siem Reap

O motorista chegou ao hotel à hora combinada e partimos para o aeroporto com destino a Siem Reap no Camboja. À  medida que o avião subia ia ficando com um grande sentimento de nostalgia ao abandonar este grande país. Cheguei mesmo a lamentar não ter ficado mais tempo, principalmente em Saigão que conhecemos tão mal.

Chegou ao fim a nossa melhor viagem de sempre. O facto desta ser considerada a melhor viagem também se deve ao facto de, pela primeira vez desde sempre não termos visto portugueses. A Vaselina ainda ouviu falar português do Brasil, mas eu nem isso.



The end.

E lembrem-se, não se deixem apanhar.