domingo, 11 de abril de 2010

Nova Zelândia


Factos:

Nova Zelândia

Capital: Wellington

Língua Oficial: Inglês

Presidente (2010): John Key (Primeiro Ministro).

População: 4,213,418

Moeda: Dollar da Nova Zelândia (NZD)

Fuso Horário: UTC +12h.

Electricidade: 220V, 50Hz.








Independência: 26-09-1907 (de Inglaterra).

Esperança média de vida: 80 anos

Alfabetização: 99%

Quando ir: A época alta é entre Novembro e Abril (Verão e Outono). De Junho a Agosto é o Inverno, época alta para os desportos de Inverno.

Clima: Temperado com fortes contrastes entre regiões.

Perigos e Chatices: O crime violento é raro em todo o país. Auckland é a capital do crime mas é uma cidade segura, ao nível das cidades europeias. O   roubo em automóveis é comum. Nunca deixar objectos visíveis dentro do carro



Esta viagem começou como uma extensão da viagem à Austrália , pelo que optámos por visitar apenas a ilha do norte e ficar apenas 5 dias. Bem nos arrependemos de ter feito esta escolha. Este é um país que merece ser o destino principal e não uma mera extensão. A Nova Zelândia é um pais lindíssimo, com inúmeras maravilhas naturais e ainda mais actividades para experimentar como o “Black water rafting”, Bungie jumping, etc. Não há desculpa para não visitar o Auckland Museum e o MOTAT. Os preços são semelhantes aos praticados em Portugal, o que não é muito animador mas, apesar de tudo, são bem mais baixos que os praticados na Austrália.



Dia 10 – 10-04-2010 – Cairns – Sydney - Auckland (Continuação da Austrália)

Para baixar custos, na Nova Zelândia nunca tivemos pequeno-almoço incluído no preço do quarto, pelo que, após o duche, saímos para cambiar dinheiro e comer qualquer coisa. O casino, situado na Skycity, é o único local onde se pode cambiar dinheiro ao Domingo (segundo nos disse o guia que nos foi buscar ao aeroporto), pelo que nos dirigimos para lá. Enquanto estávamos à porta do hotel a tentar orientar-nos vem um neo zelandês falar connosco a dizer para atirarmos o mapa e o Lonely Planet para o lixo e irmos à aventura e perdermo-nos. Isso torna as viagens muito mais simples e agradáveis. Eu já não o podia ouvir e o Amílcar ainda lhe dava conversa. Que raiva! Quando finalmente nos vimos livres dele, percebemos que afinal até tinha alguma razão, pois estávamos com o nariz encostado à Skycity e não sabíamos.




A Skycity tem este nome devido à Skytower, uma torre semelhante à de Sydney, mas um pouco mais alta. Trata-se do edifício mais alto do hemisfério sul e de onde se pode fazer o salto de bungie jumping mais alto do mundo. Claro que nós, medricas, não saltámos... nem assistimos a nenhum salto. Encontrámos a casa de câmbios e trocamos alguns AUD e EUR por NZD que têm uma taxa de câmbio bem mais interessante para nós que os AUD.

Como já estávamos esfomeados tomámos o pequeno-almoço no Starbucks do lado oposto da rua. Aqui, vimos que havia internet gratuita que nunca chegámos a usar. Vimos também que existia uma casa de câmbios ao lado que também estava aberta. Lá se vai a teoria do guia... Depois do pequeno-almoço, enchemo-nos de coragem e dirigimo-nos, a pé, para a Budget para levantar o carro. Calhou-nos um Holden Cruze CDX, com 1800 CC, com jantes especiais de 17'', vermelho e com caixa automática de 6 velocidades. Este carro, na Europa é conhecido como Chevrolet Cruze e a única diferença é a posição do volante. O funcionário apenas nos pediu as cartas de condução e o cartão de crédito do Amílcar, para as eventualidades. Comprámos o seguro extra para prevenir surpresas desagradáveis e lá fomos nós... Quer dizer, lá fui eu, porque o Amílcar não quis conduzir... Homens...




Com o TomTom para iPhone já programado com as moradas das coisas que queríamos visitar, regressámos ao hotel. O percurso para o hotel foi rápido, mas ultra-stressante. Aqueles gajos fazem tudo ao contrário! Até a manete do pisca está do lado errado! Só me apetece dizer palavrões! Com 4 olhos bem abertos e 2 muito fechados, lá fomos nos devagarinho na direcção do hotel, com a concentração de ambos focada unicamente no percurso e na estrada. Quem é que precisa de bungie jumping para obter adrenalina quando pode conduzir um carro com volante à direita?

O objectivo era chegar ao hotel, deixar o carro e partir a pé, só tínhamos 2 problemas: Em Auckland os parquímetros funcionam todos os dias, incluindo ao fim-de-semana, entre as 08:00h e as 18:00h; para complicar ainda mais, percebemos que os pontos de interesse, ao contrário de Sydney, estão dispersos pela cidade, não sendo possível chegar até eles a pé. Consternados, pegámos no carro e fomos para o Auckland Museum.

O Auckland Museum é imperdível! Comprámos bilhetes para o museu e para o espectáculo cultural Maori, que se revelou uma decepção por ser demasiado amador. Antes de começarmos a visita ao museu, aproveitámos para almoçar. Depois de almoço vimos um pouco do 1º piso e fomos para o espectáculo cultural Maori. Depois do espectáculo, começámos a explorar o museu a sério.




O 1º piso (R/C) é dedicado à cultura e histórias Maori; o 2º piso é dedicado à história natural do país, com áreas dedicadas ao vulcanismo e actividade geotérmica, à fauna e flora actuais e uma grande mostra de esqueletos de dinossauros; o 3º piso é dedicado à guerra. À guerra entre os ingleses e os Maoris, à 1ª grande guerra e à 2ª guerra mundial. Adivinhem por onde começámos. Claro, pelo 3º piso, graças ao Amílcar, que demorava anos em frente a cada expositor e ficava maravilhado com tudo e mais alguma coisa. Que seca. Eu obriguei-o a ver danças Maoris, e ele vinga-se com uma seca de história. Enfim, talvez seja justo...

Do 3º piso, há a destacar uma sala inteira dedicada ao Spitfire, com um avião original e um motor deste avião (da Rolls Royce) que tem uma manivela para simular o funcionamento do motor, chegando até ao pormenor da faísca das velas e da ordem de explosão dos cilindros. Existe, também, uma sala dedicada ao Mitsubishi Zero e aos pilotos Kamikaze. Neste piso pode-se ver também uma bomba V1 original e uma exposição de armas. Não estão a estranhar nada? Pois é, foi o Amílcar que escreveu este parágrafo.




O Amílcar demorou tanto tempo neste piso que eu fui avançando para o piso 2, o da história natural. De realçar aqui os esqueletos de dinossauro e o simulador de erupção vulcânica. Eventualmente o Amílcar acabou por sair do piso 3 e encontrar-se comigo aqui. Acho que deve ter sido expulso por um segurança, mas ele não disse nada.

No 1º piso devo destacar uma canoa de guerra Maori com 8 metros de comprimento! E uma casa (Hotunui) em tamanho real, com gravações em madeira que pode ser visitada desde que se retirem os sapatos à entrada, em sinal de respeito.

Terminada a visita ao museu, decidimos ir ao One Tree Hill, imortalizado numa música dos U2. Desta vez o Amílcar decide conduzir. Agora é que vai ver o que é bom! Começa logo por dizer que parece muito mais fácil quando são outras pessoas a conduzir... Há a tendência para conduzir demasiado à esquerda  e temos que combater essa tendência de forma consciente. Parece que voltámos aos primeiros dias de condução independente em que estamos a aprender quase tudo. O GPS levou-nos ao local exacto, apenas com um senão... é que no cimo do monte, as estradas são muito estreitas e com carros estacionados de um lado e de outro. Foi a praxe, conduzir em terreno íngreme, estreito e cheio de carros, com um automóvel novo, grande e com o volante ao contrário. O que vale é que o carro tinha caixa automática. Acabámos por não conseguir estacionar no cimo do monte, conseguindo apenas estacionar bastante afastados da base do monte.




Finalmente conseguimos chegar ao famoso One Tree Hill, depois de uma longa caminhada. Ao chegar ao topo, pergunta o Amílcar – Afinal onde é que está a puta da árvore? Parece que a árvore morreu e ainda não se decidiu o que se vai fazer. Existe a possibilidade de plantar uma nova ou de deixar as coisas como estão. O que está no cimo do monte é um obelisco em tributo aos Maoris e, é giro ver vários grupos deles a visitar o monumento em sua honra. Daqui podemos também desfrutar de uma vista panorâmica de 360º com a cidade de Auckland ao longe.

O Amílcar fartou-se depressa da condução, pelo que tive que ser eu a conduzir de regresso ao hotel. Os dedos das nossas mãos não chegam para contar as vezes que ligámos os limpa pára-brisas quando queríamos fazer pisca. Chegámos ao hotel já depois das 18:00h pelo que já não precisámos de pôr moeda no parquímetro. Jantámos um grande kebab num restaurante ali perto e subimos à Skytower, para mais uma vista de 360º sobre a cidade, à noite. Na Skytower encontrámos mais um maluquinho que nos abordou. Este, andava de bandelete com cor de rosa com um lacinho e descalço. Perguntou-nos de onde éramos e recomendou-nos uma visita ao aquário, que jurou ser a 2ª melhor atracção de Auckland, sendo a 1ª a Skytower onde nos encontrávamos. Durante o tempo que passámos na Skytower vimos este indivíduo a abordar vários turistas sempre com o mesmo discurso. Acabámos por não seguir o conselho dele apesar do Amílcar estar tentado a ir fazer snorkeling e meter-se numa jaula para observar de perto os tubarões.

Passeámos um pouco pelas ruas antes de regressarmos ao hotel para sexo e sono.




Dia 12 – 12-04-2010 – Auckland – Waitomo Caves – Rotorua

Acordámos cedo e saímos para comer num café estilo Starbucks. Como já passava das 08:00h tivemos que alimentar o parquímetro. Durante a semana, cada hora de estacionamento custa 4 NZD. Chulos! Depois do pequeno almoço, fizemos check-out e saímos em direcção às grutas de Waitomo, a cerca de 200 Km de Auckland. O Amílcar quis conduzir e aproveitou a viagem toda para brincar com os gadgets do carro.

A grande maioria das estradas da Nova Zelândia têm apenas uma faixa, são estreitas e cheias de curvas, pelo que se demora bastante tempo de um ponto até outro. Apesar de estreitas e com curvas, o pavimento está em excelente condição e há sempre marcações na estrada. A intervalos regulares há, inclusive, setas pintadas no pavimento a indicar o sentido de marcha (acho que isto é para os turistas como nós), que achámos muito úteis.

O Amílcar fartou-se de dizer mal do motor 1.8l do carro que não tinha potência suficiente nem binário (o que quer que isto seja). Numa subida de inclinação ligeira, para manter os 100 km/h de limite máximo legal era necessário reduzir de 6ª para 4ª! Para compensar isto, a caixa automática revelou-se uma boa surpresa e uma ajuda imprescindível em cidade. Em estrada é um pouco hesitante mas, ao usarmos o modo semi-automático, conseguimos ter mais controlo e colmatar esta lacuna. As passagens de caixa são das mais suaves que experimentei, não havendo aquele solavanco típico das caixas automáticas mais antigas.



Em Waitomo caves, marcámos um tour a uma gruta e, enquanto esperávamos resolvemos almoçar numa pizaria. Esta viagem tem sido um fartote de fast food... O tour que teve a duração de 2h levou-nos ao interior da gruta Ruakuri, e permitiu-nos ver as típicas formações das grutas calcárias, estalactites e estalagmites, mas também formações menos usuais, como "cortinas". Estas formações assemelham-se a cortinas, daí o nome para os mais desatentos e são quase transparentes e de grande beleza. Dentro das grutas vimos também inúmeros "Glow Worms", típicos da Nova Zelândia e desta zona. Estes vermes usam a luz produzida pelo seu abdómen para atrair insectos que irão servir de refeição. Existem 2 espécies de glow worms, os das grutas, que nunca saem do seu interior e os de exterior, que vimos no dia seguinte em Rotorua.

A entrada para a gruta é feita através de uma espiral interminável e, no seu interior existe uma passadeira durante todo o percurso de forma a tornar-la acessível a cadeiras de rodas. As coisas são mesmo bem planeadas por estes lados. Todos os materiais foram trazidos para aqui através do rio interior uma vez que a entrada original é terreno sagrado para os maoris e não pode ser usada. Apenas o cimento e a electricidade foram trazidos através de uma perfuração com cerca de 70m e através da qual se vê a luz do dia lá muito longe. Esta construção demorou cerca de 2 anos a terminar.




Depois da visita às grutas seguimos na direcção de Rotorua, a cerca de 200 km. Pelo caminho fomos vendo as paisagens típicas da Nova Zelândia, sempre muito verdes, com muitas vacas,  ovelhas e estradas estreitinhas. Chegámos a Rotorua ao final da tarde. Após o check-in tentamos ainda marcar um jantar Hangi (típico Maori), mas já não era possível para essa noite. Marcamos para a noite seguinte com a família Mitai.

Em Rotorua sente-se permanentemente um cheiro a bufas, quer dizer enxofre, devido à actividade geotérmica circundante. Logo que se começou a sentir o cheiro, o Amílcar fez questão de dizer que não tinha sido ele...

Nesta noite jantámos no Fat Dog, recomendado pelo Lonely Planet e pelo recepcionista. A grande maioria dos cafés e restaurantes na Nova Zelândia não tem serviço de mesa. Os clientes vêm a ementa, escolhem o prato e pagam-no na caixa onde lhes é dado um número. Quando a comida estiver pronta, um empregado traz a comida à mesa e leva o número. O Fat Dog não é excepção a esta regra.

Depois de jantar recolhemos ao nosso covil para uma noitada de sexo e algum descanso.




Dia 13 – 13-04-2010 – Rotorua

Os nossos planos para este dia eram ambiciosos pelo que madrugámos. Tomámos pequeno-almoço num restaurante com ligações a Portugal, o Nando's. Nas paredes havia cartazes a falar da lenda do galo de Barcelos, e do papel dos portugueses nos descobrimentos.

Depois do pequeno-almoço seguimos na direcção de Wai-o-Tapu, onde se podem observar vários fenómenos geotérmicos, de realçar o géiser de nome Lady Knox, que entra em erupção (ou será ejaculação?) exactamente às 10:15h da manhã (isto é que é pontualidade!) e a piscina de Champagne, entre diversos lagos de água quente, piscinas de lama (acho que foi aqui que surgiram as lutas na lama) e fumarolas.

O géiser é despertado todos os dias às 10:15h por um funcionário do parque com 300g de sabão amigo da natureza. O sabão vai quebrar uma camada de água fria que existe sobre um grande lençol de água quente, provocando a subida da água quente. Quem descobriu este fenómeno acidentalmente, foi um grupo de condenados há alguns séculos atrás que tomavam banho nas águas quentes da zona.



A visita ao parque demora cerca de 2h, através de vários percursos devidamente assinalados num mapa. Em muitos locais, quando os fumos de enxofre são soprados na nossa direcção, parece que a mãe natureza deu um pum (ou peido) mesmo na nossa cara, o que é desagradável. Almoçámos no self-service do parque antes de continuarmos a viagem.

A nossa próxima paragem foi no Paradise Valley Springs com várias espécies animais características da zona, mas o que nos trouxe cá não foram os animais autóctones, foram os leões, mais propriamente a possibilidade de fazer festinhas a um leão bebé. Estava tão excitada que tive que ter cuidado para não molhar as cuecas. Mal chegámos ao parque, fomos imediatamente para a jaula onde se encontrava o leão bebé. Como só entram 20 pessoas de cada vez, havia uma fila enorme à porta. Este é o ponto onde toda a gente vai primeiro.

Finalmente entrámos na jaula onde estava um leão de 9 meses queridíssimo, muito fofinho mesmo. Parecia um gatinho com umas patas enormes. Não me deixaram pegar-lhe ao colo, mas fartei-me de fazer festas e tirar fotografias. Só saímos da jaula quando o tratador nos começou a olhar com cara de poucos amigos. Tínhamos que dar o lugar às outras pessoas. Despedi-me do Chase e continuámos a visita ao parque. Vimos trutas, enguias, patos, cabras  montesas mas eu só pensava no leãozinho bebé. Acho que ainda lá temos que ir outra vez...




Chegadas as 14:30h fomos assistir à alimentação dos leões adultos que andavam ansiosamente junto à rede a salivar à espera da comida e a olhar para os turistas como nós olhamos para a montra do talho, a escolher o que vamos levar para o jantar... O Amílcar adorou esta parte, pela brutalidade da cena, pelos grunhidos dos leões a defender o seu bocado de carne. Eu, mal podia esperar para voltar a tocar no bebé. Logo que terminou a alimentação dos crescidos regressámos à jaula do bebé, onde já se tinha formado uma fila ainda maior que a da manhã. Felizmente agora era outra tratadora, pelo que pudemos ficar um pouco mais junto do Chase.

Quando finalmente o Amílcar me conseguiu arrancar de perto do leão bebé, saímos do parque, de regresso a Rotorua, tendo como objectivo comer qualquer coisa no Lime Caffé na Fenton St, perto do lago e em seguida dar um passeio pelas margens do lado. Conseguimos comer uma fatia de bolo e comprar umas sandes e bolachas para o pequeno-almoço do dia seguinte. Quando ao passeio pelo lago... estava um vento frio... e o Amílcar começou-se logo a queixar, pelo que resolvemos regressar ao hotel para descansarmos um pouco antes do jantar hangi com a família Mitai. Ao chegar ao hotel, apesar de já serem 16h, o nosso quarto ainda estava a ser limpo, pelo que tivemos que esperar no lobby. Mais uma nota negativa para o Rydges. Quando, finalmente, terminaram a limpeza do quarto, o Amílcar aproveitou logo para dormir feito um suíno enquanto que eu vi um pouco de televisão enquanto esperávamos pelo autocarro às 17:45h. O autocarro chegou pontualmente, nós é que não... porque adormecemos. Só acordámos quando nos ligaram para o quarto a chamar nomes. Descemos à pressa e embarcámos no autocarro.





Pelo caminho o motorista foi dizendo que esta experiência cultural era a mais autêntica de Rotorua pois todas as pessoas envolvidas pertenciam à família Mitai (incluindo o próprio) e tinham muito orgulho em nos receber e proporcionar os momentos seguintes.

Ao chegar às instalações, fomos conduzidos a um enorme pavilhão, onde pagámos e nos indicaram a nossa mesa. Ficamos numa mesa de 10, com vários americanos, uma neo zelandesa e uma alemã. Depois de estarmos todos instalados, chega o entertainer  (muito profissional e engraçado) e começa por dizer que, hoje, somos todos uma só tribo, composta por 12 nações (isto depois de apurar quais os países que ali se encontravam representados). Depois de apuradas as nacionalidades, foi a altura de escolher um líder para a tribo, que nos ia representar junto do chefe da aldeia mitai. O escolhido foi o Steve da Irlanda do norte, nomeado à força pela mulher.

Depois de escolhido o líder, o entertainer falou do protocolo e do cumprimento tradicional Maori, os narizes das pessoas tocam-se 2 vezes. O Steve iria ter que cumprimentar o chefe Maori desta forma, pelo que o ensaiou antes com o entertainer. Segundo este, o chefe, já tinha levado algumas cabeçadas e vários beijos na boca e não tinha ficado nada satisfeito com isto. Ensaiado o cumprimento, foi altura de ver o nosso jantar a ser cozinhado. Demorava cerca de 3h a cozinhar o frango, o carneiro e as batatas, em cima de pedras quentes e ainda faltava uma hora para estar pronto. Quem já estava pronto para comer era o Amílcar, que não gostou nada da notícia.





Para nos ajudar a passar o tempo, tivemos um espectáculo, onde pudemos observar alguns dos costumes e danças maoris. Foi durante este espectáculo que o Steve e o chefe da outra tribo de 16 nações aceitaram a oferta de paz Maori e fizeram um discurso para o chefe Maori.

Finalmente chegou a hora de jantar, no estilo buffet. O carneiro estava bem mais saboroso que o frango, mas estavam ambos deliciosos. Os acompanhamentos também não lhes ficaram atrás. Foi a nossa melhor refeição na Nova Zelândia e talvez em toda a viagem. Uma ideia engenhosa, foi a colocação de várias mesas com os mesmos pratos para que as pessoas se dividissem por elas e não fizessem uma fila enorme para buscar comida.

Depois de jantar tínhamos comprado uma visita guiada ao parque Rainbow Springs para vermos o famoso Kiwi, a ave típica da Nova Zelândia (os neo zelandeses também são conhecidos por kiwis), que além de tímida, é nocturna. Durante o percurso vimos também alguns glow worms de exterior junto a uma nascente de água. No parque vimos bastante bem os kiwis que estavam fotografados nos cartazes, quanto aos vivos já não os vimos assim tão bem... Estavam representadas 4 espécies das quais apenas uma se aproximou a distância suficiente para ser ver como deve ser na escuridão.

Terminada a visita ao parque, estava na altura de regressar ao hotel para mais uma sessão de sexo e algum sono.





Dia 14 – 14-04-2010 – Rotorua – Auckland

Acordámos bem cedo pois tínhamos um programa ambicioso para este dia. Planeávamos visitar o MOTAT (Museum Of Transport And Technology) e subir à Harbor Bridge, já que não tínhamos subido à de Sydney, estávamos decididos a subir a esta, ainda por cima, ficava em menos de metade do preço.

Tomámos o pequeno-almoço no quarto, fizemos o check-out do hotel e o check-in on-line nos voos do dia seguinte, para Hong-Kong e para Heathrow e, finalmente partimos em direcção a Auckland. A viagem durou mais de 3h, sempre feita dentro dos limites de velocidade. Para ser precisa, não dava para exceder em muito os limites de velocidade, devido às curvas e ao trânsito. À entrada de Auckland, o Amílcar viu de relance um raríssimo Lamborghini LM 002 (o que quer que isso seja) e ficou histérico, quase como eu ao ver os koalas. Chegámos ao MOTAT ao final da manhã e já completamente esfomeados.

O MOTAT é composto por duas áreas, o MOTAT 1 e 2, separadas entre si por cerca de 3 km, sendo  o primeiro dedicado aos transportes e tecnologia em geral e o segundo dedicado à aviação em particular, tendo oficinas de restauro de aviões, veículos militares e comboios a vapor.



Começámos a visita pelo MOTAT 2, por causa da paixão que o Amílcar tem pela aviação. O bilhete foi baratíssimo devido aos cupões de desconto que eu tinha encontrado num folheto. O Amílcar farta-se de gozar comigo por andar sempre a recolher folhetos, mas gosta dos descontos. Espero que já tenha aprendido... Antes de começar a visita propriamente dita, parámos junto das máquinas de vending à procura de qualquer coisa para enganar o estômago.

A visita ao interior do hangar faz-se rapidamente, pois o espaço é pequeno, é no exterior que se demora mais tempo. Existem vários voluntários que prestam serviço ao museu e seus visitantes. Todos os dias da semana há passeios de tractor, e de vários veículos militares, para que os visitantes possam ter um contacto mais interactivo com as máquinas. Hoje o passeio era de tractor, o que não nos interessou... No Domingo anterior o passeio foi de M113, um veículo de lagartas para transporte de tropas, o que já agradava mais ao Amílcar. Se ao menos ele soubesse...

No espaço anterior estão diversos aviões, à espera de restauro e que seja construído um hangar para os albergar, de destacar dois enormes barcos voadores (hidroaviões). Perto daqui fica a garagem dos veículos militares. A porta estava entreaberta pelo que resolvemos entrar, um pouco a medo. Imediatamente atrás de nós entrou um voluntário que nos vez uma visita guiada pelas máquinas que se encontram à sua responsabilidade e deixou o Amílcar sentar-se em algumas das viaturas. Todas as viaturas desta secção se encontram perfeitamente restauradas e em condições para serem usadas na estrada. Vimos um Jeep Willis (o original da 2ª guerra mundial), um Bren Carrier, uma ambulância da 2ª guerra, um tanque inglês, um camião e 2 peças antiaéreas. O voluntário fez questão de contar a história de cada um dos objectos e de explicar como funciona cada um deles. Pegámos num projéctil de antiaérea que explode em modo airburst para que pudéssemos ver o quão pesado é e pudéssemos compreender melhor porque é que não é necessário que acerte no alvo, os estilhaços encarregam-se de abater o avião.




Estivemos ainda bastante tempo sentados no veículo de transporte de tropas americano a conversar, com o Amílcar a massacrar o voluntário com perguntas e este a contar histórias das batalhas que encenam no museu anualmente para recriar cenas da 2ª guerra mundial, do Vietname ou da guerra dos Boers. Uma forma excelente para tornar o museu mais interactivo. Acho que o Amílcar chegou a molhar as calças de tão excitado que estava.

Daqui seguimos para a oficina de restauro dos comboios a vapor. Também aqui apareceu um voluntário que nos perguntou se queríamos uma visita guiada. Claro que sim, responde logo o Amílcar! O procedimento aqui foi o mesmo usado nos veículos militares. O voluntário explica a história das locomotivas e vagões que se encontram na oficina, uns completamente restaurados, outros em fase de revisão mecânica ou restauro. Também aqui o entrámos dentro dos vagões e das locomotivas enquanto o voluntário nos explica o funcionamento das máquinas. E eu já cheia de fome...

Finalmente saímos do MOTAT 2 e apanhámos um eléctrico antigo em direcção ao MOTAT 1. O Amílcar não se calava, nem se fartava de elogiar a forma como este museu aborda a relação entre os visitantes e os artigos expostos. Eu concordo, mas não estava assim tão entusiasmada...




A primeira coisa que fizemos no MOTAT 1 foi comer pois já estávamos esfomeados. Depois começámos a explorar e percebemos que esta parte era muito maior que a anterior. Esta parte é mais parecida com um museu convencional que a anterior, mas não pensem que é mais estática, tem montes de simuladores (de voo, de terramotos, etc.), e de exposições interactivas como a sala das telecomunicações em que se pode telefonar de uns telefones para outros para se perceber como funcionam os PBX e as comunicações via satélite, por exemplo.

Este museu tem ainda áreas dedicadas aos comboios, autocarros, polícia, aviões, fotografia e som, vapor, inovação e desenvolvimento, a vida na época vitoriana, o automóvel, etc. A destacar um motor a Diesel desenvolvido na Nova Zelândia em que pistão está fixo e é o cilindro que se move. Esta tecnologia tem a vantagem de não precisar de cabota, tornando o motor mais eficiente  mais barato de produzir. Este motor foi desenvolvido em colaboração com o MOTAT.

O grande defeito do MOTAT é a falta de organização com que as coisas estão dispostas. Dá a ideia que o espaço vai crescendo à medida que chegam novos objectos e que estes vão sendo dispostos por ordem de chegada e não por tema como deveriam. O MOTAT fecha às 17:00h e foi a essa hora que fomos de lá escorraçados sem que tivéssemos visto tudo com a devida atenção. O último eléctrico em direcção ao MOTAT 2 parte Às 16:30h, pelo que tivemos que fazer os 3 km que separam as duas zonas do museu a pé, para ir buscar o carro. Como já era bastante tarde, já não foi possível fazer a subida da Harbor Bridge.




Fizemos novo check-in no Rydges, desta vez conseguimos um quarto melhor e saímos para passear pelas docas e jantar. A rua mais importante de Auckland é a Queen St e foi lá que jantámos, pois ainda não tínhamos passeado por lá. Comi uma massa bastante boa e o Amílcar comeu um bife enorme, delicioso, na opinião dele. No caminho de regresso ao hotel passámos por uma loja de conveniência onde comprámos uns iogurtes e bolachas para o pequeno-almoço do dia seguinte.

Aproveitámos ainda para queimar algumas energias fazendo amor antes de dormir.





Dia 15 – 15-04-2010 – Auckland – Hong Kong – Londres... errrr... Hong Kong

Acordámos cedo pois o parquímetro começava a contar às 08:00h, tomei banho e fui pôr moeda enquanto o Amílcar se despachava. Quem disse que as mulheres são lentas a despachar-se? Comemos o maravilhoso pequeno-almoço que tínhamos comprado no dia anterior e preparámo-nos para fazer check-out. Quando digo preparámo-nos, quero dizer que saímos do quarto, e ficámos à espera do elevador que nunca mais chegava. Descer 10 andares pelas escadas com 2 malas de 20 kg não estava nos nossos planos pelo que pedimos ajuda à recepção. 15 minutos depois lá apareceram 2 rapazes bem apessoados, com o elevador a funcionar a prestações e, a medo, resolvemos entrar e descer.

Depois do check-out, outra surpresa desagradável, ao chegar ao carro com as malas, já lá estava o funcionário da empresa que explora os parquímetros a aplicar-nos uma multa. Não sei bem como, conseguimos convencê-lo a deitar a multa fora e deixar-nos ir a nossa vida. Aqueles gajos não brincam. O prazo tinha expirado há pouco mais de 10 minutos...

O caminho para o aeroporto foi feito sem incidentes, tendo nós chegado com bastante antecedência. De salientar a excelente performance do TomTom, que nos levou a todo o lado com uma precisão notável e sem nenhum erro ou hesitação, como muitas vezes acontece em Portugal. Segundo o Amílcar, o suporte da TomTom que usámos sempre, deu um grande contributo, pois tem uma antena independente que capta melhor o sinal dos satélites, além de ir carregando o iPhone. Eu, só digo que funcionou muito bem.



No aeroporto entregámos o carro, despachámos as bagagens e ficámos à espera da partida do voo que se fez à hora marcada. O voo decorreu sem incidentes de maior, chegando às 21:00h a Hong Kong. Ao aterrar chegaram as más notícias... um SMS da família a indicar que Heathrow estava fechado devido a um vulcão na Islândia. O quê? Um vulcão na Islândia fecha o aeroporto de Heathrow? Andam a ver muitos filmes de ficção científica! Passámos pela segurança e chegámos à sala de embarque onde tudo parecia normal e a hora de partida se mantinha inalterada.

Apesar de tudo parecer normal, o Amílcar ligou-se à internet e verificou que afinal era mesmo verdade que as cinzas de um vulcão na Islândia podiam fechar um aeroporto na Inglaterra. Ao aproximar-se a hora de partida, apareceu no placard a indicação de que o voo tinha sido adiado até à manhã do dia seguinte. Com a rapidez possível, a Cathay Pacific arranjou alojamento para os passageiros e conduziu-os ao hotel, não sem antes termos passado um tempo infinito em filas nos balcões da imigração.

Ao chegar ao hotel Harbor Grand (*****), deram-nos indicação para acordarmos às 07:30h para sabermos novidades. Estávamos tão cansados e desorientados que nem sequer pensámos em sexo.

Este relato continua na página da China.