terça-feira, 5 de setembro de 2017

Review - Carabina K31











Review  - Karabiner Model 1931 (K31)

Filosofia de Uso
- Tiro recreativo
- Treino / competição
- Coleção
- Caça

Calibre - 7,5x55 mm Swiss (GP 11).

Dimensões e peso
- Comprimento Total -  111,5 cm
- Comprimento Cano -   25,6’’ (65 cm) com 4 estrias dextrogiras.
- Distância entre miras - 56 cm
- Peso - 4 kg

Miras
- Excelente alça de mira, do tipo tangente, regulável sem ferramentas entre os 100 e os 1500 m.
- Necessária ferramenta proprietária para ajustar em deriva a massa de mira, de forma precisa.
. Muito fácil focar a massa de mira durante o disparo
- 4, numa escala de 1 a 5

Gatilho
- 2 tempos
- 1º tempo muito longo
- 2º tempo leve para uma arma militar, mas pesado para competição
- 3, numa escala de 1 a 5

Fiabilidade - 5, numa escala de 1 a 5

Qualidade de construção - 5, numa escala de 1 a 5

Ergonomia - 3, numa escala de 1 a 5

Facilidade de utilização
- Muito fácil de desmontar e montar para limpeza.
- Muito fácil e rápida atuação do manobrador, possibilitando disparos rápidos.
- É possível desarmar o percutor sem disparar em seco.
- É possível rearmar o percutor para voltar a percutir uma munição que não dispare à primeira.
- 5, numa escala de 1 a 5

Durabilidade - 5, numa escala de 1 a 5

Valor - 5, numa escala de 1 a 5
Design  - 4, numa escala de 1 a 5

Classificação final - 5, numa escala de 1 a 5

Somatório das classificações - 44 em 50 pontos possíveis






Olá, sejam bem vindos à minha review da K31. Esta arma pode ser adquirida em Portugal com uma licença para uso e porte de arma de tiro desportivo para os detentores da licença federativa B ou C. É uma carabina de repetição destinada ao tiro de recreio e à competição com armas de percussão central. Pode ser usada em provas ISSF de precisão e de Benchrest. Para além da licença de tiro desportivo, pode também ser adquirida pelos detentores da licença de caça com armas da classe C ou de colecionador.

A principal preocupação de quem manuseia armas de fogo deve ser a segurança, portanto, vamos certificar-nos que a arma está em segurança. Vamos retirar o carregador, puxar o manobrador à retaguarda e inspeccionar visual e fisicamente se existe alguma munição na câmara. Após esta verificação vamos levar o manobrador à frente. Caso se pretenda desarmar o mecanismo de disparo sem efetuar o disparo em seco, pode-se segurar a argola traseira enquanto se prime o gatilho, aliviando lentamente a tensão da mola do percutor, tendo o cuidado de manter o cano apontado para uma área limpa e segura durante este processo.

Nunca se deve manusear uma arma de fogo sem se terem executado os passos descritos anteriormente.





Agora que já sabemos que a arma se encontra em segurança, vamos falar um pouco mais das suas caracteristicas:

A K31 é uma carabina militar, de repetição, no calibre 7,5 x 55 mm Swiss, produzida na Suíça entre 1933 e 1958, tendo sido substituida pelo STGW 57, no mesmo calibre. No total foram produzidas 528230 carabinas K31. Este exemplar foi produzido em 1937.






Com a minha arma não veio incluído nenhum dos acessórios que acompanhavam a arma no momento em que esta era entregue aos soldados. Apesar da K31 ter sido descontinuada há muito tempo, é ainda relativamente fácil encontrar peças de substituição e acessórios, tais como carris para montagem de miras, miras dióptricas, tampas para a boca do cano, carregadores, municiadores, etc.

Esta arma pesa 4 kg descarregada, mede 111,5 cm de comprimento total, tem um cano de 25,6 polegadas e a distância entre miras é de 56 cm. Apesar de se tratar de uma carabina e de ser muito mais curta que a G11, considero a K31 grande e pesada. Apesar disto, é suficientemente fácil de manusear e de disparar de pé.








As miras são robustas,  duráveis e muito fáceis de adquirir, contribuindo bastante para os bons resultados no alvo. É muito fácil conseguir uma imagem de miras com a massa de mira focada e a alça desfocada. A mira traseira é do tipo tangente, regulável em altura até aos 1500 m, sem necessidade de ferramentas.
A regulação em deriva é feita usando uma ferramenta específica para fazer deslocar milimetricamente a mira da frente no carril diagonal onde está instalada. Quem não tiver possibilidade de usar a ferramenta específica, pode, em alternativa, usar um punção de latão e um martelo para fazer deslizar a mira no sentido desejado. Claro que este método é muito menos preciso. No caso particular da minha arma, a massa de mira está perfeitamente regulada em deriva.
Ainda no capítulo das miras quero referir que é muito fácil instalar miras dióptricas e miras telescópicas, fixando-as na ranhura do lado direito da caixa da culatra. As miras dióptricas ficam perfeitamente centradas com o cano enquanto que o carril de fixação das miras telescópicas fica ligeiramente à direita da linha do tiro. Com uma mira telescópica instalada, a extração dos casquilhos vazios torna-se pouco fiável. Para além de ser difícil ejetar os casquilhos, estes embatem contra a mira, danificando o seu acabamento. Classifico as miras com 4 em 5.






O gatilho é outro dos pontos fortes desta arma. Tem 2 estágios bem definidos, sendo o 1º  longo e relativamente leve enquanto que o 2º é bastante mais pesado, mas quebra de forma precisa e consistente. É necessário tem em atenção que estamos a falar de uma arma militar desenvolvida há cerca de 80 anos. Dizem os entendidos que o gatilho da K31 é muito melhor que o da maioria das carabinas militares da altura. Pessoalmente não tenho muita experiencia com outras armas militares, para além da Mauser K98 e da Springfield M1903 mas confirmo que o gatilho da K31 é, de facto, melhor que o de ambas. Acrescento também que o peso do gatilho da minha K31 é bastante semelhante ao do gatilho Timney instalado numa Mauser K98 que experimentei há algum tempo. Agora que já esgotei as coisas positivas que tinha para dizer, tenho que referir que, apesar de tudo o que disse anteriormente, o gatilho é pesado “comó caraças”. Digo isto pois estou habituado a gatilhos extremamente leves, sem primeiro estágio, tais como os da CZ 452, ou os Rekord das Weihrauch. O peso do primeiro estágio do gatilho da K31 é bem mais pesado que os gatilhos da CZ. Classifico-o com 3 em 5.

O cano, é um dos componentes mais louvados da K31. É o principal responsável  pela extraordinária precisão que esta arma oferece. O facto de ser free floating, ou seja, não tocar no fuste também contribui bastante para a precisão. Apesar de ter  80 anos o cano da minha K31 está em perfeitas condições. Isto aplica-se à maioria das K31 no mercado. Os suíços sempre cuidaram meticulosamente as suas armas tornando muito difícil encontrar uma K31 em mau estado. Cada arma era acompanhada de uma tampa para a boca do cano para proteger a coroa, e evitar a entrada de sujidade ou neve para o cano.






A K31 é aclamada pela sua precisão. Se o atirador fizer a sua parte esta arma é capaz de resultados excelentes. Pessoalmente ainda tenho alguma dificuldade em abstrair-me do recuo que se segue a cada disparo e dou por mim a compensar o recuo enquanto puxo o gatilho. O gatilho pesado também não facilita a obtenção de bons grupos. Acredito que é uma questão de hábito até conseguir bons resultados de forma consistente. Dito isto, se me esforçar um pouco consigo resultados muito bons com esta arma. Com a mira Hawke Vantage 6-24x44 SF, a 100 m de distância, consegui um grupo com 3,4 cm de extremo a extremo e com 2,7 cm se medirmos a partir do centro dos impactos. Isto atesta bem a precisão desta arma e coloca-a na categoria “sub MOA” que é tão valorizada nos EUA. Existem inúmeras armas modernas que não conseguem resultados equiparáveis. Com a mira telescópica instalada, consigo acertar com relativa facilidade em botijas de 12 g de CO2 a 100 m de distância. Claro que para conseguir este nível de precisão é necessária muita concentração, para me conseguir abstrair do recuo que sucede o tiro, para me conseguir abstrair da possibilidade da ocular da mira telescópica se embater contra o meu nariz e, principalmente, para conseguir que o gatilho quebre no momento certo.






Quanto à fiabilidade, é uma arma extremamente fiável, como se espera de uma arma militar. Até ao momento nunca teve quaisquer problemas de funcionamento, mesmo quando disparo munições GP11 fabricadas em 1979. Com a mira telescópica instalada, o caso muda de figura, tornando-se quase impossível extrair os casquilhos vazios. Em quase todos os casos, os casquilhos embatem na mira e voltam a cair para dentro da caixa da culatra. É importante referir que esta arma não foi desenhada para utilização com mira telescópica portanto a sua classificação não será penalizada. Classifico a fiabilidade com 5 e 5.
Sem prejuízo da classificação atribuída e apenas como curiosidade, quero referir que, em fogo rápido, durante a recriação de um exercício Mad Minute, vários atiradores tiveram dificuldade a introduzir a última munição no carregador usando os municiadores ou stripper clips originais.

Ainda em relação ao Mad Minute, consegui disparar 67% mais tiros com a K31 do que com a Mauser Kar 98, mas a precisão baixou em relação à arma alemã. Apesar de ter sido mais preciso com a K98, achei muito mais fácil e divertido, fazer este exercício com a K31.

Arma
Calibre
Atirador
Tiros disparados
Tiros no alvo
Tiros na zona preta do alvo
Diâmetro 11,24 cm – 2 pontos por tiro
Tiros no papel (34x34 cm)
1 ponto por tiro
Total
% de precisão
Mauser K98k
7,92x57 mm IS
AA
8
7
2
5
9
87,50%
K31
7,5x55 mm Swiss
AA
12
7
3
4
10
58,33%






Uma questão que vejo muitas vezes levantada por essa Internet fora é a dos possíveis disparos com o obturador não completamente trancado na posição de fechado. Ao empurrar o manobrador para a frente, se for usada muito pouca força, é possível que o atirador fique com a sensação de que o obturador está trancado quando, na verdade não está. Se o disparo for efetuado nesta condição, existe a possibilidade de o obturador ser projetado violentamente para trás embatendo violentamente contra a face do atirador, causando ferimentos severos. Para garantir que este está devidamente trancado, é necessário confirmar visualmente se o número de série do obturador está perfeitamente visível no topo do mesmo. Pessoalmente acho que esta questão não é legítima, mas não tenho dados suficientes para ter a certeza. Já experimentei efetuar disparos em seco com o obturador não trancado e, o que se constata de todas as vezes é que, no momento do disparo o obturador se tranca ao premir o gatilho, o que me leva a crer que, se estivesse uma munição na câmara, o disparo se efetuasse de forma segura e sem danos para a arma e para o atirador. Dito isto ainda não arranjei coragem para fazer este teste com munição real.







A qualidade de construção é excelente. Trata-se de uma arma que foi construída para suportar os rigores da utilização militar e que, ainda hoje, 80 anos após a sua construção está muito bem conservada, com os metais em perfeito estado. Classifico a qualidade de construção com 5 em 5.

A ergonomia é classificada com 3 em 5. O manobrador de ação linear torna muito agradável e fácil a utilização desta K31. A segurança é fácil de ativar e desativar, mesmo quando se usam luvas grossas, de inverno, bastando puxar a argola na base do obturador e rodá-la para a posição de segurança. Com a segurança ativa não é possível acionar abrir o obturador. Os municiadores de cartão, apesar de mais frágeis que os clips metálicos são mais fáceis e suaves de utilizar. Se não tenho críticas em relação ao funcionamento da arma nem ao manuseamento dos controlos já não posso dizer o mesmo em relação à coronha. Ao colocar a arma no ombro, para disparar, sou incapaz de encontrar uma posição estável para a mão que opera o gatilho. O punho é demasiado curto e tem um formato incompatível com as minhas mãos. Apesar de ainda não ter dados concretos, a perceção de recuo é mais acentuada nesta arma do que na Mauser K98, que é mais leve e dispara munições mais potentes que as da K31. Se a K31 é mais pesada e dispara munições menos potentes, o atirador deveria ter menor sensação de recuo, o que não é verdade. A sensação de menor recuo foi validada por vários atiradores. Atribuo isto à má ergonomia da coronha que me obriga a uma posição de tiro, menos confortável




O processo de desmontagem e montagem para limpeza, é extremamente fácil e rápido. Para remover o obturador basta premir a patilha de retenção do manobrador fazendo-o deslizar para trás. Esta arma permite que a vareta de limpeza seja inserida pela parte de trás da câmara para não danificar a boca do cano. O obturador, apesar de complexo, é também muito fácil de desmontar para limpeza. Apesar das munições GP11 não serem corrosivas, recomendo que a arma seja limpa imediatamente após cada utilização. Deixei a minha K31 suja durante as 2 semanas de férias de verão e, quando regressei, encontrei-a com bastante oxidação no obturador, e com alguma no interior do cano e na caixa da culatra. Não foi fácil remover toda esta ferrugem.

Esteticamente não considero a arma particularmente apelativa, principalmente se a comparar com a Mauser K98. Claro que, se a comparar com a Mosin Nagant, a minha opinião já favorece a K31. Classifico o design com 4 em 5.

A relação qualidade / preço merece a classificação de 5 em 5. Uma arma com este nível de qualidade, acabamento e precisão, por um preço muito inferior ao de uma K98 é algo deveras assinalável.








Antes de concluir esta review tenho que abordar um tema que não é habitual nas minhas reviews, o recuo ou coice. Considero supérfluo falar de recuo em armas de calibre .22 LR que desenvolvem uma média de 183 J, no entanto, ao entrar no mundo da percussão central, o coice produzido por armas que desenvolvem, cerca de  3300 J, já se pode considerar significativo. Apesar dos 3300 J produzidos pelo cartucho 7,5 x 55 mm, o recuo é perfeitamente gerível. É um recuo forte, mas, se a arma estiver bem apoiada, não magoa nem é desagradável. Ao disparar na posição de benchrest o recuo é muito mais acentuado. Após 50 ou 60 disparos, nas várias posições de tiro, o ombro começa a mostrar sinais de cansaço, no meu caso, nunca ficou negro. Apesar de produzir menos 265 J que a Mauser K98 com munições FNM Target, o recuo da K31 parece mais acentuado. Para além de ser mais potente a Mauser é mais leve, portanto, o recuo deveria ser mais notório.

Arma
Munição
Peso (gr)
Desvio Padrão (m/s)
Velocidade (m/s)
Energia (J)
K31
Prvi Partizan FMJ BT
174,00
7,1
767,0
3316,6
K31
RUAG GP11
175,00
4,5
773,4
3391,3

O preço e a disponibilidade das munições também tem que passar a ser um fator nas reviews de armas de percussão central. Para os mais distraídos, as munições de percussão central para carabina são caras, estupidamente caras! Cada munição de calibre 7,5 Swiss custa em média, cerca de 1,2 €, transformando uma sessão de treino ou uma prova com cerca de 70 disparos numa pequena extravagância financeira. No meu caso, como disparo bastante, tive que recorrer recarga para não incorrer em falência. Para além do preço, também a disponibilidade das munições pode ser um fator a considerar. Este é um calibre que nunca foi adotado fora da Suíça, o que limita a sua procura e também a sua oferta. Neste momento apenas conheço um armeiro que dispõe deste calibre em stock. Vários outros armeiros aceitam encomendas desde que sejam de quantidades consideráveis. É possível encontrar no mercado munições militares (GP11) de qualidade e precisão  equivalente às munições de competição. Para além das GP11, também a Prvi Partizan (PPU) produz munições deste calibre. No âmbito da recarga aproveito para referir que, apesar da designação do calibre ser 7,5 mm se usam pontas de calibre .308 (7,62 mm).





Para concluir tenho que lhe atribuir uma classificação final de 5 em 5. Este valor representa o meu grau de satisfação geral com a K31. É uma arma histórica de alta qualidade, com um mecanismo algo inovador e interessante. Interessante é também o preço, muito inferior ao de uma Mauser K98, e com uma qualidade bastante superior. Como se trata de uma arma antiga e pouco comum no nosso país, de cada vez que a levo ao campo de tiro, causa sensação entre os outros atiradores, motivando perguntas e interação. Nunca pensei que a K31 fosse um desbloqueador de conversa tão eficaz.

Para além da qualidade e do preço, é importante voltar a referir que não há muitas armas desenhadas há mais de 30 anos, onde seja trivial instalar uma mira telescópica ou uma mira dióptrica sem modificar a arma.





Devido ao facto da classificação final ser um valor algo subjetivo, coloco aqui a soma de todas as classificações - 44 em 50 pontos possíveis. Este valor representa uma forma mais objetiva de classificação e permite uma comparação direta entre as classificações das várias reviews de armas que formos fazendo.

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E lembrem-se, não se deixem apanhar!