sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Provas de tiro / Competição






Este artigo é para todos os detentores de licença de uso e porte de arma (LUPA) de tiro desportivo (A e / ou D) que não participam em provas do calendário oficial da FPT e que se limitam a fazer as provas de manutenção para não perderem a respetiva LUPA.

Escrevo estas linhas porque entendo perfeitamente o que sente e pensa quem não gosta de participar em competições. Também eu, durante os primeiros anos (cerca de 10) em que detive a minha LUPA de tiro desportivo não participei numa única prova. Nunca fui muito competitivo, gosto muito de dar uns tiros informais, de recreio e não percebo nada das regras, posições, armas e acessórios das várias modalidades do tiro desportivo. Talvez a principal razão para não querer participar em provas fosse não querer que os outros atiradores, os “profissionais” percebessem que eu era uma merda e, até mesmo o último lugar na prova era demasiado bom para as minhas competências.




Então se não gosto de competir porque é que comecei a participar em provas da FPT em 2014? A resposta mas simples e obvia é - “porque fui obrigado”. Há muito que queria fazer upgrade para as licenças B e C. Sempre achei mais piada ao tiro dinâmico do IPSC do que ao tiro estático, de precisão. E para conseguir o upgrade de licença, são necessários 2 anos a participar em provas do calendário oficial da FTP e cumprir mínimos de pontuação.

Tenho que referir que o upgrade de licença não foi a minha única motivação. As provas de manutenção também ajudaram. No ano em que a lei mudou e passou a obrigar as provas de manutenção houve muitas vozes indignadas a levantarem-se. A minha foi uma dessa vozes.

No dia em que participei na minha primeira prova de manutenção, a minha indignação deu rapidamente lugar a satisfação. Já não me lembrava de quão divertido era disparar uma carabina de cano articulado. Terminei a “prova” com o sorriso de orelha a orelha. Nas provas de manutenção dos anos seguintes, a história repetiu-se até que arranjei coragem para pedir ajuda a um dos organizadores de uma prova de manutenção para começar a participar nas provas “a sério”. Se ficar em último paciência, alguém tem que ocupar essa posição, porque não eu? Se tiver que escolher entre ficar em último e não participar, prefiro a primeira opção.




A minha “carreira competitiva” começou pelas provas de regularidade do clube ST2, com uma carabina articulada emprestada pelo clube e que “um gajo” me ensinou a usar no corredor poucos minutos antes da prova começar. Apesar das condições precárias, e da falta de experiencia e de técnica, consegui um 3º lugar no meu escalão. Nada mau para um nabo principiante…

Para além das provas de carabina articulada fiz também provas de carabina de produção com carabinas emprestadas pelo clube e por outros atiradores que, apesar de não me conhecerem de lado nenhum disponibilizaram as suas armas para que eu pudesse experimentar e participar. É nas provas de carabina de produção que consigo com relativa facilidade fazer a pontuação necessária ao upgrade de licença. Também participo em provas de pistola de ar comprimido P10, aqui sem grande sucesso. Ainda nunca fiquei em último lugar, mas ando sempre a rondar esta posição. Apesar de ter a mania que sou melhor atirador com pistola do que com carabina, os resultados desmentem-no. Não sei onde fui buscar esta ideia.





Aproveito para deixar uma palavra de agradecimento a todos os atiradores que me emprestaram e continuam a emprestar armas para experimentar as diversas modalidades existentes.

Tenho também que fazer uma crítica ao clube ST2 por não incentivar de forma oficial os seus associados a participar nas provas oficiais. Lembro-me, nos primeiros anos de provas de manutenção, de um representante do clube discursar antes da prova. Teria sido excelente uma oportunidade para explicar aos atiradores as vantagens das provas de calendário face ás de manutenção. Para os atiradores as provas do calendário oficial da FPT apenas têm vantagens face às de manutenção. Passo a enumerá-las:
  • São mais baratas. Uma prova organizada pela FTP tem um custo de 10€.
  • Permitem fazer upgrade para as licenças B e C.
  • Permitem obter o estatuto de Mestre Atirador, dando a possibilidade ao seu detentor de ter legalmente, na sua posse mais munições e mais armas.
  • Classificação. OK, isto pode ser uma desvantagem se o atirador se envergonhar de ficar mal classificado.





A maior dificuldade que senti prende-se com a falta de informação acerca do funcionamento das provas. Acho que os atiradores que participam pela primeira vez num determinado tipo de prova, deviam receber um briefing de 5 minutos com a informação essencial relativa à prova, às normas de segurança e à classificação da mesma. Nas primeiras provas em que participei senti-me um pouco perdido e sem saber como agir, sendo muitas vezes obrigado a imitar o comportamento dos outros atiradores sem saber exatamente porquê. Exemplos:
  • No tempo de preparação, antes da prova, podem-se efetuar disparos? Muitas vezes o árbitro não torna claro quando se podem iniciar os tiros de ensaio.
  • Como se deve deixar a arma na linha de tiro? Com a culatra aberta? Sem o carregador? O carregador pode conter munições se estiver fora da arma? A bandeira na câmara é obrigatória? Quando se deve colocar?
  • No final da prova, quando se pode guardar o equipamento? E a arma?
  • Como é calculada a classificação? Pelo rebordo do orifício do tiro ou pelo seu centro?
  • Em caso de desempate, como é decidida a classificação?
  • O que raio são todas aquelas provas do calendário oficial da FPT e como posso participar nelas? O ficheiro Excel é difícil de interpretar para os novatos.
Eu sei que a resposta a todas estas questões está disponível no site da FPT, mas esta informação não é facilmente percetivel para um atirador inexperiente e acho que podia ser transmitida em 5 minutos aos novatos como eu.




Com este texto espero conseguir que alguns dos atiradores que apenas fazem as provas de manutenção experimentem pelos menos uma das provas do calendário oficial da FPT. Ficaria bastante feliz se conseguisse motivar, pelo menos, um atirador. Contactem-nos caso tenham dúvidas ou necessitem de algum apoio. Deixem um comentário se este texto vos levou a participar numa prova. Deixem também um comentário se acham que isto é tudo uma “grande tanga”.

 Vou aproveitar este artigo para mostrar os troféus e certificados que recebi como prémios pelos resultados conseguidos nas provas. Não pretendo, com isto, dizer que sou o melhor atirador do mundo ou mesmo o melhor lá do bairro. Pelo contrário aquilo que estou a tentar demonstrar é que, até mesmo um Nabo com N maiúsculo, pode ser classificado pela FPT como “Mestre Atirador”. 



Qualquer atirador que vá participando regularmente em provas, consegue em pouco tempo, assemelhar-se a um autoproclamado General de uma ditadura Africana ou Sul Americana, com o peito coberto por medalhas.
 




Partilho também a lista de provas em que participei, ao longo dos anos, bem como a arma usada e a respetiva pontuação:

                                             Lista de provas de 2014
Tipo de prova
Arma
Tiros
Pontos
Classificação
CCART
Weihrauch HW 55
30
240
CCART
Slavia 631
30
266
CCART
Slavia 631
30
264
Carabina Standard – Pé
CZ 452-2E ZKM
60
527
Carabina Standard – Deitado
Norinco JW-25A
60
534
12º
P10
Steyr LP-1 – P
60
507
Carabina Standard – Pé
CZ 452-2E ZKM
60
524



                                             Lista de provas de 2015
Tipo de prova
Arma
Tiros
Pontos
Classificação
Carabina Standard – Pé
CZ 452-2E ZKM
60
512
10º
CCART
Weihrauch HW 35
30
261
Carabina Standard – Pé
CZ 452-2E ZKM
60
547
CCART
Weihrauch HW 35
30
267
CCART
Weihrauch HW 35
30
252
CCART
Weihrauch HW 35
30
277
CCART
Weihrauch HW 35
40
351
12º
CCART
Weihrauch HW 35
30
268
CCART
Weihrauch HW 35
30
265
P10
Steyr LP-10
60
513
17º
Carabina Standard – Deitado
CZ 452-2E ZKM
60
571
C10
Weihrauch HW 35
60
462,6
1º – HS2
Carabina Standard – Pé
CZ 452-2E ZKM
60
541
Carabina Standard – Pé
CZ 452-2E ZKM
60
552



E lembrem-se, não se deixem apanhar…

The end.