sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Curso - Tiro a longa distância




Estes são os meus apontamentos relativos ao curso de tiro a longa distância, que tirei em Miami em 2015. Trata-se daquilo que me ficou na memória, referente a esse dia.

Este texto está integrado no relato da viagem a Miami 2015. Quem já leu este relato não vai encontrar aqui informação adicional. Faço esta separação para facilitar a vida a quem gosta de tiro e de armas, mas não se interessa por viagens.

As imagens e vídeos foram captados com um iPhone 5S e com uma câmara SJ4000 que é uma imitação de GoPro. Apesar de ter uma qualidade decente, esta câmara ficam bém atrás da GoPro.

Quem estiver interessado pode adquirir uma GoPro Hero 4 Silver Edition ou Black Edition  com cartões de memória, de alta qualidade, adequados à gravação de vídeo com capacidades de 32GB ou 64 GB, na Amazon de Espanha.





27-02-2015 - Miami - Clewiston - Miami

O meu dia começou às 05:30h para ter tempo para me preparar para ser recolhido às 06:30h para o primeiro dia dedicado ao tiro. Desta vez não iria ser um curso propriamente dito, mas sim um dia de tiro a longa distância com um fuzil Springfield M1903 (60 tiros), complementado com 250 tiros de pistola para descontrair, no final.

Apesar de estar bastante eufórico, estava também bastante apreensivo em relação ao Andy da Tactical Firearms Academy pois tivemos bastante dificuldade em entendermo-nos na fase da negociação do preço. Tive várias vezes a sensação de que me estava a tentar enganar à bruta com os preços e a inventar impostos que não tinham aparecido nos anos anteriores. Já no ano passado tinha adicionado mais um aluno no curso de Tactical Pistol 2 que eu tinha pago como treino privado sem me fazer qualquer tipo de desconto. Apenas me informou no próprio dia que ia ter um colega... Enfim, agora que já chegamos a acordo, vamos ver como vai correr. Espero que corra melhor que as negociações.

Ao entrar na gigantesca pick-up encontro um Andy afável, simpático e que parecia genuinamente feliz por me reencontrar. Pelo caminho fomos falando do que tínhamos feito no tempo que passou e do dia que nos esperava.

O Andy disse-me que não achava que eu fosse gostar da Springfield M1903 por causa do coice exagerado que ela dá. Ele comprou a arma para participar em provas de precisão, mas apenas a usou numa única prova. A arma deixou-lhe o ombro tão dorido que até mesmo disparar uma AR-15, no dia seguinte, o magoava. O facto de ter disparado a M1903 no primeiro dia de provas, estragou-lhe o fim‑de‑semana inteiro de provas.







Como ele não achou que eu ia aguentar os 60 tiros de calibre 30-06, levou também um Lee Enfield SMLE, de fabrico Indiano, no calibre 7,62 mm NATO (Ishapore 2A1), e um AR-15, no calibre 5,56 mm NATO, que não dá coice nenhum. Basicamente ele queria que eu me divertisse e que disparasse os 60 tiros de fuzil, mesmo que não conseguisse aguentar o coice da M1903. Simpático da parte dele.

Ao chegar ao Fly-in Ranch, em Clewiston, a carreira de tiro da TFA, o tempo estava frio, mas não chovia. Menos mal. O Andy deu-me as minhas munições e as armas. Desta vez não ia disparar a Glock 18, mas sim a Smith & Wesson M&P no calibre 9 mm Parabellum. Não sou grande fã destas armas, mas disparo qualquer coisa. Do que não gostei nada foi do coldre, um Serpa, com tranca. Pessoalmente prefiro coldres sem retenção, que apenas seguram a arma por fricção, mas este tem uma trança que se desativa por intermédio de um botão que se aciona com o dedo indicador. Se indexarmos a arma corretamente, com o dedo indicador completamente esticado e junto ao coldre, não há nenhum problema, mas se não colocarmos o dedo mesmo junto ao coldre, a arma não sai. Se curvarmos o dedo e fizermos muita força, corremos o risco de, ao retirar a arma, o dedo deslizar para o gatilho e dispararmos a arma inadvertidamente, dando um tiro no pé ou na perna. Existe um vídeo no YouTube de alguém a quem aconteceu isto. Vou ter mesmo que ser extremamente cuidadoso. Não quero sair daqui com um buraco numa perna.

Enquanto o Andy preparava os alvos metálicos, deu-me a Springfield para que me fosse ambientando à arma e ao gatilho. Fiz uns quantos disparos a seco para chegar à conclusão óbvia de que o gatilho é demasiado pesado.

Antes de começarmos os disparos, a Andy mostrou-me como se usa a bandoleira para ajudar a estabilizar a arma, facilitando o tiro. Basicamente, temos que fazer a bandoleira dar uma volta ao braço esquerdo e ajustar a tensão da bandoleira rodando o cotovelo. De início lutei um pouco,com esta técnica, mas acabei por achá-la muito eficaz.

Começo os disparos deitado, a 50 m, na posição em que dói mais no ombro, para afinar as miras. Faço um grupo de 3 tiros no papel, e verifico que os disparos me estão a sair ligeiramente para a esquerda. O Andy vê que a mira traseira não está perfeitamente centrada e ajusta-a. Novo grupo de 3 disparos que já ficam no centro do alvo. Uso a mira traseira circular que funciona muito melhor para mim que a mira em forma de U. Felizmente que a M1903 tem ambas à escolha do atirador.






Então e o coice, perguntam os leitores mais mariquinhas. Não vai ser fácil explicar isto por escrito, mas cá vai: quando se puxa o gatilho da M1903, parece caiu um meteorito ali mesmo ao nosso lado. Até a visão fica turva por um momento. Curiosamente, se for bem apoiada no ombro não magoa muito. Consegui efetuar os meus 60 tiros com ela e ainda conseguia disparar outros 60 se tivesse muito cuidado ao apoiá-la. Fiz 2 ou 3 disparos com a coronha, com chapa de couce metálica, apoiada em cima da clavícula que ainda hoje me doem. É bastante mais difícil apoiar bem a arma no ombro quando se dispara deitado, é necessário ter mais atenção para garantir que a coronha está bem encostada a um músculo e não à clavícula. Apesar disto a arma não é o monstro terrível que o Andy diz. Gostei bastante de a disparar e consegui muito bons resultados com ela, mas falamos sobre eles a seguir...

Depois de termos a certeza de que as mira estão bem afinadas, fomos até a linha dos 100 m e começamos a disparar exclusivamente sobre os alvos metálicos. Tínhamos uma silhueta de tamanho normal, uma silhueta reduzida e um disco com 8" de diâmetro. Ajustámos a mira traseira para a marca dos 100 e comecei a disparar. Atingi todos os alvos à primeira, na posição deitado. Em seguida o Andy diz-me que chegou a altura de disparar de pé. Sugere, com um sorriso trocista que faça um grupo de 3 tiros na silhueta pequena ou, se preferir, no pequeno disco de 8". Escolho o disco. Coloco-me na posição que uso no tiro desportivo, com a bandoleira bem esticada, enrolada à volta do braço e primo o gatilho com o máximo cuidado enquanto controlo a respiração. Pode parecer complicado, mas o que é certo é que consegui colocar os 3 tiros num alvo de 8" a 100 m. O Andy diz-me que não sabe se ele próprio era capaz de acertar estes tiros. A mim pareceram-me fáceis, ainda por cima quando se dispara de pé sente-se muito menos o coice.

Estava na altura de deixar esta carreira de tiro e passar para a pista de aviação, onde podíamos disparar a maiores distâncias. Na pista, começamos primeiro pelos 100 m. O Andy tem varias distâncias marcadas ao longo da pista, mas todas em jardas, pelo que teve que usar um telémetro laser para medir as distâncias em metros. 100 m correspondem a 110 jardas.

Como já estava familiarizado com a arma e com a distância, resolvi atirar a outro disco de 8’’ de pé. Desta vez o Andy não fez nenhum sorriso trocista. Disparo o primeiro tiro e... Falho. Devo ter dado uma gatilhada... Vamos ao segundo tiro... Outro falhanço... Foda-se! Terceiro tiro e terceiro falhanço. O que raio se passa comigo. Ainda há poucos minutos acertei 3 tiros a mesma distância num alvo do mesmo tamanho. Será que foi só sorte e eu regressei ao normal? Vamos tentar atirar deitado para não haver desculpas. Mais 3 tiros e novos 3 falhanços. Não sei o que me aconteceu. Acho que estou a fazer tudo bem e, no entanto, os tiros não acertam no alvo. O Andy olha com atenção para a arma e verifica que a mira não tinha ficado bem apertada e tinha descaído com o coice.





Depois de reajustada a alça de mira, voltei a conseguir acertar no alvo. Quem diria? Aproveitei a distância para fazer uns quantos tiros de pistola sobre o alvo grande, um alvo standard de IDPA, um retângulo com 18" de largura por 24" de altura, que replica as dimensões de um tronco humano. Consegui acertar sem problemas, muito por mérito da M&P e do seu gatilho modificado.

Avançamos agora para os 200 m. Regulamos a mira da Springfield para os 200 m e faço tiro deitado para o alvo grande para vemos se a mira ficou bem regulada. Coloco 2 tiros perto do centro do alvo. Nada mal. Disparo um terceiro tiro para o alvo pequeno e acerto à primeira. Aproveito para fazer um tiro de pé para o alvo grande. Falhei o primeiro, mas consegui o segundo. Isto hoje está a correr bem! Ponho a M1903 no chão e saco da pistola. Ao fim do 4 tiro começo a acertar de forma consistente no alvo grande. Este gatilho é fantástico!

Depois de pintar o alvo com spray, avançamos até aos 300 m. Subimos, novamente a mira traseira para a posição de 300 m e disparo o primeiro tiro deitado. Falhei. Devo ter disparado alto pois não vimos pó a levantar abaixo do alvo. Aponto ligeiramente abaixo e... Ding... Hit, grita o Andy. Disparo novamente para ver se conseguia repetir e novo ding. Digo ao Andy que quero disparar de pé. O Andy olha para mim a tentar perceber se eu estava a gozar com ele ou se eu era mesmo assim tão estupido. Rapidamente percebeu que eu era mesmo tão estupido como ele pensava. Concentrei-me como nunca me tinha concentrado antes. Tinha que acertar o tiro à primeira para não lhe dar razão. Espremo o gatilho tão lentamente quanto possível enquanto esvazio os pulmões até à pausa respiratória, e de repente... Bang... Ding. Acho que fiquei tão espantado como ele por ter acertado à primeira. Fiquei tão espantado que resolvi não tentar outro tiro.

Agora já só me faltava a pistola. No ano passado tinha conseguido fazer um tiro a 300 jardas, que são cerca de 270 m, mas desta vez ia mesmo tentar os 300 m. Com este gatilho deve ser bastante mais fácil do que com o gatilho de fábrica da Glock. Faço uma série de cerca de 8 disparos até conseguir acertar. Nem quero acreditar quando ouço um ding muito baixinho. O Andy confirma que acertei. Decidimos ir ver mais de perto e aproveitar para o voltar a pintar. Ao chegar ao alvo, confirmamos que estão lá 3 marcas grandes dos tiros com o Springfield e uma, mais pequena, feita com um projétil de 9 mm. Pintamos o alvo e voltamos para os 300 m, para tentar repetir a graçola enquanto o Andy filma.

Talvez devido à pressão da câmara ou apenas à minha nabiçe natural, disparei cerca de 10 tiros sem acertar. Paro um bocado para acalmar, o Andy recomeça a filmar e eu, usando toda a concentração possível disparo um tiro a que se seguiu um ding ainda mais alto que o anterior. Ficou uma filmagem perfeita. Parece que consegui o tiro à primeira. Agora vem o balde de água fria. O ding que ouvi não foi no alvo a que estava a apontar, foi noutro, mesmo ao lado, o que quer dizer que a minha elevação estava certa, mas não consegui puxar o gatilho a direito. Apesar disto considero o tiro como válido e partimos para os 400 m.






Voltamos a ajudar a mira traseira para os 400 m e começo a disparar a Springfield. Falho os primeiros 3 tiros. Devo estar a atirar alto pois não se vê pó no chão. Para complicar as coisas apoio o fuzil mesmo em cima da clavícula em dois dos tiros e fico à rasca do ombro. Isto não está a correr bem. Não me está a apetecer continuar a disparar, mas não vou dar parte de fraco. Apenas tenho que ter muito cuidado com o sítio onde apoio a coronha. Coloco mais 3 munições no carregador e disparo o primeiro tiro, apontado mesmo à parte de baixo do alvo. Ouço um ding pouco depois de puxar o gatilho. Hit, grita o Andy! Dou o meu trabalho por concluído e não tento mais nenhum tiro a esta distância, pelo menos com o Springfield.

Vi, há algum tempo atrás, um vídeo do Jerry Miculek a fazer tiro a 400 jardas, com uma pistola M&P 9 mm muito semelhante à que estou a usar. Decido tentar também. Se um velho de 60 anos consegue, por que é que eu não consigo? Faço uma série de disparos, cerca de 15, sem qualquer sucesso. Ou atiro muito para baixou e se vê o pó na pista ou atiro acima do alvo e não se vê para onde os tiros estão a ir. Frustrado, devido não gastar mais munições e desisto. Aparentemente não sou tão bom como um velho de 60 anos. Uma vergonha!

O telémetro do Andy tem dificuldade a medir distâncias superiores a 400 m, portanto, daqui para a frente, eu fico na última distância medida e o Andy mede 100 m até mim. Depois de medidos os 500 m, afinamos a mira e começo a disparar com o Springfield. Mais uma série de tiros infrutífera e mais um tiro disparado sobre a clavícula. Foda-se que isto dói! Já devia ter percebido que, com estas munições (PPU), o Springfield dispara um pouco para cima. Consegui acertar 2 tiros logo que apontei ligeiramente abaixo do alvo. Como não consegui acertar com a pistola no 400 m, o Andy não me deixou atirar a esta distância. Na verdade também achei que não valia a pena.

Avançamos até aos 600 m e regulamos novamente a mira. Desta vez já sei truque. Decido a poupar munições e o ombro concentro-me como se a minha vida dependesse disso é faço o disparo. Quando começo a pensar que falhei ouço um ding muito distante, mas confirmado pelo Andy. Vamos para os 700 m!

Os 700 m ficam quase no fim da pista. Não vai dar para chegar aos 800. Decidimos deixar a arma e restantes munições nos 700 m e ir pintar o alvo, para ter a certeza que lhe acertava. Aproveitámos para almoçar antes de regressar à linha dos 700 m. Depois de almoço, levámos a carrinha do Andy para nos deslocarmos mais rapidamente.






Afino a elevação da mira traseira para os 700 m e ponho-me em posição. Apesar de achar extremamente difícil acertar num alvo que custo bastante a ver, peço-lhe para filmar. Concentro-me ao máximo no gatilho e na respiração até que a arma dispara. Fico à escuta durante 4 longos segundos até que… Hit grita o Andy! Eu não ouvi nada, mas quero acreditar nele. Decidimos ir pintar o alvo e fazer mais uns disparos a 700 m. Ao chegar ao alvo vemos a marca do projétil mesmo no centro do alvo. Nem quer acreditar que acertei num alvo a 700 m usando apenas as miras metálicas. E ainda por cima está tudo registado em vídeo. Até o Andy que, normalmente, é reservado nos elogios está tão excitado como uma adolescente num concerto do Justin Bieber. Tenho o ego tão inchado que parece quase a explodir. Tiramos um conjunto de fotografias junto ao alvo. Voltamos a pintar o alvo e regressamos aos 700 m para gastar as restantes munições.

Não volto a acertar mais vez nenhuma. Ligeiramente desiludido, mas, ainda assim com um ego do tamanho de Júpiter. Foi um tiro de sorte, mas o que ficará para a história foi que acertei à 1ª tentativa num alvo de 18’’ x 24’’ a 700 m, usando as miras metálicas de um fuzil Springfield M1903. Os outros 8 tiros não contam… O que conta é que eu tenho o Andy em vídeo a admitir que comprou esta arma para fazer tiro de precisão a longas distâncias e nunca o conseguiu fazer por causa do coice. Diz que prefere não usar estar arma a ser visto em público com um “sissy pad”, que é um acrescento de borracha mole que se coloca sobre a coronha e chapa de couce para absorver uma parte do coice. Pessoalmente acho que qualquer coisa vale a pena para poder disparar com prazer esta arma histórica e ainda bastante eficaz. Acho também que até o José Castelo Branco ia parecer um homenzinho a disparar esta arma, mesmo com um “sissy pad”

Regressamos à linha dos 100 m, para dar 6 tiros com um Ishapore 2A1, a versão indiana do Lee Enfield SMLE, em calibre 7,62 mm NATO. O Andy não sabe se as miras estão reguladas portanto começo com uns disparos deitado. O gatilho é ainda mais pesado e esponjoso que o do M1903 mas, apesar disso, o primeiro disparo bate muito próximo do centro do alvo grande. Decido disparar sobre o círculo de 8", onde também acerto sem problemas. Luto contra o ferrolho. É suposto este ser mais rápido de operar que o do Springfield, mas eu não me ajeito com ele.





Disparo os 3 últimos tiros, de pé, a 100 m. Acerto o primeiro tiro no alvo grande, acertando ao mesmo tempo com o polegar da minha mão direita no nariz avantajado. Quem disse que este fuzil dava menos coice? Aponto ao alvo pequeno e acerto novamente. O último tiro perde-se. Detesto terminar com um falhanço, mas não há mais munições. O carregador destacável do Lee Enfield facilita bastante o carregamento, mas dificulta a posição de tiro ao alvo, de pé (sim, esta é a minha melhor desculpa).

Gastas todas as munições de fuzil, damos descanso ao ombro e vamos para a pistola. Quero voltar a fazer o exame de pistola II, aquele que falhei 4 vezes e só passei à 5ª tentativa. O Andy deixou-me fotografar o enunciado do exame de pistola I e pistola III para poder praticar em casa. Para poder o exame do curso de Tactical Pistol III, os alunos têm que passar no exame de Tactical Pistol II logo pela manhã, antes de começar o curso. Quem chumbar, pode participar no curso, mas não faz exame nem obtém certificado.

Para poder fazer os exames tenho que despir o casaco. Casaco na Florida?!, perguntam os mais perspicazes. Pois, infelizmente, tem que ser. Estava um dia encoberto, com uma ligeira brisa que tornava insuportáveis todos os segundos passados apenas de T-shirt. Estão a ver… já comecei a inventar desculpas para justificar a minha má prestação nos exames...

Apesar do frio e da minha nabice inata, passo no exame de pistola II sem problemas, com 37 pontos. Nem mesmo o tempo perdido a lutar contra o sistema de retenção do coldre Serpa me impediu de passar. Apesar disto continuo a achar que este coldre é uma merda. Das outras vezes pareceu-me muito mais difícil.






Passamos agora ao exame de pistola III. Este é muito mais difícil. Apenas contam os tiros no centro do alvo, na zona A (ou 5). Todos os tiro fora desta zona são descontados na pontuação final. Todos os exercício são repetidos duas vezes. Para complicar ainda mais, temos disparos a partir de cobertura, e disparos apenas com a mão esquerda e apenas com a mão direita, todos eles a partir do coldre. Como se isto ao bastasse ainda vou ter que lutar com o sistema de retenção do coldre. Detesto este coldre!




Tenho ambos os exames gravados em vídeo. O Andy autorizou-me a publicá-los no Dailymotion e no Youtube. Apesar de serem um pouco longos, acho que são interessantes. Só para dar a ideia do grau de dificuldade do exame, digo-vos que o primeiro exercício e, um dos mais fáceis, consiste em dar 2 tiros no corpo e 2 na cabeça de um alvo a 5 m, em apenas 4 s, a partir do coldre. Este exame é tão estúpidamente impossível de passar que nem o Andy, que foi que o criou conseguiu passar quando o fez ao meu lado.







Pois é…  depois de eu ter chumbado 2 vezes no exame, o Andy decidiu que iria fazer o exame comigo enquanto eu tentava pela terceira vez. Acho que o objetivo dele era mostrar-me como se faz e dar-me uma lição de humildade, por causa dos tiros com o Springfield, mas acabámos ambos humilhados. Eu porque chumbei 3 vezes e não tenho grandes perspetivas de alguma vez passar e ele porque perdeu no seu próprio jogo. Dos 32 pontos necessários para passar o Andy apenas conseguiu 30 e eu, consegui 29, 22 e 24, nos meus 3 exames.






Infelizmente, não posso culpar o coldre pela minha má prestação porque não houve uma única vez que tivesse perdido pontos por falta de tempo. Mas continuo a não gostar dele! A Smith & Wesson M&P deixou-me ficar mal num dos tiros do último exame, mas, como chumbei por mais que um tiro, não reclamei. O que acontecei foi que a arma ejetou o casquilho vazio e alimentou a munição nova, mas o gatilho não respondeu. Fiquei com a sensação que a arma não se encontrava em bateria, ou seja que a corrediça não tinha fechado completamente, mas resolvi o problema da forma tradicional, ou seja, dando uma pancada no carregador e puxando a corrediça atrás. A munição saiu intacta e, quando a voltei a colocar na arma funcionou na perfeição. Não percebi se esta falha foi causada por mim ou pela arma, apenas sei que no dia seguinte isto me voltaria a acontecer várias vezes. O Andy disse que a arma tinha sido sujeita a modificações no gatilho e no mecanismo de disparo e estas modificações poderiam ser a causa dos meus problemas. Eu apenas sei que a Glock 18 nunca me deu tais problemas. Mas também sei que este gatilho modificado é bem melhor que o de série, da Glock.






Com as munições quase acabadas, decidi que chegara a hora de ir embora. Arrumámos as coisas e fizemo-nos ao caminho. Não sei como consegui arrumar o meu ego na pick-up, apenas sei que chegou intacto ao hotel, onde a Vaselina e a Ameixinha estragada acabavam de acordar da sesta.

Tomei banho à pressa, vesti os calções de banho e aí vamos nós para a praia. A Ameixinha estava impaciente. Queria brincar na areia com o balde e a pá que o Trump lhe deu aquando do check-in. Os mais perspicazes devem estar a perguntar - Então se estava frio em Clewiston, aqui está tempo de praia? Estes gajos já começam a irritar, não começam? Pois… aqui estava tanto ou mais frio que em Clewiston. Estive quase uma hora a bater o dente na praia a brincar na areia com a a Ameixinha. Elas, aparentemente não sentiam o frio. Não é suposto as mulheres serem mais friorentas que homens? Então como é que um gajo como eu, que  faz tiros a 700 m e tresanda a testosterona (ou será suor) treme de frio, como uma velhinha num lar de terceira idade?

E é assim, desta forma deprimente que termina o meu primeiro dia bélico de 2015, nos EUA. Podem continuar a ler o relato da viagem, na secção das viagens ou, se apenas estiverem interessados na componente bélica, está também disponivel apenas o dia do curso de 3 Gun.





The End

E lembrem-se, não se deixem apanhar!