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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tiro desportivo com arma de ar comprimido para crianças








Com este artigo pretendo divulgar e ajudar a clarificar o processo de acesso à licença federativa para tiro com ar comprimido de aquisição livre para menores de idade.

A prática do tiro desportivo possibilita uma infinidade de exercícios e práticas que levam o atleta a desenvolver habilidades de autocontrolo para agir em momentos de pressão; ajuda a desenvolver a capacidade de concentração; a responsabilidade; a disciplina; a cultivar a calma; aumentar o equilíbrio físico em mental; a aliviar o stress, bem como potenciar o espírito competitivo dos atletas.

Desde que as crianças revelem maturidade suficiente, considero benéfico que sejam iniciadas nesta modalidade o mais cedo possível.

Em Portugal uma criança pode fazer o exame de acesso à licença federativa TAC (Tiro com Ar Comprimido) após completar o 10º aniversário. Para que um menor obtenha a licença TAC, é necessário:


  • Inscrição num clube filiado na FPT. Recomendo o meu clube, não só por achar que é dos melhores a nível nacional como também por dar tratamento especial aos juniores. Na ST2, os sócios com menos de 18 anos não pagam quotas, pagando apenas os 5€ de seguro obrigatório. Esta é a documentação necessária para a inscrição no clube:

Para mais informação aconselho a consulta do site da ST2.

  • Os menores de idade estão isentos do curso de preparação para o exame. Apesar disto, alguns membros mais séniores do clube disponibilizam-se para ajudar o menor a preparar-se para o exame que é relativamente fácil para uma criança de 10 anos.

  • No dia do exame é fundamental que o menor consiga responder corretamente às questões publicadas na Circular nº 26/2010 da FPT e que consiga manusear com total segurança uma arma de ar comprimido.

Após a conclusão com sucesso do exame teórico e prático, o menor está apto a treinar e competir nas provas da FPT.







Considero este desporto bastante benéfico para a saúde e uma excelente alternativa aos desportos mais tradicionais e recomendo a sua prática a crianças com idade superior a 10 anos.

Espero que tenham gostado deste artigo e que vos sirva de inspiração para iniciarem os vossos filhos ou netos neste desporto. Se gostaram deste artigo, partilhem-no nas vossas redes sociais.

E lembrem-se, não se deixem apanhar.












terça-feira, 6 de setembro de 2016

K31 - História








Olá. Como sabem, comprei recentemente uma carabina suíça K31, no calibre 7,5x55 mm. Acho que esta arma tem bastante interesse histórico e, por isso mesmo, quero partilhar alguma informação que considero relevante.

A K31 foi adotada pelo exército suíço em 1933 e esteve ao serviço até 1958, ano em que foi substituida pela STGW 57. Esta arma é conhecida erradamente como Schmidt-Rubin K31. Digo erradamente porque, apesar de se assemelhar bastante à família de armas Schmidt-Rubin, que a antecederam, esta é uma arma nova, desenvolvida de raiz. Rudolf Schmidt morreu em 1898 e Edward Rubin morreu em 1920, não podendo ter estado envolvidos no desenvolvimento desta arma, que se iniciou em 1928. A K31 foi desenhada maioritariamente pelo coronel Adolf Furrer. Apesar de não terem estado diretamente envolvidos no desenvolvimento da K31, o seu desenho foi, indiretamente influenciado por ambos os inventores.




Eduard Alexander Rubin foi um engenheiro mecânico que se distinguiu por ter inventado, em 1882, o projétil Full Metal Jacket (FMJ), composto por um núcleo de chumbo envolto numa camisa de cobre. O seu nome aparece ligado à família de armas Schmidt-Rubin por ter criado o calibre 7,5x55 mm usado nestas armas bem como na K31 e na STGW 57. 

Rudolf Schmidt foi o responsável pelo desenho do obturador de cabeça rotativa e acionamento linear que caracteriza as várias Schmidt-Rubin. O obturador da K31, apesar de ser acionado da mesma maneira, funciona de forma completamente diferente do das Schmidt-Rubin. Este é mais simples, mais curto, mais rápido de acionar, mais barato de produzir e mais robusto do que o obturador desenvolvido pelo Coronel Rudolf Schmidt.

Em 1929 saíram os requisitos para o desenvolvimento de uma nova arma para equipar as forças armadas suíças:

  • A nova arma não devia ser significativamente mais longa que a carabina modelo 1911 ou K11.
  • A nova arma deveria ter um sistema de obturador de acionamento linear.
  • A nova arma devia ser mais precisa que a K11 e tão precisa como o fuzil modelo 1911 ou G11.
  • A nova arma deveria ser mais económica de produzir que a K11 e G11.



Os primeiros protótipos foram testados ainda 1929, tendo sido identificados vários problemas que foram corrigidos ao longo do tempo. Em 1931, depois de corrigidos todos os problemas, foram testadas 200 carabinas de pré-produção. Concluíu-se que:

  • O novo desenho obturador é menos propenso a ficar colado na posição fechada.
  • O novo modelo apresentou menos problemas de alimentação.
  • O novo mecanismo é menos suscetível a falhas, mesmo na eventualidade de um dos travadores se partir.
  • O novo mecanismo é mais capaz de sobreviver a um disparo com o cano obstruído.
  • A nova carabina provou ser muito durável, tendo 4 exemplares, sobrevivido a 150000 disparos sem problemas significativos.

Ao contrário da anterior série de carabinas Schmidt-Rubin, os travadores da K31 atuam imediatamente atrás da câmara. Este sistema tem várias vantagens. Os travadores trancam numa parte mais sólida do mecanismo, aumentando a robustez e precisão do sistema de tranca. O obturador é bastante mais curto que o das armas anteriores, tornando a operação da arma mais rápida e fácil. O encurtamento do obturador também permite aumentar o tamanho do cano e a distância entre miras sem aumentar o comprimento total da arma. Outra das vantagens do encurtamento do obturador está na redução para metade do tempo que o percutor demora a fazer deflagrar o cartucho a partir do momento em que o gatilho é premido, obtendo-se ganhos ao nível da precisão.




Para além do obturador, a K31 tem várias outras vantagens relativas às armas de ordenança anteriores:

  • O cano flutua livremente, não tendo contato físico com o fuste.
  • O mecanismo é fixado à coronha com apenas 2 parafusos.
  • O gatilho, a mira traseira e o carregador foram redesenhados.

O resultado final de todas estas alterações foi uma arma mais precisa que a K11, e ao mesmo tempo, mais barata de produzir. O custo estimado de produção de uma K11 era de 169 francos suíços face aos 151 que as novas K31 custavam quando entraram em produção. Se esta arma fosse produzia nos dias de hoje, com a mesma qualidade e materiais, estima-se que custasse entre 2500 a 3000€.

A 17 de Março de 1932 a nova carabina foi aceite pelo parlamento suíço com a designação de carabina modelo 1931.



Durante o seu período de produção foram introduzias pequenas alterações:

    1934 - O percutor passou a ser mais fino.
    1935 - Foi aumentada a rigidez da caixa da culatra.
    1936 - Aumentada a rigidez do carregador.
    1941 - Foram testadas coronhas em madeira laminada, mas foram rejeitadas.
    1944 - Devido à escassez de aço cromoníquel, foi usado aço cromomolibdénio no fabrico de várias peças. Esta alteração não teve sucesso e foi abandonada.
    1946 - A partir do número de série  868901 as coronhas passaram a ser feitas em madeira de faia no lugar da madeira de nogueira usada anteriormente.

A maioria das K31 em circulação atualmente está em excelente estado de conservação, mas, os exemplares mais novos são mais cobiçados. Ao contrário das armas usadas por países em guerra (por exemplo a Mauser K98k), a qualidade de construção da K31 não foi baixando ao longo do tempo em que esteve em produção.

A K31 foi a arma principal das forças armadas suíças até 1958, mas esteve em serviço de algumas unidades até meados dos anos 1970.


Datas, quantidades e números de série relativos a  todo o período de produção da K31:

Ano           Quantidade        Número de Série
1933         1193           520010-521202
1934         15534         521203-536736
1935         13664         536737-550400
1936         11326         550401-561727
1937         11639         561728-573366
1938         10344         573367-583700
1939         15300         583701-599000
1940         33575         599001-632575
1941         54150         632576-686725
1942         49350         686726-736075
1943         50475         736076-786550
1944         51900         786551-838450
1945         26200         838451-864650
1946         15600         864651-880250
1947         20950         880251-901200
1948         20100         901201-921300
1949         15500         921301-936800
1950         13200         936801-950000
1951         23050         950001-973050
1952         21400         973051-994450
1953         5549           994451-999999
1953         7450           215001-222450
1954         17150         222451-239600
1955         11250         239601-250850
1956         6400           250851-257250
1957         2950           257251-260200
1958         3130           260201-263330


Muitos proprietários das K31 encontram uma agradável surpresa ao desmontar a soleira ou chapa de couce das suas armas. Trata-se de uma pequena etiqueta manuscrita com a identificação do soldado a quem ela foi alocada. O formato standard dessas etiquetas é o seguinte:

  • Linha superior: Nome (Último,Primeiro) e o ano de nascimento do soldado
  • Linha central: Designação da unidade a que o soldado pertence
  • Linha inferior: Local de residencia do soldado


Para obter mais informações relativas às etiquetas de identificação dos soldados, sugerimos a consulta deste link: http://www.swissrifles.com/sr/tags/. Infelizmente o meu exemplar não trazia esta etiqueta. Até ao momento foi a única desilusão que me deu.

Estas armas não têm em local algum referencia a fabricante ou modelo. Para se saber um pouco mais acerca da arma existem várias marcas na coronha, caixa da culatra, cano e obturador que ajudam a decifrar a sua história.

Na zona de fixação do cano à caixa da culatra, por baixo da terminação do número de série, algumas armas têm a letra “P”. Esta marca significa PRIVAT e foi colocada na arma quando esta acompanhou o soldado no momento em que este passou à reserva. Ainda hoje em dia, os soldados, no final do seu serviço militar obrigatório, são incentivados a adquirir a sua arma de serviço por um valor simbólico. As modernas armas automáticas, tais como a STGW-57 ou a STGW-90, para além de serem marcadas com a letra P, são convertidas para funcionarem apenas em modo semi-automático antes de serem entregues aos soldados que passam à reserva. No caso das K31 estas não sofriam quaisquer alterações à exceção da gravação da letra P.



Na mesma zona podem ainda ver-se várias outras marcas. No caso particular da minha arma vê-se:

  • Um M com um + no topo. Trata-se do punção de inspeção do Major Mühlemann que realizou inspeções entre 1913 e 1941.
  • Um B invertido junto a um P. Este punção indica que esta arma passou o teste de pressão, sobrevivendo ao disparo de uma munição carregada de forma a gerar ⅓ de pressão acima da carga máxima.
  • Uma cruz suíça. Esta marca indica que a arma passou no teste de tiro.

Na traseira do obturador encontra-se a marca CN+, indicando que se trata de aço cromoníquel. Caso se tratasse de aço cromomolibdénio teria a marca CM+.

Ainda na traseira do obturador, por cima da marca CN+, está a inscrição “WC 37”. Até ao momento não consegui descobrir o significado desta marca. O “37” parece-me obvio que se refira ao ano de fabrico. Aproveito para pedir ajuda aos peritos para me ajudarem a decifrar o “WC”.

Na parte frontal do obturador, próximo dos travadores, encontra-se uma letra “D”, sobre a qual também não tenho informação.



Na parte inferior do manobrador estão duas marcas sobre as quais também não tenho informação. Uma é composta por um “M” e um “T” sobrepostos, dentro de uma circunferência. A outra tem as letras “CV” seguida de uma cruz suíça e de um crescente,

Na parte interior do fuste da minha K31 pode ver-se uma marca com o contorno de uma carabina a letra N sobreposta. Esta marca indica que, pelo menos a coronha, foi fabricada pela SIG.

Por baixo da soleira da minha arma vemos a inscrição VI 36, referente ao mês e ao ano em que foi produzida.



Para terminar quero apenas referir que a maior parte da informação apresentada foi descaradamente copiada e traduzida do site www.swissrifles.com, que é uma excelente fonte de informação, indispensável para quem pretende saber mais sobre a K31 ou qualquer outra arma de ordenança suíça, seja ela antiga ou moderna. Agregado a este site está também o respetivo fórum - http://theswissriflesdotcommessageboard.yuku.com/. Sugiro a consulta dos links.

Espero que tenham gostado desta apresentação histórica da K31. Se gostaram, partilhem-na nas vossas redes sociais e cliquem no botão gosto.

E lembrem-se, não se deixem apanhar.





segunda-feira, 22 de agosto de 2016

K31 - Apresentação









Olá a todos. É com grande orgulho que apresento a minha mais recente aquisição. Trata-se da carabina K31, conhecida erradamente como Schmidt Rubin K31. Isto não é uma review, trata-se apenas de uma pequena introdução e apresentação. Mais tarde iremos publicar alguma informação histórica e, quando já tivermos bastante experiência com a arma, a respetiva review.

Como alguns de vós sabem, sou detentor da licença de uso e porte de arma para tiro desportivo e fiz, recentemente upgrade para a licença federativa B. Há muitos anos que pretendia fazer o upgrade para poder comprar uma carabina Mauser K98k, que me permitisse, para além da utilização de recreio, participar em provas ISSF, de percussão central. O meu objetivo foi sempre o de adquirir uma qualquer variante da Mauser, em calibre 8 mm Mauser, que me permitisse também participar nas provas de carabina de ordenança.

Então se o objetivo era uma Mauser como é que acabei com uma K31? A K31 nem sequer pode ser usada nas provas de carabina de ordenança…




A resposta mais obvia está relacionada com o preço. A K31 custa significativamente menos que uma Mauser em bom estado. Para além disto, cada munição de calibre 7,5x55 mm custa cerca de metade do preço das 8 mm Mauser. Como pretendo disparar bastante nas provas e nos treinos este foi um fator decisivo na escolha da K31 face à K98k.

Para além do preço, a precisão também teve bastante peso na escolha da K31, que, em idêntico estado de conservação, é considerada mais precisa que a K98k por inúmeros atiradores. Fui advertido por vários atiradores desportivos para o facto de haverem muitas Mauser que não agrupam bem. Isto pode dever-se ao cano em mau estado, ao mau estado de geral das armas, ao gatilho mais pesado, ou ao recuo mais acentuado.

A K31 é também mais evoluída tecnicamente que a K98k. Dispõe de um carregador amovível com capacidade para 6 munições, face ao carregador fixo da Mauser com capacidade para apenas 5 munições. Também considero o modo de operação da K31 mais evoluído tecnicamente que o tradicional ferrolho rotativo da K98k. A K31 não tem um ferrolho tradicional, no seu lugar tem um manobrador linear para um obturador de cabeça rotativa. O acionamento linear do manobrador da K31 tornam a sua operação mais simples e rápida.




A compra da K31 não invalida a compra de uma Mauser num futuro próximo, criando oportunidade para fazer um comparativo entre elas.

Neste momento estou satisfeitíssimo com a minha aquisição. Tenho cerda de 200 disparos efetuados com ela. O acionamento do manobrador manual é muito suave, fácil e rápido, tornando a operação da arma muito agradável. O recuo é acentuado, mas não tão violento que se torne desagradável ou doloroso ao fim de alguns disparos. A arma é muito precisa, está em perfeitas condições mecânicas e, em bom estado geral. Claro que já lhe falta alguma da oxidação de fábrica, mas não tem vestígios de ferrugem. A  coronha tem bastantes marcas de utilização, que lhe conferem algum caráter. Infelizmente também tem alguns desenhos de caveiras e tíbias que a desvalorizam um pouco. Felizmente que estas marcas não são muito vincadas. Para além da coronha, também tem o zarelho do fuste empenado, mas, como esta peça não tem número de série, será substituida brevemente. Todos os números de série das várias peças são coincidentes.



Não podia esperar melhor de uma arma datada de 1937.

Espero que tenham gostado desta apresentação da K31. Se gostaram, partilhem-na nas vossas redes sociais e cliquem no botão gosto.

E lembrem-se, não se deixem apanhar.