sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hong Kong / Macau


Factos:

Hong Kong S.A.R.

Capital: Hong Kong

Língua Oficial: Inglês e cantonês

Presidente (2010): HU Jintao (Presidente da China).

População: 7,089,705

Moeda: Dollar de Hong Kong (HKD)

Fuso Horário: UTC +8h.

Electricidade: 220V, 50Hz.










Independência: 01-06-1997 (de Inglaterra).

Esperança média de vida: 82 anos

Alfabetização: 93,5%

Quando ir: A época alta é na Primavera e no Outono, no entanto qualquer altura é indicada para visitar Hong Kong.

Clima: Monção sub-tropical. Frio e húmido no inverno. Quente e solarengo no verão.

Perigos e Chatices: Hong Kong é um território tão seguro quanto qualquer capital europeia pelo que se devem ter os mesmos cuidados. A principal chatice, mas também o que a distingue é a densidade populacional, absolutamente inacreditável.



Esta, foi uma agradável surpresa que o vulcão Eyjafjallajokull nos fez, ao impedir todos os aviões de sobrevoar a Europa. Quem ficou a ganhar fomos nós que tivemos direito a uma extensão de 6 dias com alojamento e comida em hotel de 5* em Hong Kong. O leitor mais atento sabe que aterrámos em Hong Hong vindos de Auckland com o único objectivo de fazer escala e seguir para Heathrow.

Estes territórios ou Special Administrative Regions (S.A.R) como a China lhes chama, merecem, por direito próprio, uma visita. É interessante perceber que, após a integração na China, Hong Kong se manteve um centro financeiro de referência enquanto que Macau se transformou no maior casino do mundo, com ganhos superiores aos de Las Vegas, a antiga capital do jogo.

Como material fotográfico levámos o que já se encontra descrito no início da nossa jornada, na viagem à Austrália.





Dia 16 – 16-04-2010 – Hong Kong

Acordámos à hora marcada, ligámos para a recepção que pediu para voltarmos a ligar às 10:00h. Como tínhamos direito a pequeno-almoço fomos aproveitá-lo e voltámos a chatear a recepção. Desta vez disseram que já não iríamos voar neste dia, e que tínhamos direito a todas as refeições pagas pela Cathay. Resolvemos explorar um pouco o hotel e planear o que fazer com o tempo livre em Hong Kong.

O hotel é bastante novo, e tem todos os confortos que se possam pedir. Foi o melhor hotel em que ficámos hospedados durante toda a viagem. Estávamos com medo de ficar hospedados num ninho ratos, mas a Cathay Pacific surpreendeu-nos pela positiva mais uma vez. A piscina fica no 21º andar e oferece uma vista privilegiada sobre o Victoria Harbor e a ilha de Hong Kong. Aproveitámos para tirar algumas fotografias da cidade e olhar para o mapa que a recepção nos tinha fornecido. Ao olhar para o mapa percebemos que Hong Kong é um território composto pela ilha de Hong Kong, várias outras ilhas e uma grande parcela de território continental. O nosso hotel fica situado em Kowloon, no território continental.



Almoçámos no buffet do hotel. A comida é bastante boa, como seria de esperar. Em seguida fomos chatear um funcionário da recepção para ele nos sugerir coisas para fazer. Sugeriu que atravessássemos de Ferry para a ilha de Hong Kong e fossemos a um centro comercial enorme perto do cais. Apesar de não ser bem aquela a sugestão que pretendíamos, aceitámo-la pois estávamos a precisar de comprar roupa. Cambiámos alguns EUR por HKD. Cada EUR vale cerca de 10 HKD, nada mau!

Sempre que viajamos, despachamos as malas de porão, mas levamos uma mala de cabine com roupa suficiente para 3 dias, para as emergências. Esta viagem não foi excepção, mas como já estávamos de regresso, apenas havia alguma roupa interior, impermeáveis e uma T-shirt para cada um. Para a próxima já sabemos que também podem haver imprevistos no regresso. É que a Cathay tem as malas no aeroporto e não as deixou retirar de lá. Foi a primeira vez que a mala das emergências nos fez falta e ainda bem que a tínhamos...

Depois de almoço fomos à procura do ferry para a ilha de Hong Kong, que encontrámos com alguma dificuldade mesmo quando ajudados por um funcionário que só falava chinês ou, pelo menos para nós, o que ele dizia era chinês. No cais de chegada temos uma passagem superior que nos leva mesmo até ao interior do shopping, entre outro sítios. Não encontrámos nada barato neste centro comercial, pelo que acabámos por sair e passear um pouco pelas ruas.




Como era dia útil e horário de expediente, as ruas estavam populadas, mas não tinham tanta gente como esperávamos. O Amílcar deliciava-se com os eléctricos de 2 andares mas, principalmente, com os carros. Segundo ele, há muito dinheiro em Hong Kong, e isso vê-se nos carros. Vimos vários Rolls Royce e Lamborghini por exemplo.

Como tínhamos medo de não encontrar o caminho de regresso, tomámos o ferry de regresso para chegar ao hotel ainda com luz. Logo que chegámos perto da zona do hotel, deixou de haver o perigo de não encontrarmos o caminho de casa e resolvemos dar mais um passeio pé em busca de algo para vestir. Finalmente acabámos por encontrar uma camisa e uma blusa a preços baixos e comprámo-las.

Regressámos ao hotel para jantar. O buffet tinha pratos muito semelhantes ao do almoço, pelo que comemos sem muito apetite. Depois de jantar, ao chegar ao quarto, os nossos cartões não abriam a porta. Tivemos que ir reactivá-los à recepção. Este procedimento teve que ser efectuado todos os restantes dias da nossa estadia no hotel. Finalmente podíamos fazer amor e dormir.





Dia 17 – 17-04-2010 – Hong Kong

Ao acordar, vimos na Sky News que ainda não era desta que íamos voar. Descemos para o pequeno-almoço após o qual fomos chatear o pessoal da recepção para saber novidades O que nos disseram já nós sabíamos pela TV. A visita apenas serviu para reactivar os cartões de acesso por mais uma noite. Regressámos ao quarto para planear a tarde e fazer telefonemas.

O Amílcar tinha arranjado forma de termos internet à borla (benditos aqueles que não protegem a ligação wireless), pelo que usámos o computador para fazer telefonemas gratuitos ou a baixo preço. O Voipbuster, carregado com 10€ permite fazer chamadas gratuitas para telefones fixos durante 120 dias e chamadas para móveis a preços muito em conta, pelo que usámos o computador como telefone. Até agora tem funcionado às mil maravilhas e a qualidade do som tem sido bastante boa.

Falámos com a nossa agência de viagens que se disponibilizou a tentar arranjar uma solução junto da Cathay Pacific e nos recomendou a activarmos o seguro de viagem. Ao activar o seguro, a Allianz disse-nos que a responsabilidade era da companhia aérea e que não nos podia ajudar. Típico das seguradoras... Após alguma insistência deixaram-nos abrir processo e disseram para lhes enviarmos as facturas da roupa que comprámos e da lavandaria. Vamos ver se as pagam quando isto terminar...



Depois da burocracia tratada e dos telefonemas para a família, planeámos uma ida ao Ocean Park depois de almoço para ver os pandas. O Ocean Park fica no extremo da ilha de Hong Kong (HK) e uma viagem de táxi custa cerca de 250 HKD. Resolvemos ir de autocarro o que, para nós, foi uma aventura pois não conhecemos nada de HK e os nomes das ruas nos parecem todos iguais.

O bilhete dos autocarros é comprado atirando o dinheiro para dentro de uma caixa e activando um manípulo. Como a caixa não dá trocos, pode-se arredondar por defeito que ninguém se chateia. Cada bilhete custa 11 HKD, mas a viagem para os 2 custou 20 HKD. Um sistema simples mas eficaz. O autocarro de 2 andares ia quase vazio pelo que nos sentámos à frente para vermos bem o caminho e tentar adivinhar qual seria a nossa paragem. Eventualmente chegámos a uma que dizia Ocean Park e saímos após confirmar com o motorista.

Após o percurso de 10 minutos chegámos à bilheteira do Ocean Park e comprámos os bilhetes por 250 HKD cada. A funcionária ainda nos avisou que o parque fechava às 19:00h, mas nós não nos importámos, apenas queríamos ver os pandas... quer dizer... eu queria ver os pandas, o Amílcar dispensava. O Ocean Park é uma mistura de parque de diversões ao estilo da feira popular com um zoo. É uma amálgama desorganizada de pontos de interesse dispersa por 2 áreas afastadas cerca de 2 km e separadas por uma montanha.




A jaula dos pandas (vamos chamar-lhe pandário) fica perto da entrada e foi para lá que nos dirigimos. Neste edifício apenas estava uma panda de 32 anos a comer vários tipos de vegetais que tinha dispersos pela jaula. Todo o espaço à frente da jaula estava preenchido com centenas de turistas histéricas a tirar fotografias, a olhar e gesticular para a panda. Coitada da bicha (isto soa um bocado mal...)! Eu só pensava – é tão querida! Parece um peluche. Dei comigo a pensar que, também eu, estava a fazer o papel de turista histérica. Pelo menos já me tinha conseguido aproximar do vidro e já a conseguia ver bem. O Amílcar estava a fotografar energicamente, mas com o seu habitual ar de indiferença que ele coloca quando está frente a animais queridinhos e peludos. Talvez fosse por ser o único que não lhe ligava, a panda olhou durante algum tempo directamente para ele, como que a tentar perceber o que é que ele ali estava a fazer ou a lançar-lhe charme. Ele diz que não funcionou, mas eu não acredito.

Depois dos funcionários nos "encorajarem a sair", olhámos para o mapa e vimos outro edifício com pandas e, foi para lá que fomos. Este é mais amplo e com fossos no lugar de vidros, o que facilita as fotografias. Tem 3 cercados, 2 deles com pandas, onde passei a maior parte do tempo e outro com uns animais com aparência de raposa, mas que são da família dos pandas. Estes animais chamam-se fire fox, e foi lá que o Amílcar passou a maior parte do tempo, a observar o animal que dá o nome ao browser que ele usa para navegar na Internet.




Explorámos um pouco mais esta parte do parque e resolvemos apanhar o teleférico para a outra banda. A viagem de teleférico demora entre 10 a 15 minutos, mas parece que nunca mais acaba, pois o percurso é enorme. Eu que não gosto nada de teleféricos, nunca mais via maneira de sair dali. Pelo menos a vista é boa. No outro lado estão concentradas a maioria das diversões do estilo da feira popular. Como não gostamos muito deste tipo de diversão, optámos pelo show dos golfinhos.

As instalações dos golfinhos são fantásticas, bonitas e amplas. Quando lá chegámos, apesar de ainda faltarem 20 minutos para começar o show, parecia que toda Hong Kong estava reunida no recinto. Na verdade parece que toda a Hong Kong está reunida em todos os sítios onde vamos. Parece que os chineses são omnipresentes, ou então são apenas muitos, e concentrados num espaço relativamente pequeno. Quanto ao show dos golfinhos... uma desilusão... Se já viram o do Zoomarine, esqueçam este. É curto, sem piada e pobre nas performances dos golfinhos.

Saídos do show dos golfinhos, resolvemos regressar à zona principal. Consegui convencer o Amílcar a ir de comboio para não ter que embarcar, de novo, no teleférico, com a vantagem do percurso se fazer em muito menos tempo. Aqui terminou a nossa visita ao Ocean Park, pois queríamos chegar à zona do nosso hotel ainda de dia para termos a certeza que a reconheceríamos.




Na paragem dos autocarros já se encontravam 6 ou 7 milhões de pessoas e estavam todas à espera do nosso autocarro. Nunca estive com tanta gente num espaço tão pequeno. Nunca mais digo que o metro vai cheio à hora de ponta. Aqui é outra dimensão. Para piorar as coisas, foram todos até à paragem anterior à nossa, pelo que fizemos a viagem quase toda em condições muito piores que as das sardinhas nas latas. Pelo menos encontrámos a paragem certa à primeira. Isto é que é orientação... E sorte!

Ao chegar ao hotel ainda não havia novidades quanto aos voos, apenas sabíamos que não iríamos voar no dia seguinte. Decidimos ir ao aeroporto no dia seguinte, logo pela manhã para ver se arranjávamos uma solução alternativa. Já estava a precisar de voltar a casa e parecia que nunca mais...

Antes de jantar telefonámos à família usando o Voipbuster e o Skype. Às 20:00h em ponto começa um espectáculo de luz e som (chamado "A Symphony of Lights"). Em toda a cidade, com os edifícios mais importantes se iluminam e projectam lasers e holofotes no céu. Fomos para o topo do hotel (piscina) mas, como o céu estava encoberto, não se viu grande coisa. Até agora ainda não apanhámos um único dia em que o céu não estivesse completamente cinzento e com nuvens baixas. Para piorar as coisas, a época dos tufões está-se a aproximar.

Jantámos e regressámos ao quarto para mais uns telefonemas, sexo e sono.





Dia 18 – 18-04-2010 – Hong Kong

Depois do pequeno-almoço apanhámos um shuttle gratuito que nos levou à estação dos comboios. Existem vários shuttles que servem os vários hotéis, todos eles gratuitos e nem sequer temos que mostrar o cartão de embarque. A viagem de ida e volta para o aeroporto custou 180 HKD, cara, mas valeu a pena face ao tempo demorado e ao comboio moderno e confortável.

No aeroporto andámos de fila em fila, de balcão em balcão, para nos darem as mesmas soluções de sempre. Ou esperávamos que o espaço aéreo inglês abrisse ou comprávamos bilhetes para o Dubai, Casablanca e, finalmente, Lisboa. Decidimos esperar um pouco mais, uma vez que a 2ª alternativa iria custar-nos entre 2 e 3000€ a cada um.

Regressámos ao hotel para almoçar e voltámos a sair, desta vez para a baixa de Kowloon. O nosso hotel fornece um shuttle gratuito para este efeito que nos deixa nas proximidades do hotel Peninsula. Aproveitámos para mudar a pilha do relógio do Amílcar e para comprar um cartão de memória para a Panasonic GF1. No dia seguinte já sabíamos que não íamos voar pelo que decidimos ir a Macau para ajudar a passar o tempo.



Depois das compras feitas, passeámos um pouco pela Promenade, uma zona pedonal dedicada ao cinema e onde são homenageadas algumas das estrelas locais, tais como o Jackie Chan ou o Bruce Lee. Após o passeio regressámos ao hotel onde havia novidades à nossa espera. Tínhamos recebido um fax da Cathay a pedir-nos alguns dados e pedir-nos para considerarmos a possibilidade de voar para uma rota alternativa.

Ao entregar o formulário na recepção, disseram-nos que havia uma representante da Cathay Pacific no hotel e que lhe iam entregar o formulário. Não nos deram uma forma de entrar em contacto directo com ela, apenas nos disseram que podíamos ligar para a recepção e nos transferiam a chamada. Tentámos várias vezes entrar em contacto com ela, mas todas sem sucesso.

Depois de jantar conseguimos, finalmente, falar com a tal representante da Cathay. Esta ainda não tinha percebido que nós não fazíamos questão de ir para Londres, o que queríamos mesmo era chegar a Lisboa, fosse por que rota fosse. Ficou de nos ligar no dia seguinte a propor uma alternativa. Pelo menos já tinham percebido a nossa situação.

De novo com alguma esperança, fomos fazer amor e dormir.









Macau



Factos:

Macau S.A.R.

Capital: Macau

Língua Oficial: Português

Presidente (2010): HU Jintao (Presidente da China).

População: 567,957

Moeda: Pataca (MOP)

Fuso Horário: UTC +8h.

Electricidade: 220V, 50Hz.










Independência: 20-12-1999 (de Portugal).

Esperança média de vida: 84 anos

Alfabetização: 91,3%

Quando ir: A época alta é na Primavera e no Outono, no entanto qualquer altura é indicada para visitar Macau.

Clima: Monção sub-tropical. Frio e húmido no inverno. Quente e solarengo no verão.

Perigos e Chatices: Macau é um território tão seguro quanto qualquer capital europeia pelo que se devem ter os mesmos cuidados. A principal chatice, mas também o que a distingue é a alta probabilidade de se perder dinheiro nos casinos.



Dia 19 – 19-04-2010 – Hong Kong – Macau – Hong Kong
O autocarro veio buscar-nos às 08:00h, após o pequeno-almoço, com destino ao terminal dos ferrys. A guia deu-nos os impressos de entrada em Macau e os de reentrada em Hong Kong e um autocolante para que o guia em Macau nos reconheça. Passámos pela imigração e entrámos na sala de embarque. As instalações, à semelhança das dos comboios para o aeroporto são de luxo. Luminosas, espaçosas e arejadas, nada como o terminal do Barreiro, por exemplo.

No barco, as surpresas positivas continuaram. O interior parece o de um avião, com grandes poltronas confortáveis, lugares numerados e hospedeiras. Muito bem! O barco até tem uma câmara que permite ver para o exterior, à semelhança de alguns aviões. Claro que os ecrãs passam mais tempo a mostrar publicidade do que as imagens da câmara o que, com o nevoeiro que estava, também não fazia diferença. A viagem dura cerca de 01:10h que aproveitámos para dormir e sonhar que estávamos num avião de regresso.





Ao chegar a Macau e passar de novo pela imigração, saímos do terminal e encontrámos o nosso guia, e esperámos pelas restantes pessoas do grupo. A China é só um país, mas pode ser vista como 3 países diferentes. A China continental, Macau onde impera a lei portuguesa até 2049 e Hong Kong, sob a lei inglesa até 2047. Daí a necessidade de todos estes controlos de imigração.

O nosso guia, um sexagenário com feições chinesas e nome português (Tam João Baptista), era completamente alucinado e depressa começou aos gritos eufóricos e a gesticular ao microfone, dentro do autocarro enquanto repetia as mesmas coisas vezes sem conta num péssimo inglês. Pelo contrário, o seu português era bastante bom. Disse-nos que já quase ninguém fala português e que os que sabem falar português e inglês com um bocado de cantonês, têm o futuro garantido em por estas paragens.

Por falar em paragens, a nossa primeira paragem foi 50 m depois do terminal dos ferrys, no Fisherman's Wharf. Esta paragem de 10 minutos serviu para tirarmos algumas fotografias e para recolher mais alguns turistas para o tour. A língua oficial em Macau é o Português, mas a língua oficiosa é o Inglês. Quase todas as placas estão em cantonês, português e inglês.




Apesar da lei portuguesa ainda estar em vigor, conduz-se pela esquerda, como em Hong Kong e ao contrário do que se passa na China continental. As tomadas eléctricas também são do estilo inglês. Afinal que tipo de lei portuguesa é esta? O trânsito de cerca de um quarto dos países e territórios do mundo faz-se pela esquerda. A razão é simples e de ordem histórica: ainda antes de aparecerem os veículos motorizados, a circulação a cavalo fazia-se pelo lado esquerdo dos caminhos. Como as viagens era perigosas e os cavaleiros frequentemente atacados durante o percurso, era mais fácil, andando à esquerda, desembainhar as espadas, uma vez que a maioria da população era dextra, e atacar os inimigos que estariam do lado direito.

Até ao princípio do século passado, eram muitos os países onde se conduzia pela esquerda. Hoje em dia, esse hábito de circulação é mantido principalmente nas antigas colónias britânicas, como é o caso de Hong Kong. Existem, no entanto, excepções, sendo o Japão e Macau disso exemplo.

Não foi, no entanto, pela proximidade territorial que Macau tem regras idênticas às do território vizinho. Em Portugal, conduzia-se à esquerda, sendo que a alteração se processou apenas na década de 1920. A mudança aconteceu no mesmo dia para o todo o país e colónias ultramarinas, à excepção dos territórios que faziam fronteira com outros onde se conduzia à esquerda, caso da China, que só alterou as regras de circulação para a actual condução na faixa da direita em 1946.




A paragem seguinte foi na estátua de Kwan-yin, uma deusa tradicional não específica de uma religião em particular. Esta deusa faz parte do Budismo, do Taoismo e do Confucionismo. Este foi o último monumento construído pelos portugueses enquanto administradores do território e foi o primeiro onde não nos deixaram entrar sem lavar as mãos com o gel anti gripe A e sem passar por uma maquineta com uma câmara térmica que indica se estamos ou não com febre. Se a maquineta não desse luz verde não podíamos entrar. E eu a pensar que já toda a gente tinha deixado de acreditar na ameaça da gripe A...

O guia dizia constantemente que os portugueses eram muito boa gente, mas que estão melhores agora com a administração chinesa. O governo português deu o monopólio dos casinos ao Stanley Ho que, como não tinha concorrência pagava mal aos funcionários. Desde que o governo chinês abriu o mercado, instalaram-se aqui inúmeros casinos Americanos, que geraram emprego e melhores salários para todos. O governo de Macau fica com 40% dos lucros dos casinos e distribui uma parte deste valor pela população, anualmente.




A nossa paragem seguinte foi perto das portas do cerco, que servem de fronteira com a China continental. Esta fronteira é atravessada diariamente por 250 000 pessoas que vêm jogar ou trabalhar em Macau, mas que vivem na China. Perto da fronteira existe um parque que se encontra permanentemente apinhado de autocarros gratuitos para os casinos.

Antes de almoço ainda houve tempo para a visita às ruínas da igreja de S. Paulo, destruída pelas chamas em 1835, mas cuja fachada permanece como um bastião da cidade. Quem viu o pavilhão de Macau na Expo 98 já viu uma réplica desta fachada. O guia não quis ir à Praça do Senado, mas indicou o camino a pé para quem quisesse ir e regressar a pé até ao autocarro. Nós fomos e valeu a pena.

Daqui fomos para o restaurante "Amigo", para um buffet de comida portuguesa e macaense. O buffet revelou-se pobrezinho, mas tinha arroz de tomate, sardinhas assadas e frango assado. Até o Amílcar comeu uma sardinha assada. Já deve estar com saudades de casa.




Depois de almoço, visitámos o templo Kun Iam, dedicado à deusa da misericórdia, com as suas paredes decoradas e com vários terraços com jardins. Foi aqui que o primeiro tratado sino-americano foi assinado em 1844.

A última paragem do dia foi no casino Venetian, todo ele dedicado ao tema Veneza, com canais de água interiores, onde andam gôndolas conduzidas por gondoleiros que cantam pequenas passagens de óperas. Este casino tem uma réplica de praça de S. Marcos, que foi o único sítio onde vimos céu azul desde que estamos por estas paragens. O céu é artificial, claro, mas é agradável na mesma. Este casino vale a pena visitar, mesmo para os não jogadores.

A sala de jogos, é imensa. Vêm-se máquinas e mesas até quase à linha do horizonte. Como ainda era cedo ainda conseguimos encontrar uma zona com pouca gente nas máquinas, enquanto que outras áreas estão completamente apinhadas. A moeda oficial de Macau é a Pataca, mas ninguém a quer. A moeda que interessa em Macau é o dólar de Hong Kong (HKD), que tem uma taxa de câmbio de 1 para 1. Os casinos apenas aceitam HKDs, o que para nós foi óptimo porque não tivemos que cambiar dinheiro. Eu ainda ganhei 224 HKDs, o Amílcar perdeu 40.




Macau é um território muito pequeno (12 km2) com cerca de 560 000 habitantes. O guia está constantemente a dizer que ninguém precisa de carro em Macau. Quase tudo se encontra a pouca distância, mas quando são necessárias percorrer maiores distâncias, podem-se usar os shuttles gratuitos dos casinos. A viagem de autocarro do casino até ao terminal marítimo demorou poucos minutos.

No terminal, tivemos que passar de novo pelos controlos de imigração, antes de embarcarmos noutra viagem de 1h de regresso a Hong Kong. Durante a viagem foram chegando as saudades de casa. Já estavam farta de estar longe de casa, refugiada de um vulcão do qual nunca tinha ouvido falar. Estava cheia de saudades de casa e sem esperança nenhuma de regressar depressa.

Depois de regressar ao hotel e de jantar, o meu estado de espírito melhorou um pouco. Nas notícias diziam que no dia seguinte os aeroportos em Inglaterra iriam abrir. Eram excelentes notícias! Fui dormir muito mais animada e quem ganhou com isso foi o Amílcar.






Falámos ainda com a representante da Cathay Pacific que, depois de saber de onde tínhamos vindo para cá, nos propôs que regressássemos à Nova Zelândia e que nos devolviam o valor do bilhete para Londres. Respondemos que era absurdo estar a andar para trás, pois o que queríamos mesmo era chegar a Lisboa. Inacreditável como depois de 2 papeis escritos e vários telefonemas ainda não tinha percebido que apenas nos interessava chegar a Lisboa, independentemente dos meios usados. Para complicar as coisas, a representante disse-nos que o hotel estava a ficar lotado e que tinha que mudar algumas das pessoas que, como nós, estavam à espera de voos.

A nossa agência de viagens, a Quadrante, também se tinha mantido em contacto connosco durante o dia e esteve a tentar encontrar uma solução para o nosso problema. Junto da Cathay não conseguiu nada, mas propôs uma solução alternativa, mas que tínhamos que ser nós a suportar. Esta solução passava por voar para Mumbai, na Índia, em seguida para Istambul, na Turquia e, por fim para Lisboa. Era uma solução semelhante à que a Cathay nos tinha apresentado uns dias antes, com a grande vantagem de ser muito mais barata. O valor apresentado foi de 1300€ por pessoa. Optámos por deixar esta opção em aberto, mas não avançámos. Apesar de tudo, o valor ainda era elevado e havia a possibilidade de os aeroportos abrirem no dia seguinte. Vamos esperar para ver.

Para ajudar a passar o tempo e porque nos apetecia, fizemos amor e dormimos.




Dia 20 – 20-04-2010 – Hong Kong

Quando acordámos ainda não havia novidades relativas à abertura dos aeroportos na Europa. Fomos para o pequeno-almoço esperançados, mas cabisbaixos. Depois do pequeno-almoço, fomos à recepção saber o ponto de situação e percebemos que ainda não nos iam mudar para outro hotel (provavelmente pior que este). Também não era hoje que íamos voar para Inglaterra pois o espaço aéreo não tinha ainda aberto.

Regressámos ao quarto para enviar uns mails e procurar mais informação e tivemos outra surpresa desagradável. Já não havia Internet à borla. A rede desprotegida que tanto nos tinha ajudado já lá não estava. Foi bom enquanto durou e por isso, o nosso Muito Obrigado! Para piorar as coisas, o Amílcar não encontrou nenhuma alternativa gratuita. Resolvemos ficar a pastar pelo hotel até à hora de almoço para, a seguir, irmos passear pelo Kowloon Garden.

Se bem o planeámos, melhor o executámos. Depois de almoço já estávamos nós no shuttle do hotel para a baixa. Daqui, são 3 minutos a pé até ao jardim. Saboreámos este passeio como quem saboreia comida de hospital. Faz bem, mas não sabe a nada. A culpa disto é do nosso estado de espírito desanimado e não do jardim, que é enorme e igual a qualquer outro, com as suas árvores, lagos, aves e estátuas. Apesar do clima continuar completamente encoberto, a temperatura tinha subido bastante o que tornava as coisas mais agradáveis. Passámos bastante tempo sentados num banco de jardim a observar duas estudantes de fotografia a operar uma máquina fotográfica de grande formato. Parecíamos 2 reformados.



Deambulámos até ao topo do terminal dos ferrys para Macau que oferece uma vista fantástica sobre o Victoria Harbor e a ilha de Hong Kong. Enquanto aqui estávamos, recebi um SMS com uma boa notícia. Heathrow tinha aberto! Ainda passeámos mais um pouco para disfarçar a ansiedade, mas depressa regressámos ao hotel para saber notícias. Pelo caminho o Amílcar ainda salivou mais um bocado ao ver os 2 Rolls Royces verdes que estão sempre no parque do hotel Peninsula (acho que estão ao serviço dos hóspedes).

Chegados ao hotel, corremos para o quarto, ligámos a Sky News e... a desilusão. Alguns aeroportos ingleses tinham aberto, mas Heathrow não era um deles. E nós que continuávamos sem Internet. Restou-nos ir jantar cedo para depois dar uma volta pelo hotel à procura de redes wireless.

A primeira paragem foi no último piso, o da piscina. Foi a primeira e foi a última, pois encontrámos o que procurávamos. Voltámos a fazer chamadas para os amigos e família e ver as notícias, falavam de uma possível abertura de Heathrow no dia seguinte. A ver vamos...

O Amílcar ainda perguntou se podia fumar ali, uma vez que estava ao ar livre, mas era proibido. Até é proibido fumar à beira mar, como é que poderiam permitir fumar ali? Que sociedade mais intolerante quanto ao fumo.

Ao chegar ao quarto, mais um fax da Cathay que não dizia nada de concreto. Lá mais para o final da noite, chegaria outro com boas notícias, mas eu só o veria no dia seguinte...Este pedia-nos para contactar o staff da Cathay no hotel às 09:30h para sabermos informações quanto a uma possível partida nesse dia.





Dia 21 – 21-04-2010 – Hong Kong – Londres

Ao acordar e ligar a televisão vimos que Heathrow já tinha aberto. Isto merece Champagne, mas contivé-mo-nos. Depois do pequeno-almoço, encontrámo-nos finalmente com a representante da Cathay no hotel que confirmou que Heathrow já se encontrava aberto, mas que ainda não sabiam quando é que o nosso voo poderia partir devido ao caos instalado em Londres. Provavelmente ainda não partiríamos hoje. Ficou com os nossos nomes e contactos para o caso de ter mais notícias. Regressámos ao quarto animados, mas sem grandes expectativas.

Pouco depois de termos regressado ao quarto, o telefone toca com boas notícias. O nosso voo partiria hoje às 16:00h, pelo que teríamos que estar prontos antes das 13:00h para o transfer para aeroporto. Ficámos tão excitados que fizemos amor como doidos. Um leitor mais atento terá reparado que, na noite anterior, não houve sexo para ninguém.

Voltámos a tomar banho, almoçámos, fizemos check-out e fomos os primeiros a entrar no autocarro. Não queríamos correr riscos. No autocarro ficámos quase uma hora à espera de um passageiro. Um judeu, daqueles vestidos de fato preto, com trancinhas amaricadas e chapéu. Daqueles, dos fundamentalistas. Aparentemente não queria pagar a conta do hotel e ficou a discutir com o pessoal da recepção. A Cathay pagou o nosso alojamento e refeições no buffet. Todas as outras despesas (no nosso caso só a lavandaria) tiveram que ser suportadas por nós. Não sei que despesas é que ele tinha (provavelmente putas), mas achava que não as devia pagar e não arredava pé. O autocarro acabou por partir sem ele. Só espero que tenha perdido o voo.




Chegados ao aeroporto, começaram as confusões. Uma funcionária da Cathay veio receber-nos ao autocarro apenas para nos andar a fazer dar voltinhas e perder tempo em filas desnecessárias antes de nos dirigirmos ao balcão de check-in. O check-in demorou uma eternidade e ainda tivemos que mudar de fila para acelerar o processo. Já estávamos a menos de 1h de partida, ainda não tínhamos completado o check-in e as funcionárias já estavam stressadas. A segurança e a imigração foram rápidas. O comboio até à porta de embarque também. Na porta recomeçaram os atrasos. O embarque nunca mais começava. Estava toda a gente ansiosa, à porta e ninguém embarcava.

O embarque apenas começou depois das 16:00h e o avião apenas partiu quase às 18:00h. Estivemos quase 2h à espera de 18 passageiros que andavam perdidos no aeroporto. Não nos agradou muito a ideia, mas compreendemos. Também gostávamos que esperassem por nós nestas circunstâncias. Quando o avião descolou, nem queríamos acreditar. Parece que é mesmo desta que vamos chegar à Europa!

Apesar de ainda não termos aterrado em Londres, quero agradecer à Cathay Pacific pela forma como nos tratou e como reagiu a esta situação. Não há muitas companhias que tenham alojado os seus clientes num hotel de 5 estrelas, com todas as refeições pagas durante 6 dias. Até a British Airways, ao fim de alguns dias disse aos clientes que já não suportava mais os seus custos. Neste momento a Cathay é a nossa companhia aérea favorita, na qual voltaremos a voar sempre que possível e recomendamos efusivamente.




Já que estamos na fase dos agradecimentos, fica também uma palavra de apreço para a Quadrante, a nossa agência de viagens, que nos contactou pouco tempo depois de termos ficado retidos em Hong Kong e nos foi dando apoio telefónico, sugestões de rotas alternativas, e tentado arranjar soluções junto da Cathay. É bom saber que se preocupam com os seus clientes, mesmo após o seu serviço já ter terminado (a viagem já estava no final) e já terem recebido o pagamento.

O último agradecimento (isto já parece os Óscares) vai para o Netbook Vaio VPCW21Z1E, que foi o nosso ponto de contacto com o mundo nestes dias de exílio em Hong Kong. Apesar de ser uma máquina lentinha, serviu de telefone, de media center, de cliente de e-mail, de fonte de notícias, de backup das nossas fotografias de viagem e de máquina de escrever para este relato. Logo a seguir ao controlo de segurança, no aeroporto, deixámo-lo cair (o Amílcar acha que fui eu e eu acho que foi ele) da altura do meu peito e ele aguentou a queda sem se queixar. Como protecção, apenas tinha a sua bolsa ligeiramente almofadada. Só é pena que começasse a perder a pintura na parte frontal da caixa já há alguns dias.

Infelizmente nem a Cathay Pacific, nem a Quadrante, nem a Sony patrocinam este site, pelo que os agradecimentos são mesmo sinceros. Claro que se alguém quiser patrocinar, será bem vindo.

Continuarei a escrever o relato quando (ou se) chegar a Londres e souber como irei regressar a Portugal.




Chegámos a Londres às 23:30h. Inacreditável como é que alguns filhos da puta não aplaudem após a aterragem. Os balcões de check-in de British Airways (BA) já estão todos fechados e só irão abrir amanhã às 05:00h da manhã. Vamos passar a noite na sala das chegadas, que já se encontra sobrelotada e ainda estão a chegar voos. Há pessoas a dormir no chão, em sacos-cama ou em esteiras. Não há lugares vagos nos bancos que permitam deitarmo-nos. Por sorte arranjámos 2 cadeiras, mas temos que "dormir sentados". Existe um balcão de apoio aos passageiros com algumas esteiras, mantas e garrafas de água. Quando lá chegámos já só conseguimos uma garrafa de água. Pelo menos já estamos na Europa.

Estamos na Europa, mas só pela posição geográfica. Pelas condições no aeroporto e pela forma como fomos tratados parecia que estávamos Haiti ou noutro qualquer país de 3º Mundo. Os balcões de check-in começaram a abrir às 05:00h, mas só para alguns voos. Os cabrões dos ingleses fizeram as pessoas esperar na rua, ao frio, até que o check-in do seu voo abrisse. Nós esperámos cerca de 30 minutos, mas houve quem esperasse bastante mais. Esta situação ainda pareceu mais grave quando chegámos ao interior do edifício e vimos que tinham espaço suficiente para todos.

No interior, aproximámo-nos a medo do balcão de check-in. Temíamos não termos lugar no avião. O funcionário, de nome Alfie, extremamente simpático, e ainda mais competente, inseriu-nos na lista de passageiros e fez-nos o check-in para o voo das 07:40h. Como se isto já não bastasse, ainda nos arranjou lugar à janela. Assim está bem! Neste momento estamos na sala de embarque à espera do voo.

O voo da British partiu um pouco atrasado mas chegou à hora marcada a Lisboa. Como se já não bastasse não termos comido quase nada nas horas que passámos no aeroporto, houve problemas com o catering e, no avião apenas nos deram umas míseras bolachas.  Ao chegar ao aeroporto, uma cena digna das piores telenovelas mexicanas. O reencontro com a família, com muitos abraços, beijinhos e lágrimas.

Assim termina aquela que foi a nossa maior viagem de sempre, que durou quase 4 semanas. Esta foi a nossa maior viagem mas, não foi a nossa melhor viagem. Apesar de ter corrido muito bem e de termos passado por lugares espectaculares e exóticos, não ficou ao mesmo nível da viagem ao Peru ou da viagem ao Vietname. É a prova de que quantidade e qualidade são coisas distintas. Apesar disto, recomendamos estes destinos a quem tenha interesse por aquelas paragens e, acima de tudo, tenha muito dinheiro para gastar por lá, pois não são destinos baratos.


The end.

Escrito por Vaselina


E lembrem-se, não se deixem apanhar.